FILME PELÉ ETERNO

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A prova definitiva de quem é o melhor jogador de sempre

domingo, 1 de novembro de 2015

E se Pelé não tivesse existido?

E se Pelé não tivesse existido?

Crônica de Darino Sena, jornalista do jornal Correio da Bahia em 27/10/2015 

Onde você vai, existem 3 ícones que todo mundo conhece:
Jesus Cristo, Pelé e Coca-Cola.
Se Pelé não tivesse existido, o que seria do futebol brasileiro? Teríamos ganhado cinco Copas do Mundo? Seríamos tão respeitados no esporte? (Esqueça o 7x1, os dirigentes, o técnico Dunga e a Seleção Brasileira dos dias de hoje. A mediocridade atual não faz jus a nossa tradição) .
O que era o Brasil antes de Pelé? Um país em que o futebol era muito popular, mas sem grandes conquistas. Não tínhamos ganhado nenhuma Copa. A maior glória até então era o vice de 1950, em casa, diante do Uruguai de Ghiggia e Obdulio Varela. Nossa maior conquista era nossa maior derrota.
Aquele revés fez o maior cronista esportivo do Brasil, Nelson Rodrigues cunhar a expressão “complexo de vira-latas”. O próprio explicou: “Por complexo de vira-lata entendo eu, a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. O brasileiro é um *Narciso ao contrário (*Narciso é o personagem da mitologia grega que passava o tempo se olhando ao espelho admirando a sua própria beleza), que cospe na própria imagem... Não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a autoestima”.

Com Pelé, começamos a forjar nossos pretextos históricos. Exorcizamos o complexo de vira-latas no futebol. Aos 17 anos, em 1958, o Rei foi protagonista em sua Copa do Mundo de estreia. Em 1962, se machucou na segunda partida e não pôde mais jogar. Mas já tinha deixado em campo um representante de peso: a confiança. Em 1970, Pelé foi o maestro do maior time de todos os tempos.

Sem o Rei, o complexo teria acabado? Sem a herança das 3 Copas do Mundo, teríamos conquistado a 4ª ou 5ª Copa do Mundo? Ou nós iríamos ser como a Holanda, uma seleção que joga bom futebol, encanta, mas nunca ganha?   
O que iria ser o futebol sem Pelé? O Rei obrigou o esporte a se modernizar. Expoente máximo da união entre força e técnica, mostrou a importância do preparo físico. Pelé foi o maior com a bola nos pés. O pulmão e os músculos o ajudaram muito a fazer tanto. Os demais jogadores tiveram que acompanhar esse ritmo. Sem Pelé, o futebol teria evoluído, se tornado mais rápido e dinâmico. Só que demoraria mais.

Pelé foi o primeiro ícone mundial do futebol. Pioneiro em extrapolar fronteiras, em ser venerado em escala planetária. Isso muito antes da globalização e da internet. O Rei jogava muito e também sabia vender muito bem sua imagem, o que não é demérito, é diferencial. Foi por essa capacidade que Pelé alimentou alguns mitos, como o de ele ter parado guerras; eternizou até os gols que não marcou e conferiu áurea humanitária ao mais badalado dos muitos que fez, o milésimo gol, associando-o a uma causa – o clamor pelas criancinhas. Não foi por acaso que encerrou a carreira nos Estados Unidos, a maior potência econômica e midiática. Pelé criou o modus operandi do popstar da bola. Cartilha que é seguida por jogadores como Beckham, Messi e Cristiano Ronaldo.

Pelé deu ao futebol a mística da camisa 10. Influenciou gerações a querer vestir a camisa com o número 10 e honrá-lo. Criou uma dinastia que ainda não conhece alguém maior. Outra contribuição inestimável ao futebol foi o esforço de popularizá-lo em locais onde ainda não tinha vingado. O Rei ajudou o futebol a se consolidar como esporte mais popular do mundo.

Na sexta-feira passada, Pelé completou 75 anos de idade e recebeu modestas homenagens por aqui. Nenhuma manifestação espontânea de torcedores nos estádios na rodada do final de semana. Entre os principais jogadores brasileiros em atividade aqui e fora, nenhum fez menção ao ídolo em campo. Nem Neymar, revelado no Santos que Pelé consagrou. 
A única lembrança entre os jogadores de futebol veio de onde menos se esperava – o francês Pogba, da Juventus, desenhou o número 75 nas costas da camisa, ao lado do número 10, nos 2x0 sobre a Atalanta.  

A escassez de reverências constata uma triste realidade – Pelé é pouco reconhecido pelo brasileiro. Basta olhar para o lado e ver como Maradona é tratado pelos argentinos. 

Quando é que o Brasil vai se dar conta do que Pelé significa? 
Ajudaria a simples reflexão: o que iria ser o futebol sem Pelé?
Nota do autor do blog: 
Atletas de outros países que não fizeram metade do que Pelé fêz são tratados como heróis nacionais, e pelo pouco que eles conseguiram (em comparação com o que o Rei conseguiu), são muitas vezes comparados e até classificados de melhores que o Rei, como nos casos de Eusébio, Di Stefano, Cruyff, Maradona e hoje em dia, Messi e CR7. 
Se Pelé não tivesse existido, todos estes nomes acima, e mais alguns que agora eu não me lembro, estariam na eterna discussão de quem foi o melhor jogador de futebol de todos o tempos.. e assim iria ser... se Pelé não tivesse existido:-)

Quando perdemos 7 x 1 para a Alemanha, logo após o jogo escrevi esta pequena crônica AQUI

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