FILME PELÉ ETERNO

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A prova definitiva de quem é o melhor jogador de sempre
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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Pelé seria até hoje a transferência mais cara da história se tivesse ido para a Itália em 1961

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A capa da edição dominical do Corriere della Sera de julho de 1961 é impactante. Assim como nos cadernos esportivos de cinco décadas depois, o mercado de transferências dominava a pauta do jornal italiano. E o momento era excelente para tratar do assunto. Luisito Suárez havia quebrado o recorde como contratação mais cara da história, levado do Barcelona à Internazionale por 250 milhões de liras. Um número que podia ter sido superado por Pelé. 

Inter, Juventus e Milan ofereceram 600 milhões de liras pela revelação da Copa de 1958. Algo que o próprio Rei confirmaria anos depois, em entrevista ao Corriere dello Sport: “No início da minha carreira, Angelo Moratti [então presidente da Inter] fez uma proposta, mas o Santos recusou. O clube também disse não à Juventus de Agnelli e, por isso, fiquei no Brasil”. 

O resto da história é mais do que conhecida. O Santos F.C. se aproveitou da situação ganhando taças e mais taças na década de 1960 e a própria Seleção Brasileira foi beneficiada, mantendo o craque a seu serviço durante todo o tempo.
Segundo o jornal La Repubblica, Moratti tinha dinheiro suficiente para dar um lance ainda maior e presentear o esquadrão comandado por Helenio Herrera com Pelé. No entanto, o dirigente temeu que o valor exorbitante pudesse causar repercussões negativas na sociedade italiana. Somente sete anos depois é que a marca seria batida, quando a Juventus deu 650 milhões de liras ao Varese pelo atacante Pietro Anastasi.
Mas qual o valor atualizado da proposta dos italianos por Pelé? Fazendo a correção monetária com base na libra, unidade monetária utilizada nas primeiras contratações, os números parecem irrisórios para os dias atuais: cerca de € 6,9 milhões. Considerando o que já foi gasto nesta janela, Pelé seria apenas a 95º transação mais cara de 2013/14. Léo Baptistão custou ao Atlético de Madrid € 100 mil a mais, por exemplo.
O número não quer dizer que Pelé fosse barato se jogasse nos dias atuais. Longe disso. Ele ajuda a dimensionar a valorização do atleta como mercadoria, bem como do próprio futebol como negócio. 


Entre 1961 e 2009, o recorde de transferência mais cara da história cresceu 1947%, corrigida a inflação . Se Moratti ficou receoso com a polêmica que a oferta que fêz a Pelé poderia gerar, o que ele diria se o Tottenham pedisse 10,95 bilhões de liras – ou € 120 milhões – para ceder Gareth Bale ao Real Madrid?
Pelé aos 18 anos foi cobiçado pelos
grandes clubes europeus.

Todavia, se tivesse mesmo ido jogar na Itália, Pelé até hoje teria uma marca imbatível no mercado de transferências. 

Entre o total pago por Suárez e o oferecido pelo Rei, o recorde de jogador mais caro de todos os tempos daria um salto de 140%. 

O percentual nunca foi alcançado na história – o mais próximo disso é 134%, de 1932, quando Bernabé Ferreyra assinou com o River Plate e ultrapassou a quantia estabelecida pelo Arsenal na compra de David Jack. 

Mostra de que, por mais que o conceito de mercado de transferências tenha se alterado bastante, o reconhecimento do talento é atemporal.

Nota: para ler mais sobre este assunto, clique AQUI

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

EM 7 DE SETEMBRO DE 1956, HÁ 60 ANOS ATRÁS, PELÉ MARCOU O 1º GOL DA SUA CARREIRA

Pelé aos 15 anos de idade marcou o 1º gol como jogador profissional. Desenho de MÁRIO ALBERTO.

E lá se vão 60 anos daquele 7 de Setembro de 1956 ( ver AQUI). 

Muito, mas muito antes de o placar de 7 a 1 deixar no brasileiro um sabor de piada amarga, esse mesmo número, essa mesma diferença de gols, essa mesma goleada entrava para a história como o começo de dias de glória para o futebol brasileiro. A partir do momento em que o árbitro Abílio Ramos autorizava, aos 30 minutos do segundo tempo, a entrada de um menino de 15 anos no time do Santos para substituir o craque Del Vecchio, começaria a contagem regressiva para o surgimento de um rei.

Pelé, o 3º da esquerda para a direita na fila de baixo, com 15 anos estreiou no time principal do Santos FC
Saiu Del Vecchio para entrar *Gasolina ( *alcunha de Pelé na época)? A correria vai acabar, Zito! E que rapaz é esse tal de Gasolina? perguntou o meio-campista Schank para o companheiro do Corinthians de Santo André, aliviado pela saída do astro santista, autor de dois gols na parcial vitória por 5 a 0 no amistoso em comemoração ao Dia da Independência.

O que Schank não sabia, o que Zito (do Corinthians de Santo André, não o craque santista) não suspeitava, o que o árbitro Abílio Ramos sequer imaginava, muito menos o goleiro Zaluar e o público presente ao estádio Américo Guazelli, é que aquele tal de Gasolina… magrinho, jeito quietinho, na dele, agitaria aquele jogo, o futebol, o mundo a partir dali. Bastaram seis minutos em campo para o Gasolina, como era mais conhecido e chegou a ser anunciado pelo alto-falante, virar o Pelé. E bastaram seis minutos para Schank se transformar na primeira vítima e personagem de uma das três versões contadas para o primeiro gol dos 1.281 celebrados pelo Rei do Futebol.
O primeiro gol de Pelé tem três versões diferentes contadas por 
Schank, Raimundinho e o goleiro Zaluar.
Schank, vítima do drible

Ao longo de uma carreira marcada pelas três Copas do Mundo conquistadas (1958, 1962 e 1970), o bicampeonato mundial pelo Santos, as duas Libertadores, os inúmeros títulos nacionais e regionais, as incontáveis e insuperáveis jogadas de cinema, Pelé virou mito, e esse primeiro gol entrou para a eternidade. Conta aí a sua versão, Schank:
Schank diz que levou drible (Foto: Arquivo pessoal)

– A bola veio da defesa, uma cabeçada ou um chute forte do Hélvio, zagueiro do Santos. Eu lembro bem porque eu estava marcando o Pelé,. eu era o meio-campista mais recuado. Ele pegou a bola no meio de campo e me driblou como quis. Depois passou pelo Zito, e olha que passar pelo Zito não era nada fácil… Aí veio mais um, o Dati… Ele chegou no Zaluar, o goleiro que tinha entrado e era muito bom, e tocou por baixo das pernas dele. Olhei pra cara do Zito e falei logo: “Aumentou a correria! Que garoto é esse Gasolina?” Nunca poderíamos imaginar que aquele menino se tornaria o Pelé, o cara que um dia ia parar uma guerra na África. Sabe o Robinho quando começou? Era como ele, magrinho, perna fininha, rápido… – deu a sua versão o todo orgulhoso Schank, hoje com 81 anos.


Schank, que ao pendurar as chuteiras virou dirigente e após passou a dar aulas em escolinhas, hoje já tirou o pé do acelerador e vive com mais tranquilidade. Fez questão de dizer: não quer, absolutamente, desmentir as outras versões. Contou o que lembra do lance. A bola teria sobrado para Pelé no meio-campo após uma cabeçada (ou chutão) do defensor Hélvio.


Versão diferente da narrada pelo meia Raimundinho, ( na foto à esquerda com Pelé) do Santos. Ele, por sinal, também entrara no segundo tempo. Raimundinho faleceu em 2007, mas antes, em entrevista ao GloboEsporte.com, ao repórter Adílson Barros, em 2006, contou que o gol surgiu após tabelinha entre ele e Tite, outro atacante santista. Raimundinho tocou para Pelé, que dominou entre os zagueiros e bateu por baixo de Zaluar.

Ele ficou tão emocionado com aquele momento que queria abraçar todo mundo – lembrou à época Raimundinho, considerado o autor do passe decisivo.

Face e corpo de menino, 
Pelé tinha 15 anos quando marcou o primeiro gol pelo Santos FC.
(Foto: Reprodução / twitter)


A terceira versão para o gol de Pelé foi do goleiro Zaluar, na foto abaixo. 
E até ele entrou no segundo tempo, no lugar de Antoninho, que já não era o titular. Falecido em 1995, contou para o site Paixão Canarinha, em 1972, que Pelé recebera passe de Jair Rosa Pinto, famoso craque dos anos 1940 e 1950, ex-Vasco, Flamengo e Palmeiras, e não de Raimundinho. O goleiro afirmou ainda ter gritado para o zagueiro Mário, mas Pelé foi mais rápido, aplicou um chapéu em um dos marcadores e, cara a cara, tocou entre suas pernas.

Eu tinha condições de defender aquela bola. Quando o Jair lançou o rapaz, gritei para fazerem a cobertura. Poderia ter entrado duro mas não tive coragem quando vi as canelas finas do menino. Pelé balançou o corpo para a direita, para a esquerda… Quando percebi, já tinha tocado a bola no meio de minhas pernas – afirmou para o site Paixão Canarinha.

O lance abriu o caminho para a trajetória do Rei e tornou Zaluar conhecido. Depois que encerrou a carreira, ele se tornou fiscal de vendas da Prefeitura de Santo André. E se apresentava com um cartão profissional em que se intitulava o primeiro goleiro a sofrer gol de Pelé. A vibração com o feito o levou a fazer uma camisa com as inscrições “Goleiro Rei Pelé 0001” que usava no time de veteranos do Aramaçan. 

E o grito de independência do primeiro gol de Pelé, ecoando em três versões, chega à sua terceira idade.



Ficha do jogo:

Corinthians de Santo André 1 x 7 Santos
Data: 7 de setembro de 1956
Local: Estádio Américo Guazelli (Santo André-SP)
Juiz: Abílio Ramos
Corinthians F. C. de Santo André: Antoninho (Zaluar), Bugre (Mario) e Chicão (Dati); Mendes, Zito e Tonico; Vilmar, Cica e Teleco (Odilio); Rubens e Doré.
Técnico: Jaú.
Santos: Manga, Hélvio e Ivan (Cássio); Ramiro (Fioti), Urubatão e
Zito (Feijó); Alfredinho, Alvaro (Raimundinho) e Del Vecchio (Pelé);
Jair e Tite.
Técnico: Lula.
Gols: Alfredinho aos 28, Álvaro aos 30, Del Vecchio aos 34 e Alfredinho
aos 41 do 1º T, Del Vecchio aos 15, Pelé aos 36, Wilmar (Corinthians)
aos 41 e Jair aos 44 do 2º T.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Visão periférica, o maior segredo do Rei Pelé:-)


Pelé, Rei do Futebol, considera visão periférica seu maior diferencial no jogo



No primeiro instante, ninguém entendeu aquela jogada. Pelé recebeu a bola na entrada da área italiana e, em vez de driblar o zagueiro e partir para o gol, tocou-a com pouca força para o lado direito, onde não havia nenhum jogador. 

Seria um erro primário cometido pelo rei do futebol? Nada disso. Foi, na verdade, uma jogada genial. Lá de trás, vinha o lateral Carlos Alberto Torres, veloz como um foguete. O passe de Pelé veio na medida exata. 

Resultado: mais uma bola no fundo das redes do goleiro italiano Albertosi. Era o quarto gol da Seleção brasileira, que selaria a conquista do tricampeonato mundial, no dia 21 de junho de 1970, no Estádio Azteca, no México.




Qual a explicação para o passe genial? Como Pelé conseguiu perceber, quase de costas, a aproximação de Carlos Alberto? A resposta não tem nada de sobrenatural. Pelé tinha aquilo que, no meio futebolístico, costuma-se chamar visão periférica, —a capacidade de perceber, num piscar de olhos, tudo o que se passa à sua volta. 



O texto abaixo foi escrito pelo Dr. Túribio Barros em 2015.


O Rei do Futebol completou 75 anos, e merecidamente foi reverenciado por todos nós que tivemos o privilégio de ver, tanto ao vivo como em filmes e documentários, a verdadeira magia de sua relação com a bola.


Comemorações do 4º gol do Brasil na final da Copa do Mundo de 1970,
visto por detrás da baliza do goleiro brasileiro Félix.
É absolutamente desnecessário tecer qualquer comentário enaltecendo o Pelé ou tentando descrever suas qualidades como atleta. Talvez possamos dizer que tudo que poderia ser dito a respeito de Pelé já foi dito por alguém.

Eu tive o verdadeiro privilégio de estar na companhia do rei várias vezes nas últimas décadas, e garanto que em todas elas pude confirmar a verdadeira áurea de simpatia e cordialidade que ele manifesta de maneira absolutamente natural.

Em uma dessas vezes, não consegui evitar fazer uma pergunta que, como profissional da área de esporte, me sentia tentado a ter o atrevimento de elaborar.



O que eu queria saber da sua própria concepção era a respeito do que ele considerava ter sido sua melhor qualidade do ponto de vista físico. Sabemos que o talento ninguém explica, porém sua excepcionalidade como atleta certamente tinha os ingredientes qualificados por indicadores físicos. Imaginei que a resposta fosse à direção de um desses indicadores de aptidão.


A mesma cena vista por detrás da baliza do goleiro italiano.FOTO. GETTY IMAGES
Para minha surpresa Pelé respondeu:

- Eu considero que o que eu tinha a mais que todos os outros atletas com que eu joguei era a “visão periférica”!

Em seguida ele me deu uma verdadeira aula sobre o conceito de campo visual e sua importância para o jogador de futebol. Ele dizia com verdadeiro conhecimento de causa, que sua percepção visual periférica lhe permitia “antever” o que os adversários que o cercavam iriam fazer e consequentemente ele antecipava suas decisões, obviamente com a genialidade que a natureza lhe conferiu.

Aquela resposta, até certo ponto surpreendente, me proporcionou a chance de observar sob esta ótica vários lances das jogadas mais geniais do Pelé, e de fato comprovar o que ele explicou. Como eu esperava ele não me deu uma resposta comum, como nada do que ele fazia no futebol era! 


Pelé e o goleiro Shep Messing no New York Cosmos
Shep Messing, goleiro do New York Cosmos, e companheiro de equipe do Rei por 3 anos, já havia citado que Pelé tinha uma visão periférica de 220º graus (ver  AQUI)

*TURÍBIO BARROS
Mestre e Doutor em Fisiologia do Exercício pela EPM. Foi membro do American College of Sports Medicine, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo FC e coordenador do Departamento de Fisiologia do E.C. Pinheiros www.drturibio.com


Pois é pessoal, além do talento único, Pelé ainda tinha esta "arma secreta",
que ajuda muito a explicar toda a genialidade do Rei do Futebol:-)

domingo, 20 de março de 2016

Em meio à guerra, museu de Pelé resiste na Ucrânia


Em meio à guerra, museu de Pelé resiste na Ucrânia

No centro de uma cidade do leste da Ucrânia se encontra o primeiro museu do mundo dedicado a Pelé, que sobreviveu milagrosamente a quase dois anos de guerra. O criador do acervo de Lugansk é um humilde senhor de 55 anos, que vê no Rei do futebol uma forma de divulgar a paz.
Estátua de Pelé em frente ao museu em Lugansk, Ucrânia.

Nikolai Hudobin, fundador do museu e Pelé
As portas do museu estão fechadas, mas o curador comparece todos os dias. Apesar dos dois anos de conflitos sangrentos no leste separatista da Ucrânia, o primeiro museu do mundo dedicado a Pelé, o rei do futebol, segue em pé em Lugansk.

Não é raro escutar o som de tiros na cidade, uma das 'capitais' dos rebeldes pró-Rússia, mas o museu, seus muros verdes e amarelos, nas cores da bandeira do Brasil, a estátua em bronze de Pelé e a imensa bola que decora a entrada parecem tirados de um sonho.



"O museu não abre há dois anos, desde o início da guerra. Havia bombas explodindo constantemente e tinha medo que uma caísse no museu", lembra o fundador e curador do museu, Nikolai Judobin, que define sua paixão por Pelé como "uma religião pessoal".

Pelé na Ucrânia em 1997.
"Acredito que Pelé é um Deus do futebol e este lugar é sagrado, é um templo do futebol", completa, sentado na sala principal.
Atrás estão expostos, entre outros objetos, um relógio de ouro dado de presente por Pelé ao jogador soviético Valentin Afonin, uma fotografia do ex-craque brasileiro quando visitou a estação espacial russa Mir e dezenas de bandeiras que possuem alguma relação com algum momento da carreira do eterno camisa 10 da seleção.

Nikolai abriu este museu para a Eurocopa-2012, que a Ucrânia sediou em conjunto com a Polônia, antes do início do conflito armado que assola o país. O 'templo' é apresentado como o primeiro museu do mundo dedicado exclusivamente a Pelé.

Museu Pelé na Ucrânia tem cerca de 3 mil peças.
"Somente duas cidades no mundo podem presumir ter um museu assim: Lugansk, na Ucrânia, e Santos, no Brasil. Mas lá o museu abriu dois anos depois que o nosso", sorri Nikolai.
Nikolai e o seu templo


"No dia da abertura do museu, o embaixador do Brasil me deu um forte abraço e chorou. Não conseguiu acreditar que, tão longe, em Lugansk, podia-se gostar tanto de Pelé", completa orgulhosamente.

"Minha família, Pelé e o trabalho é tudo que tenho na vida", continua Nikolai, um homem tímido de 55 anos que recentemente perdeu a esposa.


Sua admiração por Pelé faz Judobin imitar os hábitos do 'Rei', sem álcool nem cigarro: "Nunca bebi cerveja, porque Pelé tem um modo de vida saudável. Isso me inspirou".

A 'Pelemania' começou quando era criança e viu pela televisão o ídolo marcar o gol de número 1.000 na carreira, em novembro de 1969.

"Decidi juntar notícias sobre ele. Troquei minha bicicleta por uma fotografia de jornal do Pelé e dei sequência a essa coleção durante mais de 40 anos", explica Nikolai, que teve a oportunidade de se encontrar com Pelé em Moscou e no Brasil, chegando até a cortar o cabelo com o cabeleireiro pessoal do ex-craque.

Graças ao museu, as cidades de Lugansk e Santos ganharam um ponto em comum e Nokolai esperava então que Pelé pudesse viajar para ver com os próprios olhos seus tesouros particulares, mas a guerra entre as forças governamentais e os rebeldes separatistas pró-Rússia chegou, deixando mais de 9.000 mortos em quase dois anos.

Desde o início das hostilidades, Nokolai não escondeu seu apoio ao governo de Kiev, apesar da crescente influência das novas autoridades separatistas. 
Chegou a passar três dias preso no autoproclamada República Popular de Lugansk. 
O que o salvou? A reputação de seu museu.



"Não sou pobre. Queriam tomar meus bens. Exigiram os documentos de meu apartamento e chegaram até a simular uma execução com um tiroteio, mas logo descobriram quem eu era, tiveram medo do barulho que isso poderia causar e me deixaram voltar para casa", lembra.

Nikolai repete que Pelé  "salvou a sua vida", mas ainda não acredita ter chegado o momento de reabrir as portas do museu.


Seu sonho é poder transportar o conteúdo do museu ao Brasil e comprar em Santos uma casa onde possa viver com seu neto.

Nikolai espera também poder organizar uma exposição em Kiev, e diz: 

"Eu acredito que a imagem de Pelé pode contribuir para a reconciliação entre a capital e o leste rebelde". 


"Nunca peguei em armas e gostaria que estivéssemos novamente juntos e unidos", conclui, esperançoso.






CONHEÇA A HISTÓRIA DE NIKOLAI HUDOBIN, CRIADOR DO MUSEU PELÉ UCRANIANO.


O empresário ucraniano Nikolai Hubobin chegou nesta semana a Santos pela segunda vez distribuindo muitos sorrisos e uma simples palavra: Spasiba (“obrigado”, em russo, um dos idiomas oficiais do País).
A manifestação de agradecimento em visitar Santos novamente tinha um motivo – e muito justo. Ele é conhecido por ser o”craque” do Pelé FC – Futebol Clube ou Fã Clube, como preferir. Sua admiração pelo Pelé o projetou a criar um museu em homenagem ao Atleta do Século, eterno ídolo do Santos FC.
Nikolai com Pelé no Brasil
O museu em questão fica na cidade de Lugansk (com cerca de 445 mil habitantes) na Ucrânia, com um acervo de mais de 3 mil peças
Nikolai Hudobin foi um exímio colecionador durante 40 anos – no que podia economizar no dia-a-dia, guardava para comprar qualquer objeto vinculado ao jogador. Em exposição, é possível encontrar relíquias relacionadas a Pelé e ao futebol em geral. 
Os grandes destaques são  o pin comemorativo da Copa de 58, relógio presenteado por Pelé a Valentin Afonin, ex-zagueiro da URSS, e diversos objetos pessoais assinados pelo Rei.



Mas, afinal, como e quando surgiu tamanho fascínio por Pelé e, posteriormente, pelo Santos FC e pela Cidade, símbolos do Atleta do Século?
Milésimo gol
Era 19 de novembro de 1969. Hudobin tinha nove anos de idade. Pelé, por sua vez, tinha 20 anos a mais. No Maracanã, fazia seu milésimo gol em cobrança de pênalti contra o Vasco da Gama, vitória do Santos por 2 a 1. “Foi assim que passei a admirar Pelé. Aquele gol foi emocionante”, diz Hudobin. 
Mas a grande emoção de sua vida chegaria após 28 anos. Em 1997, Hudobin fez a “jogada” mais acertada de sua admiração pelo jogador brasileiro. Seu amigo russo, Guennady Efánov, ligou avisando que o Rei estaria em Moscou para uma apresentação da propaganda Café Pelé. Nikolai tinha 37 anos. “Quase desmaiei quando vi Pelé pessoalmente”, conta.
Quando percebeu que tinha uma quantidade considerável de objetos e arquivos relacionados ao seu ídolo, Nikolai Hudobin recebeu a ajuda de mais uma amiga: dessa vez, uma jornalista que entendia o idioma português, que levou a carta dele traduzida ao Rei. Nela havia a intenção e o pedido de autorização para que ele pudesse criar e inaugurar o Museu Pelé na cidade de Lugansk, na Ucrânia. Mesmo não falando o mesmo idioma, a atitude de Pelé foi genuína e sem necessidade de qualquer tradução: abraçou o fã da Europa Oriental. “Perdi a consciência por três minutos. Depois, ganhei um autógrafo”, disse Hudobin sorrindo.
Outros ídolos
Nesta última visita, Nikolai Hudobin aproveitou para comprar mais um artigo do Santos FC e assistiu ao jogo da final da Copa do Brasil Sub-20 entre Santos x Criciúma. Conversou sobre Andriy Shevchenko, o “Pelé” da Ucrânia, e Lev Yashin (goleiro russo conhecido como Aranha Negra).

E sobre os brasileiros no futebol ucraniano, como no Shakhtar Donetsk? “Não tenho opinião sobre esse assunto. O Santos e o Pelé é o que importam“, diz o ucraniano com jeitinho brasileiro – e por que não santista também?
VÍDEO

domingo, 13 de março de 2016

Nos dias de hoje, Pelé marcaria o dobro de gols...


Nos dias de hoje, Pelé marcaria o dobro de gols... porque nos tempos em que Pelé jogava futebol, o árbitro nunca expulsava ninguém de campo logo no primeiro tackle violento, era muito raro isto acontecer.

Esta era uma cena comum na carreira de Pelé.
Um adversário acertou-lhe a perna e teve que receber atendimento.
Por isto, na maioria da vezes, os defensores tentavam acertar nas pernas do melhor jogador do time adversário para machucá-lo profundamente, logo no início do jogo. 

Até 1970, o cartão amarelo e o cartão vermelho ainda não existiam. Também as substituições de jogadores durante o jogo não existiam e o jogador que estivesse lesionado tinha que se manter em campo os 90 minutos, se ele tivesse condições físicas para isto.


Quando os clubes brasileiros iam jogar nos países sulamericanos, geralmente o árbitro era muito intimidado pelos fans locais e em caso de dúvida, geralmente decidia a favor dos times da casa.
E geralmente o árbitro permitia a violência dos jogadores do time da casa.
E geralmente, quando o time da casa não conseguia vencer, os jogos geralmente terminavam em confusão, com brigas entre jogadores, objetos jogados das arquibancadas em direção ao time visitante e ameaças dos fans locais de invasão de campo durante todo o jogo.

Pelé além do enorme talento que tinha, era forte, rápido e esperto. Por esta razão, conseguiu jogar durante 2 décadas praticamente sem ter nenhuma lesão grave. Mas Pelé não era nenhum santo. Muitas e muitas vezes esperou o momento certo durante o jogo para se vingar de algum adversário que lhe agrediu, sem que o árbitro percebesse. Nos estádios de futebol naqueles tempos, raramente haviam câmeras de televisão para filmar o jogo.
A esmagadora maioria das faltas violentas de que Pelé foi vítima em 21 anos de carreira não estão filmadas em vídeo, e existem apenas algumas pouquíssimas fotos de Pelé lesionado ou fazendo tratamento com por exemplo as duas fotos abaixo .


Hoje em dia há muito mais proteção da FIFA e dos árbitros aos jogadores talentosos e há sempre pelo menos 20 câmeras de televisão a filmarem cada lance do jogo de vários ângulos, em slow motion e HD.
No vídeo abaixo, alguns tackles se acontecessem hoje em dia, certamente seriam penalizados com o cartão vermelho, o que raramente acontecia antes.




O que eu fico imaginando é como Messi, CR7 ou Neymar entre outros que são as estrelas dos dias de hoje, iriam sobreviver naqueles tempos, onde ao mesmo tempo tinham que usar o talento e fugir dos "caçadores" como nos exemplos dos 3 vídeos abaixo... 


VÍDEO 1 - Faltas sobre Pelé...e algumas "vinganças" do Rei em adversários





VÍDEO 2 - Impressionante tackle que quase acabou com a carreira de Zico em 1985


VÍDEO 3 - MARADONA vítima de 10 faltas horripilantes


Estes são tackles filmados durante a década de 80. A maioria dos tackles dos anos 70 para trás não foram filmados. Será que as estrelas do futebol de hoje em dia iriam sobreviver a estes tackles e conseguiriam ter a carreira que tem hoje?

domingo, 21 de fevereiro de 2016

RELÍQUIA DE PELÉ à venda na internet


Duas verdadeiras relíquias do futebol brasileiro estão à venda na internet: uma pintura de Pelé e um livro com autógrafos dos primeiros campeões mundiais pelo Brasil. E o dono pede alto por isso: R$ 600 mil.
A revelação foi feita pelo colunista Ancelmo Gois, do jornal “O Globo”, neste sábado. Os itens estão à venda no site “Bom Negócio” com o seguinte anúncio:
“Vendo uma pintura com o rosto do Pelé e no verso o contorno de sua mão dado por ele mesmo a meu avô e um livro com os autógrafos de todos que estiveram na Copa de 58 com dedicatória de Paulo Amaral a meu avô que participou das Copas de 58, 62, 66 Francisco Assis dos Santos. Para entendedores e colecionadores. Aceito ofertas!”
O responsável pelo anúncio assina como Rodrigo Assis e seria neto de Francisco Assis dos Santos, que era o roupeiro ( kit manager, equipment manager da Seleção Brasileira) e que participou da delegação da Seleção nos dois primeiros títulos mundiais, na Suécia e no Chile, e depois também na Inglaterra.
.
Na parte de trás desta relíquia na imagem acima à direita, está escrito
PELÉ BY D. C. CARMICHAEL, 22 Clarkston RD, Glasgow, Escócia,
que está mais detalhado na imagem abaixo.
Foi este o autor da obra, provavelmente.


A equipe campeã mundial de 1958: da esquerda para a direita. 
Em pé: Vicente Feola (treinador) Djalma Santos, Zito, Bellini, Nilton Santos, Orlando e Gylmar.
Agachados: Garrincha, Didi, Pelé ( com 17 anos), Vavá, Zagallo e Paulo Amaral ( preparador físico).

Aqui abaixo a folha com os autógrafos de todos os integrantes da comitiva brasileira que estiveram na Copa do Mundo de1958 com dedicatória de Paulo Amaral, preparador físico da Seleção Brasileira na época, ao Francisco de Assis dos Santos.

Folha com manuscrito de Paulo Machado de Carvalho, chefe da comitiva brasileira na Copa do Mundo da Suécia em 1958.



terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Duas histórias curiosas e divertidas sobre o Rei:-)

1) Pelé e o "gol que não entrou":-) 

A primeira história é sobre uma jogada muito parecida com o gol mais bonito de Pelé, 
ilustrado na foto abaixo, e que já foi mostrado AQUIAQUI e AQUI.



No Estádio Vila Belmiro, no jogo entre o Santos FC e a equipe do Guarani, da cidade de Campinas, Pelé voltou a repetir a jogada que resultou no gol que ele diz que é o mais bonito da sua carreira. 
Deu uma sequência de 3 *chapéus (*lob em inglês) consecutivos sobre 3 defensores adversários e chutou em direção ao gol. 


 A bola bateu na trave e supostamente, quicou em cima da linha de gol.

 O árbitro João Etzel ( na foto à esquerda, na Copa do Mundo de 1962 ) não teve dúvidas: validou o gol.
E todos os jogadores do Guarani imediatamente cercaram o árbitro com muitas reclamações. 

 A justificativa do árbitro, dita em alto e bom som, segundo o Rei do Futebol

Mesmo se não tivesse sido gol, eu vou validar porque a jogada foi simplesmente uma obra-prima. 
E agora, parem com as reclamações!!!”.

 E o jogo continuou:-)


2) Foram precisos 3 pontapés de canto para o árbitro finalmente validar o gol:-)

Certa vez, num jogo entre Santos e Noroeste, o time da cidade de Bauru precisava da vitória e tratou de combinar o jogo com o árbitro. 
Quando o jogo começou, o Noroeste abriu 1 a 0 em um gol em off-side, que o árbitro validou. Logo depois, o Santos empatou. Mas no fim da primeira parte, o árbitro inventou um pênalti escandaloso a favor do Noroeste: 2 a 1. 
No segundo tempo, o Santos empatou. Perto do final do jogo, corner a favor do Santos. 

Pepe bateu, Pelé saltou mais alto que todos, cabeceou e marcou o gol, que daria o 3 x 2 a favor do Santos. 


O árbitro anulou o gol e ordenou a repetição do pontapé de canto, 
afirmando que ainda não havia autorizado a cobrança. 
Pelé não gostou e foi reclamar com o árbitro.

Pepe bateu outra vez o pontapé de canto e Pelé outra vez saltou mais alto que todos, 
cabeceou e marcou o gol. 



O árbitro outra vez anulou o gol dizendo que a bola estava fora do lugar na marca de pontapé de canto. Outra confusão e mais uma vez Pelé foi em direção ao árbitro reclamar 
e o árbitro ameaçou expulsá-lo de campo.



Depois de muita confusão, Pepe ( nº 11 acima na ilustração) coloca a bola outra vez na marca, 
espera o árbitro apitar e bate. 
Pelé pela terceira vez, saltou mais alto que todos, cabeceou e marcou o gol. 
3 x 2 para o Santos.



O árbitro não teve outra solução e teve que validar o gol.  
Virou-se em direção aos dirigentes do Noroeste que estavam na tribuna de honra do estádio 
e abriu os braços como se estivesse a dizer: 
“Já fiz tudo o que podia, não posso fazer nada mais!”:-)
Por Michel Laurence, ex-diretor de esportes da TV GLOBO, em reportagem da Revista Placar de 1990.

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