FILME PELÉ ETERNO

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A prova definitiva de quem é o melhor jogador de sempre
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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

O Rei e Vinícius de Moraes

Encontro de gênios: 




o dia em que Pelé conheceu Vinícius de Moraes



Em 1968, o Brasil já era bicampeão mundial. Pelé já era consagrado e carregava, consigo, o nome do país mundo afora. Quis o destino que, no dia 13 de agosto daquele ano, o Rei do Futebol encontrasse um outro gênio, e em solo argentino. A bela paisagem de Buenos Aires serviu de cenário para o encontro do jogador com Vinícius de Moraes, o poetinha.

Os dois tiveram papéis importantes na difusão da cultura e do jeito brasileiro pelo mundo. Vinícius fazia golaços com a mão ao escrever parte da literatura brasileira e compor sucessos como Garota de Ipanema e Soneto de Felicidade. Pelé, com seus pés, escreveu poesias inesquecíveis de se ver. Artistas de áreas diferentes, mas de grandeza semelhantes.

O Rei do Futebol era fã do cantor, já Vinícius não gostava de futebol, mas encantava-se com Pelé e admitia que o jogador era um ícone importante para o Brasil.

- Ele sempre mandava recado pra mim, porque achava que era uma poesia o que o Pelé fazia - afirmou Pelé.

Culto, Vinícius de Moraes também era muito boêmio. O artista gostava da noite e de estar sempre rodeado por pessoas. Na Argentina, o poetinha encontrou seu lugar ideal e fonte de inspiração. A mesma Argentina que, em 1963, viu Pelé conquistar a Libertadores em cima do Boca Juniors, no Estádio La Bombonera.

Cinco anos depois, Vinícius desembarcava em Buenos Aires para a realização de seu primeiro show na Argentina, coincidentemente, no mesmo dia em que o Santos estava na cidade para a disputa de um amistoso. Enquanto o carioca encantava os argentinos no palco do Teatro Ópera, Pelé apareceu de surpresa, junto com mais alguns jogadores do alvinegro, para prestigiar o concerto.
- Alguém me disse que tinha mais gente perguntando para entrar, mas o teatro estava lotado. Então fui à porta e estavam quatro ou cinco jogadores do Santos e Pelé! Entramos pela parte de trás do teatro e chegamos ao palco - disse Alfredo, produtor do show na época.
O público delirou com o encontro. Dois gênios brasileiros aplaudidos de pé em Buenos Aires. Era o Brasil no mundo, o estilo brasileiro, na música e no futebol, quebrando fronteiras. O encontro da cultura alta do poetinha e da cultura popular do Rei do Futebol. Vinícius, que se autointulava o branco mais preto do Brasil, parecia já saber da importância de tal representação.
- É difícil fazer uma pintura do Vinícius, mas para mim ele é a pessoa que mudou a minha forma de pensar e a minha vida. Uma pessoa livre. Sempre escreveu o que queria e o que pensava e sentia - finalizou Alfredo

Vinicius já faz parte deste blog em CRÔNICAS com a famosa carta  que escreveu a Pelé,
também citada no vídeo abaixo.O conteúdo completo desta cartaque pode ser lido AQUI

Veja a reportagem da TV GLOBO sobre este dia contado por quem viu ao vivo este encontro de gênios.
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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Vinícius de Moraes sobre Pelé


Um abraço em Pelé

Vinicius de Moraes, autor de
GAROTA de IPANEMA

Eu ainda não tive o prazer de lhe ser apresentado, meu caro Pelé, mas agora, com o fato de termos sido condecorados juntos pelo governo de França - você no grau de Cavaleiro e eu no de Oficial: e mais justo me pareceria o contrário - vamos certamente nos conhecer e tornar amigos. Ninguém mais que você merece tão alta distinção, sobretudo por ter sido conferida espontaneamente - pois ninguém mais que você tem levado o nome do Brasil para fora de nossas fronteiras. Da Sibéria à Patagônia todo mundo conhece Pelé; e eu estou certo de que você entraria fácil na lista das dez personalidades mais famosas de nossos dias.
Não posso disfarçar o orgulho que a condecoração me causa, embora seja, de natureza, avesso a honrarias; e orgulho tanto maior porque nela estamos juntos: preto e branco (as cores do meu Botafogo!) e também as cores irmãs de nossa integração racial. Sim, caro Pelé, nós representamos, em face da comenda que nos é conferida, o Brasil racialmente integrado, o Brasil sem ódio e sem complexos, o Brasil que olha para o futuro sem medo porque, apesar dos pesares, é bom de mulher, bom de música, bom de poesia, bom de pintura, bom de arquitetura e bom de bola. Particularmente por isso considero-me feliz de estar a seu lado no momento em que nos colocarem no peito a condecoração.
Que você tenha sido distinguido pela Ordem Nacional do Mérito da França nada me parece mais natural. A França sempre deu um alto valor ao gênio, e você, meu grande Pelé, é um gênio completo, porque o seu futebol representa um reflexo imediato de sua cabeça nos seus pés. Eu não sou gênio, não. Eu tenho que pensar um bocado para que a mão transmita direito o que a cabeça lucubrou. Meus gols são mais raros que os seus. Você é com justa razão chamado o Rei. Quanto a mim, que rei sou eu?
Mas nada disso turva a satisfação que sinto em ser o seu Coutinho nesta nova investida do Brasil na área internacional. Parabéns, meu caro Pelé. Parabéns e o melhor abraço aqui do seu irmãozinho!

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