*Extraído DAQUI Qual seria o valor a pagar por Pelé se ainda estivesse jogando?
No mundo milionário do futebol atual, é fácil apontar quais são os craques mais valorizados.
Entre eles, podemos destacar o argentino Lionel Messi, do Barcelona, o português Cristiano Ronaldo (CR7), do Real Madrid, o francês Kylian Mbappé, do Paris Saint-Germain (PSG) e os brasileiros Neymar Jr., do PSG, e Philippe Coutinho, do Barcelona.
Pelé aos 17 anos em um card da Panini
na Copa do mundo de 1958
Se esses jogadores valem muito dinheiro, você já imaginou o quanto valeria, hoje, aquele que é considerado o melhor jogador de todos os tempos, Pelé?
Para se ter uma ideia de qual seria o valor de mercado de Edson Arantes do Nascimento,
o economista Samy Dana, apresentador do canal de TV pago Globonews, fez uma análise levando em consideração os títulos e os gols marcados pelo célebre jogador brasileiro aos 25 anos, mesma idade que tem Neymar – o jogador mais caro de futebol da atualidade.
O levantamento do especialista, divulgado no programa Esporte Espetacular, da Globo,
no domingo, dia 21 de janeiro, aponta que, com essa idade, Pelé já possuía dois títulos da Copa do Mundo: a de 1958, na Suécia; e a de 1962, no Chile.
Além disso, o craque que também foi revelado pelo Santos FC leva uma vantagem imensa sobre o atual camisa 10 do Paris Saint-Germain e da Seleção Brasileira: número de gols marcados jogando por times.
São 783 gols de Pelé contra 311 de Neymar.
Já o atacante do PSG só superou o Rei do futebol com a idade de 25 anos no quesito títulos olímpicos (1 x 0) e gols pela Seleção (53 x 52).
Após analisar esses e outros aspectos, Samy Dana chegou à conclusão de que,
se Pelé ainda estivesse jogando, seu valor de mercado seria de385 milhões de euros,
ou 163 milhões a mais do que o valor pago pelo PSG para tirar Neymar do Barcelona,
em agosto de 2017.
Esta foi a negociação mais cara do futebol,
até hoje, e os franceses tiveram de gastar 222 milhões de euros.
Quem é Rei jamais perde a Majestade...
Mesmo após ter parado de jogar em 1977, há 4 décadas atrás,
no vídeogame FIFA 18, Pelé é o jogador mais valioso:-)
Pelé, com apenas 19 anos de idade, foi para a baliza pela primeira vez há 58 anos, no lugar do goleiro Lalá que se lesionou aos 19 minutos do 2º tempo. Foi no dia 04 de novembro de 1959 - há 58 anos - na partida contra o Comercial FC da capital, hoje extinto, no estádio da Vila Belmiro, em jogo válido pelo Campeonato Paulista* .
( * Campeonato do Estado de São Paulo )
O Santos FC venceu o jogo por 4 a 2 com gols de Pelé, Coutinho, Feijó e Dorval.
O técnico era Luiz Alonso Perez, o Lula.
Pelé foi jogar no gol porque Lalá, o goleiro titular da equipe, se lesionou.
Como naquele tempo não eram permitidas substituições durante o jogo, o Rei jogou como goleiro a partir dos 19 minutos do 2º tempo. E não sofreu nenhum gol:-)
Lembrando ainda que o Rei Pelé ainda jogou mais três vezes como goleiro do Santos FC:
19/01/1964 no Pacaembu – Santos 4 X 3 Grêmio
( Campeonato Brasileiro )
14/11/1969 em João Pessoa na Paraíba –
Santos 3 X 0 Botafogo ( Campeonato Brasileiro )
19/06/1973 nos Estados Unidos –
Santos 4 X 0 Baltimore Bays ( Jogo Amistoso).
É por exemplos como este que Pelé é e será o maior jogador de futebol de todos os tempos. E é simples de explicar: Pelé além de dominar todos os fundamentos do futebol, também jogava como goleiro.
E segundo opiniões dos colegas de time, e também da Seleção Brasileira,
jogava muito bem como goleiro.
A maior façanha de Pelé jogando como goleiro aconteceu em 19 de janeiro de 1964, Para saber mais, clique AQUI
Há 6 décadas que Pelé continua a ser a referência no futebol. Qualquer detalhe que consiga igualar ou superar qualquer uma das muitas marcas que o Rei conseguiu em sua brilhante e ímpar carreira é motivo de destaque.
OOOPS!!! VOU FECHAR A BALIZA PARA VER SE PARAM DE ROUBAR MEUS GOLS!!! QUALQUER DIA FICO SEM NENHUM!!!
Desde que eu era uma criança que sempre li, ouvi e vi que Pelé jogou 115 jogos pela Seleção Brasileira de Futebol, e marcou 95 gols. Após 4 décadas a coisa mudou: o que vejo, leio e ouço é que afinal, não são 95 gols, mas sim 77. 4 gerações de jornalistas, cronistas, pesquisadores, historiadores e biógrafos que fizeram a contagem dos gols e estatísticas do Rei do Futebol não contavam com os tais gols oficiais e não-oficiais, porque gols oficiais e não-oficiais não eram a coisa mais importante, nem sequer tinha qualquer importância até 1971, quando Pelé jogou seu último encontro pela Seleção Brasileira. Se alguém falasse em gol oficial ou gol não-oficial naquela época, diziam que era maluco.
Voltando ao tópico, no dia 30 de agosto de 2017, CR7 marcou o 78º gol em 144 jogos a serviço da seleção portugesa, e imediatamente na imprensa internacional veio a comparação com... Pelé. Arsene Wenger, treinador do Arsenal, diz que Mbappe poderá ser o novo ... Pelé. Sempre foi assim...
O Rei continua a ser o alvo a abater:-)
Quando surgiram Messi, Ronaldinho Gaúcho, Neymar, CR7, Zico, Cruyff e muitos outros, ninguém os comparou a Di Stefano, ou a Maradona, ou a Eusébio, ou a George Best. A comparação foi sempre com...Pelé. Se na época Pelé soubesse que iriam "roubar" a ele 18 gols marcados pela Seleção Brasileira em jogos amistosos, certamente Pelé não teria ficado dois anos sem fazer um único jogo pela equipe nacional. Convém lembrar que na época as seleções nacionais não jogavam tanto como hoje em dia. Também convém lembrar que CR7 precisou de 144 jogos para marcar 78 gols, o Rei precisou de 95 jogos para marcar 77. Em resumo: vão surgir outras novas estrelas no futebol, mas a comparação será sempre com o Rei, a referência, o alvo a abater:-)
Em 21 anos de carreira, Pelé jogou 1365 jogos, o que dá uma média de
65 jogos por temporada.
Nestes mesmos 21 anos de carreira, Pelé marcou 1282 gols, o que dá uma média de
61 gols por temporada. Números impressionantes.
Só para comparar, dou o exemplo dos 3 melhores jogadores do mundo na atualidade.
Hat-trick (3 gols em um só jogo) :
CR7 atualmente tem 47 hat-tricks, Messi tem 41, Neymar tem 16.
Poker (4 gols em um só jogo) :
CR7: 5 vezes, Messi: 4 vezes e Neymar: 4 vezes
Full Hand ( 5 gols num só jogo) :
CR7: 2 vezes, Messi: 1 vez e Neymar: 1 vez.
Pelé prepara-se para marcar mais um gol.
Neste jogo ele marcou 8 gols.
Em 38 jogos o Rei Pelé assinalou 4 ou mais gols. O recorde absoluto de gols do maior jogador de futebol de todos os tempos, em um mesm jogo, deu-se no dia 21 de novembro de 1964,
no Estádio da Vila Belmiro na cidade de Santos (foto ao lado).
O Santos FC venceu por 11 x 0 contra o Botafogo de Ribeirão Preto (SP), onde Pelé marcou 8 gols.
Foi o jogo de número 563 de sua extraordinária carreira.
A capa da edição dominical do Corriere della Sera de julho de 1961 é impactante. Assim como nos cadernos esportivos de cinco décadas depois, o mercado de transferências dominava a pauta do jornal italiano. E o momento era excelente para tratar do assunto. Luisito Suárez havia quebrado o recorde como contratação mais cara da história, levado do Barcelona à Internazionale por 250 milhões de liras. Um número que podia ter sido superado por Pelé.
Inter, Juventus e Milan ofereceram 600 milhões de liras pela revelação da Copa de 1958. Algo que o próprio Rei confirmaria anos depois, em entrevista ao Corriere dello Sport: “No início da minha carreira, Angelo Moratti [então presidente da Inter] fez uma proposta, mas o Santos recusou. O clube também disse não à Juventus de Agnelli e, por isso, fiquei no Brasil”. O resto da história é mais do que conhecida. O Santos F.C. se aproveitou da situação ganhando taças e mais taças na década de 1960 e a própria Seleção Brasileira foi beneficiada, mantendo o craque a seu serviço durante todo o tempo.
Segundo o jornal La Repubblica, Moratti tinha dinheiro suficiente para dar um lance ainda maior e presentear o esquadrão comandado por Helenio Herrera com Pelé. No entanto, o dirigente temeu que o valor exorbitante pudesse causar repercussões negativas na sociedade italiana. Somente sete anos depois é que a marca seria batida, quando a Juventus deu 650 milhões de liras ao Varese pelo atacante Pietro Anastasi.
Mas qual o valor atualizado da proposta dos italianos por Pelé? Fazendo a correção monetária com base na libra, unidade monetária utilizada nas primeiras contratações, os números parecem irrisórios para os dias atuais: cerca de € 6,9 milhões. Considerando o que já foi gasto nesta janela, Pelé seria apenas a 95º transação mais cara de 2013/14. Léo Baptistão custou ao Atlético de Madrid € 100 mil a mais, por exemplo.
O número não quer dizer que Pelé fosse barato se jogasse nos dias atuais. Longe disso. Ele ajuda a dimensionar a valorização do atleta como mercadoria, bem como do próprio futebol como negócio. Entre 1961 e 2009, o recorde de transferência mais cara da história cresceu 1947%, corrigida a inflação . Se Moratti ficou receoso com a polêmica que a oferta que fêz a Pelé poderia gerar, o que ele diria se o Tottenham pedisse 10,95 bilhões de liras – ou € 120 milhões – para ceder Gareth Bale ao Real Madrid?
Pelé aos 18 anos foi cobiçado pelos
grandes clubes europeus.
Todavia, se tivesse mesmo ido jogar na Itália, Pelé até hoje teria uma marca imbatível no mercado de transferências.
Entre o total pago por Suárez e o oferecido pelo Rei, o recorde de jogador mais caro de todos os tempos daria um salto de 140%.
O percentual nunca foi alcançado na história – o mais próximo disso é 134%, de 1932, quando Bernabé Ferreyra assinou com o River Plate e ultrapassou a quantia estabelecida pelo Arsenal na compra de David Jack.
Mostra de que, por mais que o conceito de mercado de transferências tenha se alterado bastante, o reconhecimento do talento é atemporal.
Nota: para ler mais sobre este assunto, cliqueAQUI
Pelé aos 15 anos de idade marcou o 1º gol como jogador profissional. Desenho de MÁRIO ALBERTO.
E lá se vão 60 anos daquele 7 de Setembro de 1956 ( ver AQUI).
Muito, mas muito antes de o placar de 7 a 1 deixar no brasileiro um sabor de piada amarga, esse mesmo número, essa mesma diferença de gols, essa mesma goleada entrava para a história como o começo de dias de glória para o futebol brasileiro. A partir do momento em que o árbitro Abílio Ramos autorizava, aos 30 minutos do segundo tempo, a entrada de um menino de 15 anos no time do Santos para substituir o craque Del Vecchio, começaria a contagem regressiva para o surgimento de um rei.
Pelé, o 3º da esquerda para a direita na fila de baixo, com 15 anos estreiou no time principal do Santos FC
– Saiu Del Vecchio para entrar *Gasolina ( *alcunha de Pelé na época)? A correria vai acabar, Zito! E que rapaz é esse tal de Gasolina?– perguntou o meio-campista Schank para o companheiro do Corinthians de Santo André, aliviado pela saída do astro santista, autor de dois gols na parcial vitória por 5 a 0 no amistoso em comemoração ao Dia da Independência.
O que Schank não sabia, o que Zito (do Corinthians de Santo André, não o craque santista) não suspeitava, o que o árbitro Abílio Ramos sequer imaginava, muito menos o goleiro Zaluar e o público presente ao estádio Américo Guazelli, é que aquele tal de Gasolina… magrinho, jeito quietinho, na dele, agitaria aquele jogo, o futebol, o mundo a partir dali. Bastaram seis minutos em campo para o Gasolina, como era mais conhecido e chegou a ser anunciado pelo alto-falante, virar o Pelé. E bastaram seis minutos para Schank se transformar na primeira vítima e personagem de uma das três versões contadas para o primeiro gol dos 1.281 celebrados pelo Rei do Futebol.
O primeiro gol de Pelé tem três versões diferentes contadas por
Schank, Raimundinho e o goleiro Zaluar.
Schank, vítima do drible
Ao longo de uma carreira marcada pelas três Copas do Mundo conquistadas (1958, 1962 e 1970), o bicampeonato mundial pelo Santos, as duas Libertadores, os inúmeros títulos nacionais e regionais, as incontáveis e insuperáveis jogadas de cinema, Pelé virou mito, e esse primeiro gol entrou para a eternidade. Conta aí a sua versão, Schank: Schank diz que levou drible (Foto: Arquivo pessoal)
– A bola veio da defesa, uma cabeçada ou um chute forte do Hélvio, zagueiro do Santos. Eu lembro bem porque eu estava marcando o Pelé,. eu era o meio-campista mais recuado. Ele pegou a bola no meio de campo e me driblou como quis. Depois passou pelo Zito, e olha que passar pelo Zito não era nada fácil… Aí veio mais um, o Dati… Ele chegou no Zaluar, o goleiro que tinha entrado e era muito bom, e tocou por baixo das pernas dele. Olhei pra cara do Zito e falei logo: “Aumentou a correria! Que garoto é esse Gasolina?” Nunca poderíamos imaginar que aquele menino se tornaria o Pelé, o cara que um dia ia parar uma guerra na África. Sabe o Robinho quando começou? Era como ele, magrinho, perna fininha, rápido… – deu a sua versão o todo orgulhoso Schank, hoje com 81 anos.
Schank, que ao pendurar as chuteiras virou dirigente e após passou a dar aulas em escolinhas, hoje já tirou o pé do acelerador e vive com mais tranquilidade. Fez questão de dizer: não quer, absolutamente, desmentir as outras versões. Contou o que lembra do lance. A bola teria sobrado para Pelé no meio-campo após uma cabeçada (ou chutão) do defensor Hélvio.
Versão diferente da narrada pelo meia Raimundinho, ( na foto à esquerda com Pelé) do Santos. Ele, por sinal, também entrara no segundo tempo. Raimundinho faleceu em 2007, mas antes, em entrevista ao GloboEsporte.com, ao repórter Adílson Barros, em 2006, contou que o gol surgiu após tabelinha entre ele e Tite, outro atacante santista. Raimundinho tocou para Pelé, que dominou entre os zagueiros e bateu por baixo de Zaluar.
– Ele ficou tão emocionado com aquele momento que queria abraçar todo mundo – lembrou à época Raimundinho, considerado o autor do passe decisivo.
Face e corpo de menino,
Pelé tinha 15 anos quando marcou o primeiro gol pelo Santos FC.
(Foto: Reprodução / twitter)
A terceira versão para o gol de Pelé foi do goleiro Zaluar, na foto abaixo.
E até ele entrou no segundo tempo, no lugar de Antoninho, que já não era o titular. Falecido em 1995, contou para o site Paixão Canarinha, em 1972, que Pelé recebera passe de Jair Rosa Pinto, famoso craque dos anos 1940 e 1950, ex-Vasco, Flamengo e Palmeiras, e não de Raimundinho. O goleiro afirmou ainda ter gritado para o zagueiro Mário, mas Pelé foi mais rápido, aplicou um chapéu em um dos marcadores e, cara a cara, tocou entre suas pernas.
– Eu tinha condições de defender aquela bola. Quando o Jair lançou o rapaz, gritei para fazerem a cobertura. Poderia ter entrado duro mas não tive coragem quando vi as canelas finas do menino. Pelé balançou o corpo para a direita, para a esquerda… Quando percebi, já tinha tocado a bola no meio de minhas pernas – afirmou para o site Paixão Canarinha.
O lance abriu o caminho para a trajetória do Rei e tornou Zaluar conhecido. Depois que encerrou a carreira, ele se tornou fiscal de vendas da Prefeitura de Santo André. E se apresentava com um cartão profissional em que se intitulava o primeiro goleiro a sofrer gol de Pelé. A vibração com o feito o levou a fazer uma camisa com as inscrições “Goleiro Rei Pelé 0001” que usava no time de veteranos do Aramaçan.
E o grito de independência do primeiro gol de Pelé, ecoando em três versões, chega à sua terceira idade.
Ficha do jogo:
Corinthians de Santo André 1 x 7 Santos Data: 7 de setembro de 1956 Local: Estádio Américo Guazelli (Santo André-SP) Juiz: Abílio Ramos Corinthians F. C. de Santo André: Antoninho (Zaluar), Bugre (Mario) e Chicão (Dati); Mendes, Zito e Tonico; Vilmar, Cica e Teleco (Odilio); Rubens e Doré. Técnico: Jaú. Santos: Manga, Hélvio e Ivan (Cássio); Ramiro (Fioti), Urubatão e Zito (Feijó); Alfredinho, Alvaro (Raimundinho) e Del Vecchio (Pelé); Jair e Tite. Técnico: Lula. Gols: Alfredinho aos 28, Álvaro aos 30, Del Vecchio aos 34 e Alfredinho aos 41 do 1º T, Del Vecchio aos 15, Pelé aos 36, Wilmar (Corinthians) aos 41 e Jair aos 44 do 2º T.
Pelé, Rei do Futebol, considera visão periférica seu maior diferencial no jogo
No primeiro instante, ninguém entendeu aquela jogada. Pelé recebeu a bola na entrada da área italiana e, em vez de driblar o zagueiro e partir para o gol, tocou-a com pouca força para o lado direito, onde não havia nenhum jogador.
Seria um erro primário cometido pelo rei do futebol? Nada disso. Foi, na verdade, uma jogada genial. Lá de trás, vinha o lateral Carlos Alberto Torres, veloz como um foguete. O passe de Pelé veio na medida exata. Resultado: mais uma bola no fundo das redes do goleiro italiano Albertosi. Era o quarto gol da Seleção brasileira, que selaria a conquista do tricampeonato mundial, no dia 21 de junho de 1970, no Estádio Azteca, no México.
Qual a explicação para o passe genial? Como Pelé conseguiu perceber, quase de costas, a aproximação de Carlos Alberto? A resposta não tem nada de sobrenatural. Pelé tinha aquilo que, no meio futebolístico, costuma-se chamar visão periférica, a capacidade de perceber, num piscar de olhos, tudo o que se passa à sua volta.
O texto abaixo foi escrito pelo Dr. Túribio Barros em 2015. O Rei do Futebol completou 75 anos, e merecidamente foi reverenciado por todos nós que tivemos o privilégio de ver, tanto ao vivo como em filmes e documentários, a verdadeira magia de sua relação com a bola.
Comemorações do 4º gol do Brasil na final da Copa do Mundo de 1970, visto por detrás da baliza do goleiro brasileiro Félix.
É absolutamente desnecessário tecer qualquer comentário enaltecendo o Pelé ou tentando descrever suas qualidades como atleta. Talvez possamos dizer que tudo que poderia ser dito a respeito de Pelé já foi dito por alguém. Eu tive o verdadeiro privilégio de estar na companhia do rei várias vezes nas últimas décadas, e garanto que em todas elas pude confirmar a verdadeira áurea de simpatia e cordialidade que ele manifesta de maneira absolutamente natural.
Em uma dessas vezes, não consegui evitar fazer uma pergunta que, como profissional da área de esporte, me sentia tentado a ter o atrevimento de elaborar.
O que eu queria saber da sua própria concepção era a respeito do que ele considerava ter sido sua melhor qualidade do ponto de vista físico. Sabemos que o talento ninguém explica, porém sua excepcionalidade como atleta certamente tinha os ingredientes qualificados por indicadores físicos. Imaginei que a resposta fosse à direção de um desses indicadores de aptidão.
A mesma cena vista por detrás da baliza do goleiro italiano.FOTO. GETTY IMAGES
Para minha surpresa Pelé respondeu:
- Eu considero que o que eu tinha a mais que todos os outros atletas com que eu joguei era a “visão periférica”!
Em seguida ele me deu uma verdadeira aula sobre o conceito de campo visual e sua importância para o jogador de futebol. Ele dizia com verdadeiro conhecimento de causa, que sua percepção visual periférica lhe permitia “antever” o que os adversários que o cercavam iriam fazer e consequentemente ele antecipava suas decisões, obviamente com a genialidade que a natureza lhe conferiu.
Aquela resposta, até certo ponto surpreendente, me proporcionou a chance de observar sob esta ótica vários lances das jogadas mais geniais do Pelé, e de fato comprovar o que ele explicou. Como eu esperava ele não me deu uma resposta comum, como nada do que ele fazia no futebol era!
Pelé e o goleiro Shep Messing no New York Cosmos
Shep Messing, goleiro do New York Cosmos, e companheiro de equipe do Rei por 3 anos, já havia citado que Pelé tinha uma visão periférica de 220º graus (verAQUI)
*TURÍBIO BARROS Mestre e Doutor em Fisiologia do Exercício pela EPM. Foi membro do American College of Sports Medicine, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo FC e coordenador do Departamento de Fisiologia do E.C. Pinheiros www.drturibio.com
Pois é pessoal, além do talento único, Pelé ainda tinha esta "arma secreta",
que ajuda muito a explicar toda a genialidade do Rei do Futebol:-)
Em meio à guerra, museu de Pelé resiste na Ucrânia
No centro de uma cidade do leste da Ucrânia se encontra o primeiro museu do mundo dedicado a Pelé, que sobreviveu milagrosamente a quase dois anos de guerra. O criador do acervo de Lugansk é um humilde senhor de 55 anos, que vê no Rei do futebol uma forma de divulgar a paz.
Estátua de Pelé em frente ao museu em Lugansk, Ucrânia.
Nikolai Hudobin, fundador do museu e Pelé
As portas do museu estão fechadas, mas o curador comparece todos os dias. Apesar dos dois anos de conflitos sangrentos no leste separatista da Ucrânia, o primeiro museu do mundo dedicado a Pelé, o rei do futebol, segue em pé em Lugansk.
Não é raro escutar o som de tiros na cidade, uma das 'capitais' dos rebeldes pró-Rússia, mas o museu, seus muros verdes e amarelos, nas cores da bandeira do Brasil, a estátua em bronze de Pelé e a imensa bola que decora a entrada parecem tirados de um sonho.
"O museu não abre há dois anos, desde o início da guerra. Havia bombas explodindo constantemente e tinha medo que uma caísse no museu", lembra o fundador e curador do museu, Nikolai Judobin, que define sua paixão por Pelé como "uma religião pessoal".
Pelé na Ucrânia em 1997.
"Acredito que Pelé é um Deus do futebol e este lugar é sagrado, é um templo do futebol", completa, sentado na sala principal.
Atrás estão expostos, entre outros objetos, um relógio de ouro dado de presente por Pelé ao jogador soviético Valentin Afonin, uma fotografia do ex-craque brasileiro quando visitou a estação espacial russa Mir e dezenas de bandeiras que possuem alguma relação com algum momento da carreira do eterno camisa 10 da seleção.
Nikolai abriu este museu para a Eurocopa-2012, que a Ucrânia sediou em conjunto com a Polônia, antes do início do conflito armado que assola o país. O 'templo' é apresentado como o primeiro museu do mundo dedicado exclusivamente a Pelé.
Museu Pelé na Ucrânia tem cerca de 3 mil peças.
"Somente duas cidades no mundo podem presumir ter um museu assim: Lugansk, na Ucrânia, e Santos, no Brasil. Mas lá o museu abriu dois anos depois que o nosso", sorri Nikolai.
Nikolai e o seu templo
"No dia da abertura do museu, o embaixador do Brasil me deu um forte abraço e chorou. Não conseguiu acreditar que, tão longe, em Lugansk, podia-se gostar tanto de Pelé", completa orgulhosamente.
"Minha família, Pelé e o trabalho é tudo que tenho na vida", continua Nikolai, um homem tímido de 55 anos que recentemente perdeu a esposa.
Sua admiração por Pelé faz Judobin imitar os hábitos do 'Rei', sem álcool nem cigarro: "Nunca bebi cerveja, porque Pelé tem um modo de vida saudável. Isso me inspirou".
A 'Pelemania' começou quando era criança e viu pela televisão o ídolo marcar o gol de número 1.000 na carreira, em novembro de 1969.
"Decidi juntar notícias sobre ele. Troquei minha bicicleta por uma fotografia de jornal do Pelé e dei sequência a essa coleção durante mais de 40 anos", explica Nikolai, que teve a oportunidade de se encontrar com Pelé em Moscou e no Brasil, chegando até a cortar o cabelo com o cabeleireiro pessoal do ex-craque.
Graças ao museu, as cidades de Lugansk e Santos ganharam um ponto em comum e Nokolai esperava então que Pelé pudesse viajar para ver com os próprios olhos seus tesouros particulares, mas a guerra entre as forças governamentais e os rebeldes separatistas pró-Rússia chegou, deixando mais de 9.000 mortos em quase dois anos.
Desde o início das hostilidades, Nokolai não escondeu seu apoio ao governo de Kiev, apesar da crescente influência das novas autoridades separatistas. Chegou a passar três dias preso no autoproclamada República Popular de Lugansk. O que o salvou? A reputação de seu museu.
"Não sou pobre. Queriam tomar meus bens. Exigiram os documentos de meu apartamento e chegaram até a simular uma execução com um tiroteio, mas logo descobriram quem eu era, tiveram medo do barulho que isso poderia causar e me deixaram voltar para casa", lembra.
Nikolai repete que Pelé "salvou a sua vida", mas ainda não acredita ter chegado o momento de reabrir as portas do museu.
Seu sonho é poder transportar o conteúdo do museu ao Brasil e comprar em Santos uma casa onde possa viver com seu neto.
Nikolai espera também poder organizar uma exposição em Kiev, e diz: "Eu acredito que a imagem de Pelé pode contribuir para a reconciliação entre a capital e o leste rebelde". "Nunca peguei em armas e gostaria que estivéssemos novamente juntos e unidos", conclui, esperançoso.
CONHEÇA A HISTÓRIA DE NIKOLAI HUDOBIN, CRIADOR DO MUSEU PELÉ UCRANIANO.
O empresário ucraniano Nikolai Hubobin chegou nesta semana a Santos pela segunda vez distribuindo muitos sorrisos e uma simples palavra: Spasiba (“obrigado”, em russo, um dos idiomas oficiais do País).
A manifestação de agradecimento em visitar Santos novamente tinha um motivo – e muito justo. Ele é conhecido por ser o”craque” do Pelé FC – Futebol Clube ou Fã Clube, como preferir. Sua admiração pelo Pelé o projetou a criar um museu em homenagem ao Atleta do Século, eterno ídolo do Santos FC.
Nikolai com Pelé no Brasil
O museu em questão fica na cidade de Lugansk (com cerca de 445 mil habitantes) na Ucrânia, com um acervo de mais de 3 mil peças.
Nikolai Hudobin foi um exímio colecionador durante 40 anos – no que podia economizar no dia-a-dia, guardava para comprar qualquer objeto vinculado ao jogador. Em exposição, é possível encontrar relíquias relacionadas a Pelé e ao futebol em geral.
Os grandes destaques são o pin comemorativo da Copa de 58, relógio presenteado por Pelé a Valentin Afonin, ex-zagueiro da URSS, e diversos objetos pessoais assinados pelo Rei.
Mas, afinal, como e quando surgiu tamanho fascínio por Pelé e, posteriormente, pelo Santos FC e pela Cidade, símbolos do Atleta do Século?
Milésimo gol
Era 19 de novembro de 1969. Hudobin tinha nove anos de idade. Pelé, por sua vez, tinha 20 anos a mais. No Maracanã, fazia seu milésimo gol em cobrança de pênalti contra o Vasco da Gama, vitória do Santos por 2 a 1. “Foi assim que passei a admirar Pelé. Aquele gol foi emocionante”, diz Hudobin.
Mas a grande emoção de sua vida chegaria após 28 anos. Em 1997, Hudobin fez a “jogada” mais acertada de sua admiração pelo jogador brasileiro. Seu amigo russo, Guennady Efánov, ligou avisando que o Rei estaria em Moscou para uma apresentação da propaganda Café Pelé. Nikolai tinha 37 anos. “Quase desmaiei quando vi Pelé pessoalmente”, conta.
Quando percebeu que tinha uma quantidade considerável de objetos e arquivos relacionados ao seu ídolo, Nikolai Hudobin recebeu a ajuda de mais uma amiga: dessa vez, uma jornalista que entendia o idioma português, que levou a carta dele traduzida ao Rei. Nela havia a intenção e o pedido de autorização para que ele pudesse criar e inaugurar o Museu Pelé na cidade de Lugansk, na Ucrânia. Mesmo não falando o mesmo idioma, a atitude de Pelé foi genuína e sem necessidade de qualquer tradução: abraçou o fã da Europa Oriental. “Perdi a consciência por três minutos. Depois, ganhei um autógrafo”, disse Hudobin sorrindo.
Outros ídolos
Nesta última visita, Nikolai Hudobin aproveitou para comprar mais um artigo do Santos FC e assistiu ao jogo da final da Copa do Brasil Sub-20 entre Santos x Criciúma. Conversou sobre Andriy Shevchenko, o “Pelé” da Ucrânia, e Lev Yashin (goleiro russo conhecido como Aranha Negra).
E sobre os brasileiros no futebol ucraniano, como no Shakhtar Donetsk? “Não tenho opinião sobre esse assunto. O Santos e o Pelé é o que importam“, diz o ucraniano com jeitinho brasileiro – e por que não santista também?
Pelé é considerado Rei não só pelo conjunto da obra inigualável que fez no futebol.
É também uma das 10 maiores celebridades do século 20, um dos homens mais conhecidos da História.
E mesmo nos dias de hoje, 4 décadas após ter pendurado as chuteiras, onde vai é recebido como se fosse um chefe de estado, uma estrela de cinema, um Rei.
Onde Pelé vai, há multidão e fotógrafos à volta.
Todo o mundo conhece ou já ouviu falar de Pelé, desde reis, rainhas, presidentes, estrelas de cinema e da música, velhos, novos, até o varredor de rua.
E desde sempre, quando surge uma nova estrela no futebol, a comparação inevitável é com o Rei, mas as novas estrelas sempre passa(ra)m de moda, e o Rei permanece como o alvo a abater.