FILME PELÉ ETERNO

FILME PELÉ ETERNO
A prova definitiva de quem é o melhor jogador de sempre
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quinta-feira, 29 de setembro de 2016

AIR PELÉ, 100 HEADERS (VÍDEO)

Pelé (1,75m de altura) tinha uma impulsão vertical de 48 polegadas, como Michael Jordan (1,98m de altura)
Pelé, o Rei do Futebol, além de todo o talento que nasceu com ele, era também um atleta exemplar, pela sua dedicação aos treinos.


Pelé saltou mais alto que o defensor italiano e
marcou de cabeça o primeiro gol do Brasil
na final da Copa do Mundo de 1970.
Aos 35 anos, Pelé mesmo sendo famoso em todo o planeta e consagrado como o melhor de todos os tempos, sempre perguntava a Shep Messing (ex-goleiro do New York Cosmos e companheiro de equipe por 3 anos) se depois dos horários dos treinos, Shep poderia ficar mais alguns 20 minutos para que o Rei pudesse "praticar e aperfeiçoar mais qualquer coisa",(ver AQUI.)

Hoje vamos mostrar como o Rei "usava a cabeça" para jogar futebol e marcar gols de todas as maneiras. E também vamos saber porque Pelé que tinha 1,75m de altura, conseguia ter uma impulsão de 48 polegadas ( como Michael Jordan ), saltando mais alto que adversários com 10 ou 20 centímetros a mais do que ele.

E como vocês vão notar no vídeo abaixo, Pelé nunca usava os braços para empurrar o adversário, ou puxar a camisa do adversário e assim, ganhar vantagem aérea sobre os oponentes, como muitas vezes - ou quase sempre - nós assistimos hoje em dia nos jogos de futebol por todo o mundo. 


Veja abaixo, em mais um espetacular vídeo by Bella Kona.
 

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Visão periférica, o maior segredo do Rei Pelé:-)


Pelé, Rei do Futebol, considera visão periférica seu maior diferencial no jogo



No primeiro instante, ninguém entendeu aquela jogada. Pelé recebeu a bola na entrada da área italiana e, em vez de driblar o zagueiro e partir para o gol, tocou-a com pouca força para o lado direito, onde não havia nenhum jogador. 

Seria um erro primário cometido pelo rei do futebol? Nada disso. Foi, na verdade, uma jogada genial. Lá de trás, vinha o lateral Carlos Alberto Torres, veloz como um foguete. O passe de Pelé veio na medida exata. 

Resultado: mais uma bola no fundo das redes do goleiro italiano Albertosi. Era o quarto gol da Seleção brasileira, que selaria a conquista do tricampeonato mundial, no dia 21 de junho de 1970, no Estádio Azteca, no México.




Qual a explicação para o passe genial? Como Pelé conseguiu perceber, quase de costas, a aproximação de Carlos Alberto? A resposta não tem nada de sobrenatural. Pelé tinha aquilo que, no meio futebolístico, costuma-se chamar visão periférica, —a capacidade de perceber, num piscar de olhos, tudo o que se passa à sua volta. 



O texto abaixo foi escrito pelo Dr. Túribio Barros em 2015.


O Rei do Futebol completou 75 anos, e merecidamente foi reverenciado por todos nós que tivemos o privilégio de ver, tanto ao vivo como em filmes e documentários, a verdadeira magia de sua relação com a bola.


Comemorações do 4º gol do Brasil na final da Copa do Mundo de 1970,
visto por detrás da baliza do goleiro brasileiro Félix.
É absolutamente desnecessário tecer qualquer comentário enaltecendo o Pelé ou tentando descrever suas qualidades como atleta. Talvez possamos dizer que tudo que poderia ser dito a respeito de Pelé já foi dito por alguém.

Eu tive o verdadeiro privilégio de estar na companhia do rei várias vezes nas últimas décadas, e garanto que em todas elas pude confirmar a verdadeira áurea de simpatia e cordialidade que ele manifesta de maneira absolutamente natural.

Em uma dessas vezes, não consegui evitar fazer uma pergunta que, como profissional da área de esporte, me sentia tentado a ter o atrevimento de elaborar.



O que eu queria saber da sua própria concepção era a respeito do que ele considerava ter sido sua melhor qualidade do ponto de vista físico. Sabemos que o talento ninguém explica, porém sua excepcionalidade como atleta certamente tinha os ingredientes qualificados por indicadores físicos. Imaginei que a resposta fosse à direção de um desses indicadores de aptidão.


A mesma cena vista por detrás da baliza do goleiro italiano.FOTO. GETTY IMAGES
Para minha surpresa Pelé respondeu:

- Eu considero que o que eu tinha a mais que todos os outros atletas com que eu joguei era a “visão periférica”!

Em seguida ele me deu uma verdadeira aula sobre o conceito de campo visual e sua importância para o jogador de futebol. Ele dizia com verdadeiro conhecimento de causa, que sua percepção visual periférica lhe permitia “antever” o que os adversários que o cercavam iriam fazer e consequentemente ele antecipava suas decisões, obviamente com a genialidade que a natureza lhe conferiu.

Aquela resposta, até certo ponto surpreendente, me proporcionou a chance de observar sob esta ótica vários lances das jogadas mais geniais do Pelé, e de fato comprovar o que ele explicou. Como eu esperava ele não me deu uma resposta comum, como nada do que ele fazia no futebol era! 


Pelé e o goleiro Shep Messing no New York Cosmos
Shep Messing, goleiro do New York Cosmos, e companheiro de equipe do Rei por 3 anos, já havia citado que Pelé tinha uma visão periférica de 220º graus (ver  AQUI)

*TURÍBIO BARROS
Mestre e Doutor em Fisiologia do Exercício pela EPM. Foi membro do American College of Sports Medicine, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva da Unifesp e fisiologista do São Paulo FC e coordenador do Departamento de Fisiologia do E.C. Pinheiros www.drturibio.com


Pois é pessoal, além do talento único, Pelé ainda tinha esta "arma secreta",
que ajuda muito a explicar toda a genialidade do Rei do Futebol:-)

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Shep Messing, ex-goleiro do NY Cosmos: "Depois dos treinos, todos os dias, Pelé me perguntava se eu poderia ficar mais 20 minutos para que ele pudesse "aperfeiçoar" mais alguma coisa." ( com vídeo)


Reportagem do programa SPORTTV da TV GLOBO, Rio de Janeiro.

Com mais de 1000 gols em toda a carreira, Pelé fez a alegria de milhões de torcedores por todo o mundo e trouxe desespero para muitos goleiros ao longo de duas décadas como jogador profissional. Mas teve, ao menos, um que pode se recordar com muito carinho do Rei do Futebol. Trata-se de Shep Messing, goleiro americano "contratado" pelo New York Cosmos, após defender um pênalti chutado por Pelé. Fã e amigo do Atleta do Século, o ex-jogador que hoje em dia é comentarista esportivo da ESPN, lembra da ligação que mudou sua vida e dos anos em companhia do ídolo.
- Eu joguei pela seleção americana antes de Pelé e do Cosmos, mas todo jogo perdíamos por 7 a 0, 8 a 0. Éramos um bando de universitários competindo. Eu jogava no Boston e Eusébio era do meu time. Na primeira vez que jogamos contra o Cosmos, era o duelo Pelé contra Eusébio e o jogo foi para os pênaltis. A última cobrança foi batida por Pelé. Até hoje, ele ainda brinca dizendo que foi ele quem perdeu, mas eu toquei o dedo. Peguei o pênalti de Pelé e nós vencemos o jogo. Na semana seguinte, meu telefone tocou e era alguém do Cosmos, dizendo que o Pelé queria "aquele goleiro americano". Então, eu voei para Nova York - recorda Messing.
Shep Messing chegou ao time do New York Cosmos após o campeonato nacional de 1976. E, conhecido pela fama de "playboy" americano, apresentou a "cidade que nunca dorme" ao camisa 10 do time. Se na década de 70 Pelé não conhecia muitos lugares nos Estados Unidos, hoje, aos 75 anos, tem apartamentos, casas, negócios e amigos.  


- Nova York é uma cidade feita para Pelé. E nós amamos ele. Onde ir, como ir, quem visitar, onde estão os melhores restaurantes, filmes, boates, Greenwich Village. Eu dizia: "Pantera, nós podemos ir para as boates, ninguém vai tirar fotos. Tem tantas histórias que não posso contar, mas eu o levei para a 5ª Avenida, para os restaurantes - comenta o ex-goleiro. 
Nas três temporadas que jogou no futebol dos Estados Unidos, Pelé tem números expressivos dentro e fora de campo. A sua estreia pelo Cosmos, em junho de 1975, bateu recorde de audiência na TV americana, com mais de 10 milhões assistindo a partida contra o Dallas. As cifras milionárias de sua contratação movimentaram a economia do país.

Dentro das quatro linhas foram 107 jogos, 65 gols e um título nacional, em 1977, último ano de sua carreira. Shep Messing lembra do único pedido do Rei aos companheiros de time. 
- "Por favor, amigos, mais um jogo". Ele queria se despedir com o título. Nós não planejamos, mas fomos até o Pelé. Eu, o outro goleiro Erol Yasin, Franz (Beckembauer) e o resto do time. E todos nós demos uma volta olímpica, os torcedores foram à loucura. Quando voltamos para onde começamos, Pelé disse: "Shep, outra volta" - lembra Messing. 
Outro fato que o ex-goleiro americano se recorda com nitidez é a dedicação de Pelé nos treinamentos. Aos 34 anos e tricampeão mundial com a seleção brasileira, o Atleta do Século sempre ficava até depois do período de treino para "aperfeiçoar" alguma coisa. 
Foi marcante porque era o Pelé. Depois dos treinos, todos os dias, Pelé me perguntava se eu poderia ficar mais 20 minutos. Outro jogador ficava cruzando bolas para ele. Naquele estágio da carreira, ele não precisava treinar mais 20 minutos para ser perfeito. Mas essa era uma das coisas que o faziam tão incrível - concluiu Shep Messing.

domingo, 7 de junho de 2015

Pelé, o super atleta

Pelé é o maior jogador de futebol de todos os tempos e o maior atleta do século XX.

Mas o que tornava o Rei do Futebol tão espetacular em comparação com seus "concorrentes" não era apenas o fato de Pelé ter sido um jogador completo em todos os fundamentos do futebol, mas também a sua incrível capacidade física. 


Foto do excelente site:Memórias da Selecao Brasileira
Pelé corria 100 metros em 11 segundos, 
saltava 1,80m de altura 
e 6,50 metros em distância. 

Júlio Mazzei e Pelé
Com esse incrível condicionamento, o rei jogava com competência basquete, vôlei e qualquer outro esporte que exigisse coordenação. 

Sobre sua super capacidade física, seu preparador físico Júlio Mazzei disse: 
"Tenho certeza de que, bem treinado, 
Pelé seria um dos dez maiores do mundo em decatlo". 
Depois de Pelé, jamais surgiu outro jogador que unisse perfeição técnica e física.

Shep Messing, hoje em dia comentarista esportivo da ESPN era o goleiro do New York Cosmos na década de 70 e foi companheiro de equipe de Pelé no Cosmos durante 3 anos.
Messing em 2012, descreveu Pelé deste jeito:


Shep Messing
"Maradona e Messi não são comparáveis ​​com Pelé. Fê-lo por mais tempo e de forma mais consistente. Se Messi conseguir fazer isso por mais dez anos, ele pode entrar na conversa. Pelé teve o cérebro de futebol, o poder explosivo que tinha Maradona, as habilidades com a bola de George Best, a capacidade de drible em cinco velocidades diferentes, a capacidade de saltar e da visão em termos de passar a bola. Pelé era um jogador super-humano - fisiologicamente ele era fora do normal. 


Messing acrescenta:"Ele tinha um salto vertical tão alto como Michael Jordan - 48 polegadas = 121,92 centímetros [o salto vertical de Michael Jordan era 48 polegadas], ele tinha uma visão periférica de cerca de 220 graus. Pelé podia, literalmente, ver por trás de sua cabeça. Como atleta, ele era uma aberração fisiológica:-)"

Nota do autor do blog:
Hoje em dia, muita gente escreve na imprensa, em sites ou blogs que Pelé não seria um jogador de topque Pelé seria apenas um jogador normal, porque no seu tempo, o futebol era mais lento, mais fácil e havia mais tempo para pensar, e o futebol de hoje é mais rápido, mais físico, mais tático, com defensores mais rápidos, fortes e inteligentes, e bla bla bla...

Eu penso que um jogador de futebol com todas estas qualidades físicas e que dominasse todos os fundamentos do futebol, jogaria em qualquer época de qualquer século...
Também por estas 2 razões é que Pelé é o Rei do Futebol e o Atleta do Século XX...got it:-)???

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

"Voce vai ser o goleiro do time que tem Pelé, Beckenbauer e Carlos Alberto.Aceita?Sim ou não?:-)



Bandeira dos EUAVocê nasceu no Bronx em 1949 e cresceu em Long Island, onde você foi para Wheatley School, em Old Westbury. Você não estava predisposto a ser um jogador de futebol, muito menos ser um goleiro...
Minha carreira no futebol é uma fantasia, um sonho. É tão louco como uma história que você nunca iria ouvir - jogar como goleiro para o New York Cosmos com Pelé, Franz Beckenbauer e Carlos Alberto? Nem uma chance em um milhão de onde eu vim! Nasci no Bronx, uma área difícil de Nova York, e eu cresci com gangues e armas. Eu era um atleta, mas eu não vi uma bola de futebol até que eu tinha dezesseis anos. Então eu me mudei para Long Island e se você fosse um americano na época, ou jogou basquete, ou beisebol ou futebol americano. Eu era uma running-back no futebol americano, uma paragem no beisebol e um armador no basquete. Quando eu tinha dezesseis anos, minha escola cancelou o programa de futebol americano. Eu nunca tinha visto um jogo de futebol antes e o treinador de futebol perguntou quem era o melhor atleta estava no colégio! Ele sabia que era eu e ele perguntou se eu queria jogar como goleiro. Aos dezesseis anos de idade, comecei a jogar futebol e, aos dezoito anos de idade eu era um jogador de futebol All-American em Harvard e na equipe olímpica dos EUA.
Viver o sonho, estudar Direito não era realmente uma opção?
Eu estava na faculdade de direito, quando voltei das Olimpíadas o New York Cosmos quis oferecer-me um pouco de dinheiro para jogar futebol. Eu estava um pouco preguiçoso em estudar direito e deu uma licença para jogar um ou dois anos e depois que eu voltar para a escola, mas, de repente, Pelé veio. O mundo inteiro mudou para o futebol nos Estados Unidos.
Você voltou para os EUA e foi jogar para o New York Cosmos, naquele momento um clube não tão bem conhecido. Após três dias de treinamento técnico Gordon Bradley ofereceu-lhe um contrato em um Burger King ...
Eu tentei de Hofstra, o mesmo estádio onde o Cosmos agora joga. Eu era muito bom. Gordon Bradley, disse após a prática no terceiro dia para ir e encontrá-lo no Burger King fora do estádio em Hempstead Turnpike. Gordon tem um cheeseburger e uma coca-cola, e me comprou um cheeseburger e batatas fritas. Ele me ofereceu um contrato de $ 2300 por ano. Eu era inteligente e de Harvard. Tendo descoberto negociação, eu lhe disse que iria pensar no assunto. Gordon olhou para mim, deu uma mordida no seu seu cheeseburger e disse que ele não poderia me importar menos. Esse foi o meu primeiro ano no New York Cosmos.

Você estava vivendo o sonho, mas como foi no New York Cosmos? Existe o Cosmos antes e depois Pelé. Você deve ter se sentido como pioneiro, espalhando o jogo bonito em solo americano?
Existem apenas dois jogadores que jogaram antes de Pelé e com ele: Werner Roth e eu. Antes de Pelé o Cosmos era um bando selvagem de diferentes jogadores de países diferentes: grande e alto atacante Randy Horton das Bermudas, Josef Jelinek da Tchecoslováquia, os americanos Werner Roth e Siegfried Stritzl, Malcolm Dawes da Inglaterra. Tratava-se de espalhar a palavra - indo às escolas e à comunidade, colocando-se clínicas. Os Cosmos mostrou a Nova York e os EUA o jogo que amava. Foi o momento de nossas vidas, pois não houve pressão: 1500-2000 espectadores no jogo e sem qualquer controlo dos meios de comunicação. Foi o melhor de dois mundos: futebol remunerado e profissional com festas à noite e sem pressão. Mas tudo virou de cabeça para baixo no dia que eu acordei e li no New York Times que Pelé estava em nossa equipe. Isso é como um bando de perdedores acordar e descobrir que o maior jogador do mundo está na equipe.
Você foi o jogador mais famoso Cosmos antes da chegada de Pelé - a partir do momento em que arremessador dos Yankees Jim Bouton chamou você para fazer uma sessão de fotos semi-nu no Viva Magazine.
Pelé ainda brinca comigo sobre isso. Os Cosmos eram um bando de amantes da diversão e esforçados jogadores, que não ganhavam muito dinheiro. Meu amigo Jim Bouton me ligou e disse que a Revista Viva queria fazer um ensaio fotográfico nu. Eles pagaram US $ 5000. Bob Leseffer foi a fotógrafa e eu entrei no apartamento dela. Ela disse: "Levante-se e tirar a roupa." Eu não achei que eu iria ficar em apuros - ninguém iria ver ou ler a revista. Eu estava ensinando a tempo parcial em uma escola e jogando para o Cosmos. Um mês mais tarde na minha escola todos as meninas de quinze e dezesseis anos de idade de repente foram correndo da escola para comprar esta revista. As meninas todas voltaram a gritar, e então eu corri para o banheiro e tranquei a porta. A próxima coisa que eu saberia era que o diretor me demitiria. Então eu fui para o vestiário e o treinador Gordon enlouqueceu. Fui colocado sobre a renúncia pelo Cosmos. Gerente Geral Clive Toye disse que violei uma cláusula moral no contrato. O que ele estava falando? Ele me disse que o Cosmos estavam tentando obter a exposição em Nova York e eu tinha mais exposição em uma revista do que o Cosmos em um ano inteiro. Mas ele me demitiu. Meu pai era um advogado e acabamos por processá-lo e ganhamos. Ele me escreveu uma nota que eu nunca vou esquecer - eu ainda vou tê-lo enquadradoObviamente Clive Toye já estava em busca de Pelé. Sim, eu me tornei famoso, mas não pela mesma razão como Pelé.
Quando você estava no Boston Minutemen e quando você pegou aquela New York Times, você deve ter pensado - Droga, eu poderia ter jogado com Pelé.
Eu era conhecido como um bad boy e eu fui de carona para Boston. Hubert Vogelsinger tinha treinado na Universidade de Yale e eu joguei contra ele com Harvard. Ele me deu uma chance e eu assinei contrato em Boston. Eu era o melhor goleiro do campeonato daquele ano. Eu estava no topo do meu jogo, teve redenção, mas para pegar o jornal para ver que Pelé tinha assinado pelo Cosmos me fez mal ao estômago. Como isso foi possível? Eu simplesmente tinha jogado fora a chance da minha vida. A vida continua de maneira engraçada e Boston jogou contra o Cosmos duas vezes naquele ano, pela primeira vez em Boston e, em seguida, no estádio Yankee. Parei Pelé quatro ou cinco vezes no Yankee Stadium. Os jogos foram decididos por cobranças de penalty e Pelé aproveitou a cobrança de pênalti final. Mergulhei a minha esquerda, tem os dedos de minha mão direita na bola e empurrou-o para fora da barra. Boston venceu. Pelé vai te dizer que eu nunca tive um toque para a bola, e que ele só perdeu. Depois do jogo nós nos abraçamos e trocaram camisas. Duas semanas depois, Bob Rigby quebrou uma clavícula e Pelé queria o goleiro americano de Boston. Eu recebi o telefonema que eu pensei que nunca ia conseguir de novo - de Clive Toye e Gordon Bradley. Eles me queriam de volta. Pelé me ​​disse mais tarde que ele tinha algum tipo de código não escrito em seu contrato para uma espécie de handpick a equipe como o Cosmos cresceu.


Você tinha Carlos Alberto Torres, Beckenbauer, Chinaglia e Pelé na frente de você no Cosmos. Esse foi definitivamente o fim da Idade da Pedra no futebol americano?
Não foi apenas o fim da Idade da Pedra, mas também o início dos tempos áureos. O que aconteceu com o futebol americano, em geral, nos anos setenta foi devido ao Cosmos: primeiro veio Pelé, em seguida, Chinaglia, então Franz Beckenbauer e, em seguida, a última peça Carlos Alberto. Nesse curto período de dois anos, o Cosmos passou de 15.000 a 20.000 fãs para 70.000 torcedoresMais importante, o Cosmos foi para a última página do New York Post e primeira página do Sports Illustrated. O futebol subitamente ficou super conhecido, o futebol estava na moda. Foi uma revolução em esportes e entretenimento americano. Foi um raio em uma garrafa: o Cosmos capturou a imaginação de Nova York, dos EUA e do mundo. Fomos os Galacticos antes de Real Madrid, as estrelas de rock americanas de esportes.
Como foram as dinâmicas entre esses Galacticos - Pelé Chinaglia, Beckenbauer e Carlos Alberto - no campo?
Todo mundo adora Pelé! Como você pode não amar Pelé, com exceção de Chinaglia! Ele foi o atacante ciumento e temperamental da Lazio e ele queria que Pelé se afastasse para que ele pudesse marcar os gols. Ele era Tony Soprano. No final [das filmagens] do filme [Once in a Lifetime - a extraordinária história do New York Cosmos], todos nós estávamos na parte de trás de um teatro e Giorgio Chinaglia, nesse momento de sua vida parecia Tony Soprano - careca, mais pesado e um cigarro na boca. Os produtores e diretores tinham medo de que Chinaglia não gostasse de como ele foi descrito. Chinaglia levantou-se, deu uma tragada no cigarro e bateu palmas. Ele adorava ser Tony Soprano. Chinaglia foi volátil: ele lutava contra os arrumadores, os fãs e Pelé. A portas fechadas, no vestiário, Chinaglia e os outros eram um grande grupo de jogadores. Franz Beckenbauer disse: "Eu fiz tudo na minha vida - campeonatos para o Bayern de Munique e da Copa do Mundo para a Alemanha -, mas o New York Cosmos foi o melhor momento da minha vida. No Munique era todos os jogadores alemães; no Cosmos era catorze nacionalidades ...e Pelé ". Franz Beckenbauer disse isso, é inacreditável.
Vocês foram "astros do rock", havia festas no Studio 54* e sairam com gente como Mick Jagger e Henry Kissinger. Será que o Cosmos exemplifica o hedonismo positivo do tempo?
(*O Studio 54 em Nova York nos anos 70 era a discoteca mais famosa no mundo, por vezes celebridades eram barradas na entrada, mas o Cosmos de Pelé era sempre o convidado VIP.)


Sim, os Cosmos eram estrelas do rock. Este foi o final dos anos setenta, em Nova York. Os clubes de música, os clubes swinger e as orgias. Grandes memórias.

Carlos Alberto Torres, Beckenbauer, Cruyff e Pelé jogaram juntos no Cosmos!!!
Sem dúvida os New York Cosmos foram os primeiros galáticos da história do futebol...
Você fez Franz Beckenbauer fumar seu primeiro cigarro?
Franz Beckenbauer tinha o cabelo muito crespo. Em casa ele iria penteá-lo para trás, mas eu tinha um afro. Um dia Franz e eu estávamos andando pela Quinta Avenida e ele perguntou onde eu tenho o meu corte de cabelo! Ninguém em Nova York sabia quem ele era e eu disse-lhe para vir ao meu barbeiro, em Greenwich Village. Pela primeira vez em sua vida, ele saiu de uma barbearia, com cabelos encaracolados. Eu estava fumando um cigarro naquele momento e parecia que ele queria um. Eu disse: "Franz, ninguém sabe quem você é. Você pode ter um cigarro. "Descemos a vila com Franz fumando seu cigarro e tendo o tempo de sua vida.
Escolha um jogo que representava o espírito de equipe e simbolizava a forma como o nome do Cosmos ressoou todo os EUA e no mundo.
Eu escolho dois jogos. O último jogo profissional de carreira competitiva de Pelé. Foi o último ano de seu contrato e de todos os partidos e os bons tempos, não havia pressão. Jogadores de classe mundial sentiram a responsabilidade de Pelé se despedir como um campeão. No vestiário antes do Soccer Bowl [1977], o jogo final contra o Seattle em Portland, havia um monte de nervos de Beckenbauer, Carlos Alberto e Chinaglia. Pelé estava tranquilo. Nós estávamos nervosos - como você não pode ganhar um campeonato por Pelé em seu último jogo? Esse jogo foi eletrizante e dramático. O Cosmos ffez o primeiro gol, eles empataram. Era uma casa cheia e a pressão para ganhar o jogo estava pesando sobre nós. Chinaglia fez o gol da vitória. Pele foi em lágrimas no final do jogo. Foi pura alegria para todos nós - se não tivéssemos vencido aquele jogo por Pelé para deixá-lo sair como um campeão, nós nunca poderíamos olhar no espelho novamente para o resto de nossas vidas.
O segundo jogo era muito diferente. Seu jogo de despedida, um jogo de exibição contra o único outro clube, o Santos, no estádio do Giants. Pelé jogou metade do jogo para o Cosmos e metade do jogo para Santos. Esse foi um evento mundial - o impacto do Cosmos em Nova York e no Mundo: 77.000 fãs na chuva, televisionado em todo o mundo e Mohammed Ali, Kissinger, Mick Jagger e pai de Pelé no meio-campo durante a cerimônia antes do jogo. Pelé estava em lágrimas e ele pegou o microfone e disse: "Obrigado New York, obrigado América e repita depois de mim - Amor aos filhos, amar os filhos, amam os filhos." Isso foi jogo final de Pelé. Quando o jogo terminou, Erol Yasin, o outro goleiro, e eu instintivamente pegamos Pelé sobre nossos ombros. O resto dos times New York Cosmos e Santos desfilaram com Pelé em uma volta da vitória ao redor do estádio como 77.000 fãs a gritarem e chorarem.
Pelé foi o protagonista nesses dois jogos. Enquanto no Cosmos ele já não estava em seu auge, mas ainda muito formidável. Ele foi o jogador de futebol perfeito?
Eu concordo. Maradona e Messi não são comparáveis ​​com Pelé. Fê-lo por mais tempo e de forma mais consistente. Se Messi conseguir fazer isso por mais dez anos, ele pode entrar na conversa. Pelé teve o cérebro de futebol, o poder explosivo de Maradona, as habilidades com a bola de George Best, a capacidade de drible em cinco velocidades diferentes, a capacidade de saltar e da visão em termos de passar a bola. Pelé era um jogador super-humano - que o testou no Brasil; fisiologicamente ele estava fora das cartas. Ele tinha um salto vertical mais alto do que Michael Jordan - 48 polegadas [salto vertical de Michael Jordan é realmente 48 polegadas, bem], ele tinha uma visão periférica de cerca de 220 graus. Pelé pode, literalmente, ver por trás de sua cabeça. Como atleta, ele era uma aberração fisiológica, como um concorrente que não havia ninguém mais competitivo.
Por que não trabalhar para o Cosmos depois de Pelé?
Essa é a mesma resposta para o porquê ela deve funcionar para os novos Cosmos. Esses Cosmos há muitos anos realmente transcendeu o esporte nos EUA. Não houve vinte milhões de crianças jogando futebol; não houve futebol juvenil nos anos setenta  nos EUA. O Cosmos foram um fenômeno, mas, como um satélite ou um meteorito, o Cosmos teve uma queda forte. O futebol não era popular. Studio 54, Pelé, Beckenbauer e do Cosmos tornou-se um conto de fadas que capturou a imaginação do país. Uma vez que Pelé se aposentou e Beckenbauer foi embora, o Cosmos e o NASL cairam. Em 2013 este New York Cosmos está olhando para uma paisagem diferente: o futebol é grande nos EUA, com uma equipa do mundo e da televisão. É difícil que nos EUA alguém tenha uma história como o New York Cosmos. Ninguém tem isso. Ainda hoje nos EUA o Cosmos ainda é o time que todo mundo conhece.
Após o jogo em casa contra o Tampa Bay Rowdies você anotou algumas semelhanças entre os antigos e os novos Cosmos. Você destacou Marcos Senna como um jogador que pode decidir o jogo em um  "nanosegundo"  como Pelé e Chinaglia fez. Você elogiou o espírito de luta e atitude de nunca desistir. É esta sombra do passado um problema para o novo Cosmos? Será sempre sobre Pelé, Beckenbauer e anos setenta dourados?
Eu olho para ele de forma diferente: Eu cresci no Bronx, uma centena de metros do Yankee Stadium, icônico nos EUA. Quando eu era criança e se escondeu por cima da cerca, havia monumentos no centro do campo. Todos os anos, o New York Yankees tem que viver de acordo com o grande passado que eles têm, mas eles continuam a fazê-lo. A mensagem para estes New York Cosmos é para se orgulhar da história e o legado do clube, mas não deve ser sobrecarregado e criar uma plataforma para formar a sua própria identidade. O New York Yankees sempre lembram suas lendas, mas não os impediu de ganhar 27 campeonatos World Series. Estes New York Cosmos deve sempre lembrar Pelé, Carlos Alberto, Beckenbauer e Shep Messing, mas não devem ser sobrecarregados com as lendas. Ao contrário, eles devem ser espirituoso por sua história. O Cosmos voltou contra o Tampa Bay com uma vitória muita dramática. Eles venceram sem Pelé e Beckenbauer.
As lendas dos New York Cosmos:em pé Shep Messing, Pelé,  Paul Kemsley.
Sentados:Carlos Alberto, Dennis Tueart and Peppe Pinton  em 2011 em Manchester, Inglaterra.
Por Samindra Kunti
Quem quiser ler a entrevista completa na worldsoccer.com em inglês, clique AQUI

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