Como já foi escrito várias vezes aqui no blog, Pelé desembarcou em New York em 1975 contratado por 7 milhões de dólares para jogar 3 temporadas pelo New York Cosmos, numa época onde 99% dos cidadãos americanos colocavam o soccer como o esporte menos popular naquele país.
Mas Pelé chegou, viu e venceu, e mudou para sempre e para melhor o futebol ( soccer ) nos Estados Unidos da América, e a prova disso é que as seleções feminina e masculina de futebol têm sempre estado presentes nos maiores torneios mundiais.
No vídeo abaixo, retirado do excelente canal youtubeROMANO, algumas reportagens e imagens da tv americana na década de 70 retratam muito bem a fama mundial, a genialidade e o impacto imediato que o Rei Pelé causou nos Estados Unidos da América.
Reportagem do programa SPORTTV da TV GLOBO, Rio de Janeiro.
Com mais de 1000 gols em toda a carreira, Pelé fez a alegria de milhões de torcedores por todo o mundo e trouxe desespero para muitos goleiros ao longo de duas décadas como jogador profissional. Mas teve, ao menos, um que pode se recordar com muito carinho do Rei do Futebol. Trata-se de Shep Messing, goleiro americano "contratado" pelo New York Cosmos, após defender um pênalti chutado por Pelé. Fã e amigo do Atleta do Século, o ex-jogador que hoje em dia é comentarista esportivo da ESPN, lembra da ligação que mudou sua vida e dos anos em companhia do ídolo.
- Eu joguei pela seleção americana antes de Pelé e do Cosmos, mas todo jogo perdíamos por 7 a 0, 8 a 0. Éramos um bando de universitários competindo. Eu jogava no Boston e Eusébio era do meu time. Na primeira vez que jogamos contra o Cosmos, era o duelo Pelé contra Eusébio e o jogo foi para os pênaltis. A última cobrança foi batida por Pelé. Até hoje, ele ainda brinca dizendo que foi ele quem perdeu, mas eu toquei o dedo. Peguei o pênalti de Pelé e nós vencemos o jogo. Na semana seguinte, meu telefone tocou e era alguém do Cosmos, dizendo que o Pelé queria "aquele goleiro americano". Então, eu voei para Nova York - recorda Messing.
Shep Messing chegou ao time do New York Cosmos após o campeonato nacional de 1976. E, conhecido pela fama de "playboy" americano, apresentou a "cidade que nunca dorme" ao camisa 10 do time. Se na década de 70 Pelé não conhecia muitos lugares nos Estados Unidos, hoje, aos 75 anos, tem apartamentos, casas, negócios e amigos.
- Nova York é uma cidade feita para Pelé. E nós amamos ele. Onde ir, como ir, quem visitar, onde estão os melhores restaurantes, filmes, boates, Greenwich Village. Eu dizia: "Pantera, nós podemos ir para as boates, ninguém vai tirar fotos. Tem tantas histórias que não posso contar, mas eu o levei para a 5ª Avenida, para os restaurantes - comenta o ex-goleiro.
Nas três temporadas que jogou no futebol dos Estados Unidos, Pelé tem números expressivos dentro e fora de campo. A sua estreia pelo Cosmos, em junho de 1975, bateu recorde de audiência na TV americana, com mais de 10 milhões assistindo a partida contra o Dallas. As cifras milionárias de sua contratação movimentaram a economia do país.
Dentro das quatro linhas foram 107 jogos, 65 gols e um título nacional, em 1977, último ano de sua carreira. Shep Messing lembra do único pedido do Rei aos companheiros de time.
- "Por favor, amigos, mais um jogo". Ele queria se despedir com o título. Nós não planejamos, mas fomos até o Pelé. Eu, o outro goleiro Erol Yasin, Franz (Beckembauer) e o resto do time. E todos nós demos uma volta olímpica, os torcedores foram à loucura. Quando voltamos para onde começamos, Pelé disse: "Shep, outra volta" - lembra Messing.
Outro fato que o ex-goleiro americano se recorda com nitidez é a dedicação de Pelé nos treinamentos. Aos 34 anos e tricampeão mundial com a seleção brasileira, o Atleta do Século sempre ficava até depois do período de treino para "aperfeiçoar" alguma coisa.
- Foi marcante porque era o Pelé. Depois dos treinos, todos os dias, Pelé me perguntava se eu poderia ficar mais 20 minutos. Outro jogador ficava cruzando bolas para ele. Naquele estágio da carreira, ele não precisava treinar mais 20 minutos para ser perfeito. Mas essa era uma das coisas que o faziam tão incrível - concluiu Shep Messing.
Se voce dissesse a qualquer americano em 1975 que os Estados Unidos iriam ser campeões do mundo de "soccer", provavelmente qualquer americano pensaria que voce é um idiota, um maluco ou um comediante:-) Pois bem, de 1975 até 2015, já são 3 títulos de campeão do mundo e 4 medalhas de ouro em Olimpíadas com a seleção feminina de futebol. A seleção masculina tem 1 medalha de ouro nos jogos panamericanos de 1991. Desde que Pelé desembarcou em New York em 1975 que o futebol nos EUA nunca mais foi o mesmo. Pelé foi para os Estados Unidos em 1975, contratado pelo New York Cosmos, com a "missão" de tentar fazer com que os americanos se interessassem pelo "soccer", até então o esporte menos popular naquele país.
O estrondoso sucesso que Pelé fez nos 3 anos em que esteve nos Estados Unidos pode ser visto em vários postsAQUI
E se Pelé não tivesse ido para os Estados Unidos? O "soccer" teria a mesma força e a mesma popularidade que tem hoje em dia nas terras de Tio Sam? Isso jamais saberemos. Coincidência ou não, o fato é que 40 anos depois de Pelé ter jogado o seu primeiro jogo pelo New York Cosmos em 1975, o futebol nos Estados Unidos teve um crescimento absolutamente incrível, principalmente com as seleções nacionais, que a cada ano que passa, ficam cada vez mais fortes e cada vez mais competitivas, principalmente as seleções femininas que somam títulos atrás de títulos. Hoje em dia mais de 20 milhões de americanos, de ambos os sexos, estão jogando "soccer" nos Estados Unidos. O campeonato de futebol da primeira divisão (Major League Soccer) tem sempre estádios lotados e grandes estrelas do futebol mundial da atualidade como Thierry Henry, David Villa, Steven Gerard, Kaká entre outros jogam nos principais times daquele país, que tem jogos transmitidos ao vivo semanalmente para a europa pela Eurosport.
Estádio do Orlando City Soccer Club, com Kaká no telão.
Nos últimos 24 anos, as seleções femininas americanas, principal e sub-20, venceram 16 títulos!!! E o 17º foi conquistado no dia 5 de julho de 2015, quando a seleção feminina de futebol dos Estados Unidos venceu pela terceira vez a Copa do Mundo da FIFA, juntando mais esta conquista ao seu já extenso palmarés.
Copa do Mundo FIFA de Futebol Feminino:1991, 1999 e 2015,
Jogos Olímpicos: Medalha de ouro:1996,2004,2008e2012,
Copa Ouro Feminina:1991*,1993*,1994*,2000,2002,2006,
Copa do Mundo de Futebol Feminino Sub-20: 2002 e 2008,
Jogos Pan-Americanos: Medalha de ouro em1999.
O que é certo é que os americanos estão cada vez mais fortes e competitivos num esporte que eles simplesmente não mostravam qualquer tipo de interesse há 40 anos atrás. Que Pelé tem grande parte da "culpa" neste progresso meteórico do futebol nos EUA nas últimas 4 décadas, ninguém com boa fé pode negar:-) Talvez esta tenha sido a maior vitória esportiva e pessoal do Rei do Futebol...
Há quarenta
anos, o futebol profissional, comparado com desportos como o basebol e o
chamado futebol americano, mal existia nos Estados Unidos. As principais
equipas do país jogavam para uns poucos milhares de pessoas nos seus estádios.
No país de Abraham Lincoln e Babe Ruth, o desporto que já na altura era o mais
popular em todo o mundo tinha uma imagem elitista - algo que os meninos ricos
jogavam nos colégios de modelo pseudo-inglês – e era ao mesmo tempo associado
aos camponeses europeus que tinham emigrado para os EUA.
O futebol,
ainda por cima, parecia exactamente o contrário do espírito americano: um jogo
onde normalmente se marca pouco, ou até nada, onde há um 'build up' que pouco
tem a ver as gratificações imediatas (em golos e outras estatísticas) a que os
americanos estão habituados. A própria simplicidade desse desporto, jogável com
uma bola de trapos e na rua, se for preciso - o que ajuda muito a explicar a
sua popularidade universal - funcionava contra ele, pois era o contrário da
elaborada parafernália típica das modalidades americanas, tão atraente em si
mesma. Em suma, o estatuto secundário do futebol nos EUA estava destinado a
continuar por bastante tempo. Foi então que alguém decidiu atacar o mal pela
raiz.
A raiz, por
assim dizer, era a incapacidade de os norte-americanos sentirem empatia com o
jogo. E um dos motivos dela era a ausência de estrelas com quem se
identificassem. A bem dizer, se se perguntasse a um americano o nome de um
jogador de futebol, era altamente provável ele não ser capaz de referir nenhum
compatriota seu. Ou não diria ninguém, ou diria o nome que nessa altura simbolizava
o futebol no mundo inteiro: Pelé.
OBJECTIVO:
RESSUSCITAR A LIGA
O jogador
brasileiro, cujo nome verdadeiro é Edson Arantes do Nascimento, estava nessa
altura com trinta e cinco anos. Tinha jogado na liga brasileira desde os
quinze, e batera todos os recordes, em golos (541, só no campeonato oficial;
somando tudo seria 1281), campeonatos (três Campeonatos do Mundo, em 1958, 1962
e 1970) e também em dinheiro, pois era suposto ser o atleta mais bem pago do
mundo. Com uma habilidade fenomenal para marcar golos, chegara a ser declarado
tesouro nacional pelo presidente do seu país, a fim de prevenir que o levassem
para fora do país, como se faz aos quadros de grandes mestres. Isso fora no
princípio dos anos 60.
Aqui abaixo no vídeo, a reportagem do repórter Sal Marchiano no noticiário da noite da ABC em 10 de junho de 1975 sobre a assinatura de Pelé com o New York Cosmos do Soccer League América do Norte.
Cartaz do Comitê Olímpico Internacional, que
também elegeu Pelé o Atleta do Século.
Passada mais
de uma década, ele encontrava-se em fim de carreira, e tinha décadas à sua
frente para gozar a vida, passeando pelo mundo e rentabilizando a sua fama como
lhe apetecesse. Porém, faltava uma última aventura. E quem lha proporcionou foi
um homem chamado Clive Toye. Nascido em Inglaterra, era na altura o manager do
New York Cosmos, um clube fundado em 1970 e que já tinha mudado várias vezes de
estádio. Conforme explicou recentemente numa entrevista ao The Guardian, ele e
o comissário da liga americana, a NASL, tinham constatado que esta última
estava "praticamente morta".
"Tentávamos mantê-la viva e fazê-la crescer.
Decidimos que havia duas coisas que eram necessárias neste país para mudar a
situação toda. Uma era o Campeonato do Mundo e a outra era Pelé. Ele era o
único jogador que alguém neste país já tinha ouvido falar".
O resto é
história. Digamos apenas, para resumir a pré-história dessa história, que a
corte ao Pérola Negra durou quatro anos. Inicialmente abordado junto a uma
piscina, Pelé disse claramente não. Numa série de encontros que houve depois, a
maioria deles no Brasil, continuou a dizer não, argumentando que não ia fazer
nada para os Estados Unidos. Toye manteve a pressão, indo ao ponto de anunciar
publicamente o número da camisola (o 10) que esperava vê-lo usar um dia. Pelé
mantinha a sua recusa. Até que a insistência do americano, e os seus próprios
problemas financeiros, começaram gradualmente a dar outro aspeto à ideia.
UM CONTRATO
MILIONÁRIO. UMA APOSTA GANHA
Num dos
almoços dos dois, que foi pago por Pelé, este explicou que o restaurante jamais
iria descontar o cheque - preferiam ficar com o seu autógrafo. Algum tempo
depois, num motel próximo do aeroporto de Bruxelas (Bélgica), onde se
encontrava para uma partida de homenagem a outro jogador, Pelé aceitou
finalmente a proposta. Fê-lo do modo mais informal possível, escrevendo numa
folha de jornal que Toye lhe estendeu. O contrato formal seria depois assinado
nas Bermudas. Três anos de compromisso, a 1,4 milhões de dólares por ano, soma
que hoje consideraríamos trivial, ou mesmo irrisória, mas na altura era
absolutamente extraordinária.
Pelé foi campeão em todos os times e seleções que ele jogou
Para
contrariar a imagem “emigrante e camponesa” do futebol nos EUA, o anúncio
formal do contrato foi feito a 10 de junho no 21 Club, um dos lugares mais
exclusivos de Manhattan. O Cosmos tornou-se famoso em todo o mundo. Pelé
estreou-se na sua nova camisola cinco dias depois, e Toye teria a satisfação de
ver o seu plano dar resultar em cheio, pelo menos em termos comerciais. O
público do estádio passou de uns escassos milhares a largas centenas de
milhares. O Cosmos tornou-se uma marca rentável, e o futebol começou a disparar
nos EUA.
Os estádios que antes estavam vazios, começaram a encher por causa de Pelé.
À FRENTE DO
COSMOS NUMA VISITA HISTÓRICA A CUBA
Após a
partida de Pelé em 1977, ano em que o Cosmos ganhou o campeonato, essas
conquistas ainda sobreviveram alguns anos. Em termos desportivos, para o clube,
haveria mais vitórias nos campeonatos de 1978, 1980 e 1982, seguidas de um
declínio. A popularidade do desporto-rei também cairia nos EUA. Em 1994, quando
o país recebeu o Campeonato do Mundo, essa desvantagem em relação a outros
desportos ainda era bem visível.
Pelé na chegada ao aeroporto de Havana, em Cuba, onde milhares de pessoas estavam à espera de ver o Rei.
Pelé
continuou a ser considerado o maior jogador de todos os tempos – e a fazer
manchete. O ano passado, umas declarações suas a propósito do campeonato do
mundo no Brasil (e dos protestos que houve na altura) foram mal recebidas. Idem
o seu apoio recente a Sepp Blatter, aliás substituídos ontem por um apelo a uma
“limpeza” na FIFA.
Ajuizadas ou não, as suas declarações em nada afetam o seu
legado desportivo, ou o enorme efeito que a sua presença teve nos EUA.
Pelé e Raul na conferencia de imprensa antes do jogo entre o Cosmos e a seleção macional cubana.
Agora,
quarenta anos passados sobre a estreia dele pelo Cosmos, o clube faz uma
histórica visita a Cuba para um jogo com a seleção nacional deste país, e Pelé,
apesar dos problemas médicos que o têm afligido nos últimos tempos, foi à
frente da comitiva. Quem mais podia ser?
Nota do autor do blog:
Hoje em dia existem cerca de 18 milhões de crianças jogando soccer nos Estados Unidos, e os primeiros resultados começaram a surgir 2 décadas depois de Pelé ter
deixado de jogar no New York Cosmos em 1977.
Eu penso que a maior vitória de Pelé foi conseguir popularizar o futebol nos Estados Unidos. E só não vê quem não quer: nos últimos 20 anos, os resultados da seleção nacional feminina são notáveis. Veja o quadro abaixo da foto:
A seleção feminina já tem no seu curriculum as seguintes conquistas:
Copa do Mundo de Futebol Feminino:1991e 1999,
Jogos Olímpicos: Medalha de ouro:1996,2004,2008e2012,
Copa Ouro Feminina:1991*,1993*,1994*,2000,2002,2006,
Copa do Mundo de Futebol Feminino Sub-20: 2002 e 2008,
Jogos Pan-Americanos: Medalha de ouro em1999
A seleção masculina dos Estados Unidos bateu todos os recordes de audiência
na TV nos EUA na Copa do Mundo de 2014, superando a NBA e a NFL pela primeira vez na história.
Nesta última semana:
a seleção nacional masculina (foto acima) fez dois jogos amistosos na europa.
No dia 5 de junho venceu em Amsterdã a seleção holandesa por 4 x 3 e
no dia 10 de junho, bateu a campeã do mundo Alemanha por 2 x 1, na cidade de Colônia.
No dia 10 de junho, a seleção sub-20 venceu a Colômbia e se classificou para as
quartas-de-final do Mundial FIFA sub-20 onde vão enfrentar a Sérvia.
E no dia 7 de junho a seleção sub-21 conquistou o
3º lugar no tradicional Torneio de Toulon na França
onde venceu a Inglaterra por 2 x 1.
E hoje em dia, os estádios estão assim, quase sempre cheios para ver um jogo do campeonato norte-americano de futebol.
Esta foto acima é do jogo entre o Orlando (onde joga Kaká) e o New York Red Bulls.
É isso aí pessoal, Pelé mudou o futebol nos Estados Unidos para sempre.
Pelé é o maior jogador de futebol de todos os tempos e o maior atleta do século XX. Mas o que tornava o Rei do Futebol tão espetacular em comparação com seus "concorrentes" não era apenas o fato de Pelé ter sido um jogador completo em todos os fundamentos do futebol, mas também a sua incrível capacidade física.
Com esse incrível condicionamento, o rei jogava com competência basquete, vôlei e qualquer outro esporte que exigisse coordenação.
Sobre sua super capacidade física, seu preparador físico Júlio Mazzei disse:
"Tenho certeza de que, bem treinado,
Pelé seria um dos dez maiores do mundo em decatlo".
Depois de Pelé, jamais surgiu outro jogador que unisse perfeição técnica e física. Shep Messing, hoje em dia comentarista esportivo da ESPN era o goleiro do New York Cosmos na década de 70 e foi companheiro de equipe de Pelé no Cosmos durante 3 anos. Messing em 2012, descreveu Pelé deste jeito:
"Maradona e Messi não são comparáveis com Pelé. Fê-lo por mais tempo e de forma mais consistente. Se Messi conseguir fazer isso por mais dez anos, ele pode entrar na conversa. Pelé teve o cérebro de futebol, o poder explosivo que tinha Maradona, as habilidades com a bola de George Best, a capacidade de drible em cinco velocidades diferentes, a capacidade de saltar e da visão em termos de passar a bola. Pelé era um jogador super-humano - fisiologicamente ele era fora do normal.
Messing acrescenta:"Ele tinha um salto vertical tão alto como Michael Jordan - 48 polegadas = 121,92 centímetros [o salto vertical de Michael Jordan era 48 polegadas], ele tinha uma visão periférica de cerca de 220 graus. Pelé podia, literalmente, ver por trás de sua cabeça. Como atleta, ele era uma aberração fisiológica:-)"
Nota do autor do blog: Hoje em dia, muita gente escreve na imprensa, em sites ou blogs que Pelé não seria um jogador de top, que Peléseria apenas umjogador normal,porque no seu tempo, o futebol era maislento, maisfácile havia mais tempo para pensar, e o futebol de hoje é mais rápido, mais físico, mais tático, com defensores mais rápidos, fortes e inteligentes, e bla bla bla... Eu penso que um jogador de futebol com todas estas qualidades físicas e que dominasse todos os fundamentos do futebol, jogaria em qualquer época de qualquer século... Também por estas 2 razões é que Pelé é o Rei do Futebol e o Atleta do Século XX...got it:-)???
Poster da Warner Brothers anunciando a chegada de Pelé aos Estados Unidos em 1975.
Como todos já sabem, e se ainda não sabem, passam a saber:-) 7 milhões de dólares hoje é muito dinheiro, certo? Se hoje em dia 7 milhões de dólares ainda é muito dinheiro, imagine em 1975... Pois é, em 1975, Pelé foi contratado pelo New York Cosmos por 7 milhões de dólares ( eu não sei ao certo quanto dinheiro seria hoje em dia com a devida correção monetária), num contrato válido por 3 anos.
Clive Toye, o gerente geral do New York Cosmos, o homem responsável pela ida de Pelé para os Estados Unidos, usou os seguintes argumentos, além da parte monetária, que é praticamente irrecusável hoje em dia, imagine há 40 anos atrás.
Clive Toye e Pelé em 1975 e em 2012.
Clive Toye: "Eu disse ao Pelé: não vá para a Europa, pois tudo o que ele podia fazer lá era ganhar taças. Venha para os EUA e você pode ganhar um país inteiro." "Eu disse a ele que ele tinha que vir para a América porque ele teria a chance de fazer algo que ninguém mais poderia fazer - tornar o futebol um esporte importante nos EUA".
Pois bem , a poderosa Warner Brothers além de ter as mais importantes estrelas da música, do cinema e da televisão naquela época, também era a proprietária do New York Cosmos, e por isso usou um dos seus mais famosos personagens de todos os tempos, o coelho Bugs Bunny, como a mascote da equipe de futebol.
Ninguém, nem mesmo os mais otimistas nos Estados Unidos esperavam um sucesso tão estrondoso e tão rápido do soccer como o que aconteceu com a ida de Pelé para o Cosmos em 1975.
Num país onde o beisebol, basquetebol e o futebol americano eram( e até hoje em dia continuam sendo) os esportes mais populares, onde a maioria da população não gostava ou não se interessava pelo futebol jogado com os pés, Pelé levou apenas um ano para conseguir fazer o que ninguém até então tinha feito:
os estádios começaram a encher de fans, a população começou a se interessar pelo "soccer" e as redes de televisão como a ABC ou a CBS começaram a transmitir jogos de futebol ao vivo.
E o soccer, que até então apenas aparecia nas páginas juntamente com o obituário, começou ter destaque nas primeiras páginas de jornais como o New York Times.
Pelé só foi campeão nacional pelo Cosmos em 1977, mas na sua aventura pelas terras de Tio Sam entre 1975 e 1977, a sua maior vitória foi conseguir com que os americanos começassem a gostar do futebol.
Depois que Pelé deixou o Cosmos, os estádios americanos começaram a ficar vazios outra vez.
Foi ele quem arrastou multidões aos estádios, deu credibilidade, publicidade e glamour ao jogo e despertou o interesse nos americanos para o soccer.
Foi ele quem plantou a bandeira do futebol no seio da população, que tem hoje 18 milhões de crianças jogando soccer nos Estados Unidos, e os primeiros resultados começaram a surgir 2 décadas depois de Pelé ter deixado de jogar no New York Cosmos em 1977.
A seleção masculina dos Estados Unidos bateu todos os recordes de audiência
na TV nos EUA na Copa do Mundo de 2014, superando a NBA e a NFL pela primeira vez na história.
A seleção feminina já tem no seu curriculum as seguintes conquistas:
Copa do Mundo de Futebol Feminino:1991e 1999,
Jogos Olímpicos: Medalha de ouro:1996,2004,2008e2012,
Copa Ouro Feminina:1991*,1993*,1994*,2000,2002,2006,
Copa do Mundo de Futebol Feminino Sub-20: 2002 e 2008,
Jogos Pan-Americanos: Medalha de ouro em1999
Clive Toye estava certo.
"Eu disse a ele que ele tinha que vir para a América porque ele teria a chance de fazer algo que ninguém mais poderia fazer - tornar o futebol um esporte importante nos EUA".
Não é nenhuma piada, Pelé se quisesse, poderia ter sido jogador de futebol americano na NFL, como veremos a seguir:-)
Pelé revela que já foi convidado para ser jogador de futebol americano e atuar na NFL
Reconhecido no mundo inteiro pelos seus feitos no futebol, Pelé é mais do que uma celebridade nos Estados Unidos. Conhecido em toda as partes do país, o ex-jogador revelou que já foi convidado para praticar outro esporte de forma profissional em terras norte-americanas.
Em entrevista ao jornal New York Post, o Rei disse que já foi convidado para jogar futebol americano pelo New York Giants.
Provavelmente os proprietários do Giants , ao fazerem o convite, imaginaram Pelé jogando na NFL da mesma maneira que a lendaJoe Namath, a primeira estrela mundial da NFL segundo a CBS News (ver AQUI), havia imaginado: Pelé já com 37 anos de idade, não iria lutar nem tentar bloquear os enormes e fortíssimos jogadores adversários ou correr atrás deles, apenas ia usar os seus pés super talentosos para jogar como kicker, e entrar em campo apenas para marcar os field goals.
Duas lendas de dois tipos de futebol: Joe Namath e Pelé
E a lógica dos dirigentes do Giants era bastante simples e fazia todo o sentido: se Pelé conseguiu marcar mais de 1000 gols em uma baliza de soccer com "apenas" 2 metros de altura, certamente conseguiria marcar gols numa baliza de futebol americano com 9 metros de altura. E com toda a técnica e habilidade que Pelé tinha em ambos os pés, facilmente e rapidamente o Rei do futebol iria adaptar-se à bola oval.
E além disso, provavelmente os proprietários imaginaram o impacto, a curiosidade e principalmente, a publicidade imediata que a presença de Pelé, uma celebridade conhecida em todos os cantos do planeta, poderia causar em toda a América, e no mundo, jogando pelo Giants.
Seria um golpe de mestre.
“Ainda me lembro de uma vez queJoe Namath, me perguntou se eu já havia pensado em chutarfield goals (lance em que o atleta de de futebol americano precisa chutar a bola oval e acertá-la dentro do gol em formato de “Y”) na NFL (Liga nacional de futebol americano dos Estados Unidos)."
"Minha resposta para ele foi que eu não poderia marcar nenhum gol jogando com um capacete”, contou Pelé, que recusou o convite para jogar por um dos maiores times da NFL*por considerar a mudança de esporte um retrocesso profissional.
*A National Football League (em português: Liga Nacional de Futebol Americano; abreviação oficial: NFL) é a maior liga de futebol americano do mundo, com trinta e dois times nos Estados Unidos. Em termos de renda e número de fãs, a NFL é a maior liga de esportes na América do Norte e uma das maiores do mundo.O valor médio dos clubes avaliado em 2008 era de 1,04 bilhão de dólares, sendo o mais valioso o Dallas Cowboys, que chega a valer 1,612 bilhão de dólares. A divisão mais valiosa da NFL é a NFC Leste, formada por Cowboys, Washington Redskins,New York Giants e Philadelphia Eagles, todos valendo mais de um bilhão de dólares.
Sem contar com as transmissões de TV para outros países, apenas nos Estados Unidos a NFL é exibida por5 canais de televisão (CBS, NBC, Fox Sports, ESPN e NFL Network) que juntos pagam aproximadamente3,1 bilhões de dólarespor ano pelos direitos de exibição.
Mesmo não tendo aceito o convite do Giants, Pelé disse ao New York Post que sua passagem pelo Cosmos ainda o faz um cidadão de Nova York.
“Quando entrei para o Cosmos, eu me tornei parte de Nova York e ainda sou. Tenho apartamentos na 54ª e na 2ª Avenida, desde 1974. Ainda moro lá. Todo verão eu venho para Nova York. Eu vivo metade no Brasil e metade em Nova York, então eu nunca vejo o inverno”, disse o Rei. “Quando eu mudei para a cidade pela primeira vez com o Cosmos, eu tinha no Central Park uma clínica de futebol, mas não posso mais fazer isso agora, porque muitas pessoas se aproximam de mim. Mas, por isso, eu sou bastante abençoado”, completou.
👉Comentário do autor deste blog: Eu penso que Pelé seria bem sucedido, porque era um atleta completo. E a prova de que ele era um atleta completo é que quando concorreu nas várias eleições pelo mundo afora para "o melhor de todos os tempos", Pelé concorreu contra os melhores de cada esporte ( Muhammad Ali, Michael Jordan, Nadia Comaneci e outros deste quilate), e não apenas contra futebolistas. E penso que 2 meses de treino com a bola oval seriam suficientes para Pelé não falhar nenhum field goal :-)
Será que Pelé também iria ser o Rei do Futebol na NFL?
Isto nós nunca saberemos, mas com certeza Pelé seria uma das maiores estrelas daquela temporada de futebol americano, se tivesse jogado como kicker pelo New York Giants.
Pelé é considerado Rei não só pelo conjunto da obra inigualável que fez no futebol.
É também uma das 10 maiores celebridades do século 20, um dos homens mais conhecidos da História.
E mesmo nos dias de hoje, 4 décadas após ter pendurado as chuteiras, onde vai é recebido como se fosse um chefe de estado, uma estrela de cinema, um Rei.
Onde Pelé vai, há multidão e fotógrafos à volta.
Todo o mundo conhece ou já ouviu falar de Pelé, desde reis, rainhas, presidentes, estrelas de cinema e da música, velhos, novos, até o varredor de rua.
E desde sempre, quando surge uma nova estrela no futebol, a comparação inevitável é com o Rei, mas as novas estrelas sempre passa(ra)m de moda, e o Rei permanece como o alvo a abater.