FILME PELÉ ETERNO

FILME PELÉ ETERNO
A prova definitiva de quem é o melhor jogador de sempre
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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

PARTE 4 - O que eles fizeram ou fazem hoje, Pelé já havia feito antes


PARTE 4 - O que eles fizeram ou fazem hoje, 
Pelé já havia feito antes:-)


Pelé cercado por 5 adversários
Messi no dia 18 de dezembro de 2016, fez uma jogada espetacular no jogo entre o Barcelona e o Espanyol,que resultou num gol marcado por Luis Suarez.
Ver a jogada jogada a partir do minuto 1:19 no vídeo abaixo.

Pelé já havia feito antes...por várias vezes:-)

Veja abaixo o vídeo "Pelé, os 10 melhores gols driblando pelo menos 3 adversários", produzido pelo excelente canal Bella Kona.

É sempre bom lembrar que, dos 1283 gols que Pelé marcou em sua brilhante e ímpar carreira, 
apenas cerca de 400 gols ( 1/3 ) estão registrados em vídeo.

Hoje em dia, qualquer jogador de futebol, seja ele muito bom ou muito ruim, 
tem toda a sua carreira registrada em vídeo...

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

EM 7 DE SETEMBRO DE 1956, HÁ 60 ANOS ATRÁS, PELÉ MARCOU O 1º GOL DA SUA CARREIRA

Pelé aos 15 anos de idade marcou o 1º gol como jogador profissional. Desenho de MÁRIO ALBERTO.

E lá se vão 60 anos daquele 7 de Setembro de 1956 ( ver AQUI). 

Muito, mas muito antes de o placar de 7 a 1 deixar no brasileiro um sabor de piada amarga, esse mesmo número, essa mesma diferença de gols, essa mesma goleada entrava para a história como o começo de dias de glória para o futebol brasileiro. A partir do momento em que o árbitro Abílio Ramos autorizava, aos 30 minutos do segundo tempo, a entrada de um menino de 15 anos no time do Santos para substituir o craque Del Vecchio, começaria a contagem regressiva para o surgimento de um rei.

Pelé, o 3º da esquerda para a direita na fila de baixo, com 15 anos estreiou no time principal do Santos FC
Saiu Del Vecchio para entrar *Gasolina ( *alcunha de Pelé na época)? A correria vai acabar, Zito! E que rapaz é esse tal de Gasolina? perguntou o meio-campista Schank para o companheiro do Corinthians de Santo André, aliviado pela saída do astro santista, autor de dois gols na parcial vitória por 5 a 0 no amistoso em comemoração ao Dia da Independência.

O que Schank não sabia, o que Zito (do Corinthians de Santo André, não o craque santista) não suspeitava, o que o árbitro Abílio Ramos sequer imaginava, muito menos o goleiro Zaluar e o público presente ao estádio Américo Guazelli, é que aquele tal de Gasolina… magrinho, jeito quietinho, na dele, agitaria aquele jogo, o futebol, o mundo a partir dali. Bastaram seis minutos em campo para o Gasolina, como era mais conhecido e chegou a ser anunciado pelo alto-falante, virar o Pelé. E bastaram seis minutos para Schank se transformar na primeira vítima e personagem de uma das três versões contadas para o primeiro gol dos 1.281 celebrados pelo Rei do Futebol.
O primeiro gol de Pelé tem três versões diferentes contadas por 
Schank, Raimundinho e o goleiro Zaluar.
Schank, vítima do drible

Ao longo de uma carreira marcada pelas três Copas do Mundo conquistadas (1958, 1962 e 1970), o bicampeonato mundial pelo Santos, as duas Libertadores, os inúmeros títulos nacionais e regionais, as incontáveis e insuperáveis jogadas de cinema, Pelé virou mito, e esse primeiro gol entrou para a eternidade. Conta aí a sua versão, Schank:
Schank diz que levou drible (Foto: Arquivo pessoal)

– A bola veio da defesa, uma cabeçada ou um chute forte do Hélvio, zagueiro do Santos. Eu lembro bem porque eu estava marcando o Pelé,. eu era o meio-campista mais recuado. Ele pegou a bola no meio de campo e me driblou como quis. Depois passou pelo Zito, e olha que passar pelo Zito não era nada fácil… Aí veio mais um, o Dati… Ele chegou no Zaluar, o goleiro que tinha entrado e era muito bom, e tocou por baixo das pernas dele. Olhei pra cara do Zito e falei logo: “Aumentou a correria! Que garoto é esse Gasolina?” Nunca poderíamos imaginar que aquele menino se tornaria o Pelé, o cara que um dia ia parar uma guerra na África. Sabe o Robinho quando começou? Era como ele, magrinho, perna fininha, rápido… – deu a sua versão o todo orgulhoso Schank, hoje com 81 anos.


Schank, que ao pendurar as chuteiras virou dirigente e após passou a dar aulas em escolinhas, hoje já tirou o pé do acelerador e vive com mais tranquilidade. Fez questão de dizer: não quer, absolutamente, desmentir as outras versões. Contou o que lembra do lance. A bola teria sobrado para Pelé no meio-campo após uma cabeçada (ou chutão) do defensor Hélvio.


Versão diferente da narrada pelo meia Raimundinho, ( na foto à esquerda com Pelé) do Santos. Ele, por sinal, também entrara no segundo tempo. Raimundinho faleceu em 2007, mas antes, em entrevista ao GloboEsporte.com, ao repórter Adílson Barros, em 2006, contou que o gol surgiu após tabelinha entre ele e Tite, outro atacante santista. Raimundinho tocou para Pelé, que dominou entre os zagueiros e bateu por baixo de Zaluar.

Ele ficou tão emocionado com aquele momento que queria abraçar todo mundo – lembrou à época Raimundinho, considerado o autor do passe decisivo.

Face e corpo de menino, 
Pelé tinha 15 anos quando marcou o primeiro gol pelo Santos FC.
(Foto: Reprodução / twitter)


A terceira versão para o gol de Pelé foi do goleiro Zaluar, na foto abaixo. 
E até ele entrou no segundo tempo, no lugar de Antoninho, que já não era o titular. Falecido em 1995, contou para o site Paixão Canarinha, em 1972, que Pelé recebera passe de Jair Rosa Pinto, famoso craque dos anos 1940 e 1950, ex-Vasco, Flamengo e Palmeiras, e não de Raimundinho. O goleiro afirmou ainda ter gritado para o zagueiro Mário, mas Pelé foi mais rápido, aplicou um chapéu em um dos marcadores e, cara a cara, tocou entre suas pernas.

Eu tinha condições de defender aquela bola. Quando o Jair lançou o rapaz, gritei para fazerem a cobertura. Poderia ter entrado duro mas não tive coragem quando vi as canelas finas do menino. Pelé balançou o corpo para a direita, para a esquerda… Quando percebi, já tinha tocado a bola no meio de minhas pernas – afirmou para o site Paixão Canarinha.

O lance abriu o caminho para a trajetória do Rei e tornou Zaluar conhecido. Depois que encerrou a carreira, ele se tornou fiscal de vendas da Prefeitura de Santo André. E se apresentava com um cartão profissional em que se intitulava o primeiro goleiro a sofrer gol de Pelé. A vibração com o feito o levou a fazer uma camisa com as inscrições “Goleiro Rei Pelé 0001” que usava no time de veteranos do Aramaçan. 

E o grito de independência do primeiro gol de Pelé, ecoando em três versões, chega à sua terceira idade.



Ficha do jogo:

Corinthians de Santo André 1 x 7 Santos
Data: 7 de setembro de 1956
Local: Estádio Américo Guazelli (Santo André-SP)
Juiz: Abílio Ramos
Corinthians F. C. de Santo André: Antoninho (Zaluar), Bugre (Mario) e Chicão (Dati); Mendes, Zito e Tonico; Vilmar, Cica e Teleco (Odilio); Rubens e Doré.
Técnico: Jaú.
Santos: Manga, Hélvio e Ivan (Cássio); Ramiro (Fioti), Urubatão e
Zito (Feijó); Alfredinho, Alvaro (Raimundinho) e Del Vecchio (Pelé);
Jair e Tite.
Técnico: Lula.
Gols: Alfredinho aos 28, Álvaro aos 30, Del Vecchio aos 34 e Alfredinho
aos 41 do 1º T, Del Vecchio aos 15, Pelé aos 36, Wilmar (Corinthians)
aos 41 e Jair aos 44 do 2º T.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Zaluar: o goleiro que levou o primeiro gol de Pelé. E festejou para sempre...E Antonio Schank, meio-campo do Corinthians de Santo André neste jogo, conta-nos como foi o primeiro gol do Rei...

Retirado DAQUI

O goleiro Zaluar, em quem Pelé fez o seu
1º gol como profissional.
Sofrer um gol é motivo de lamento para qualquer goleiro. Ainda mais se ele ocorrer em uma goleada. De 7 a 1. Mas para um goleiro em especial, o gol que levou virou fonte de orgulho. E virou marca registrada. Destacada até no cartão de visita.                                                                                                                              Zaluar era o goleiro reserva do Corinthians de Santo André, cidade do interior do estado de São Paulo em 7 de setembro de 1956. Naquele dia, o time enfrentou o Santos Futebol Clube em um amistoso no estádio Américo Guazelli, em Santo André, no feriado da Independência do Brasil. O goleiro iniciou o jogo no banco de suplentes e entrou em campo durante a partida. Com a missão de tentar evitar um prejuízo maior para o time da casa diante de jogadores como Jair Rosa Pinto, titular da seleção na Copa de 50, Del Vecchio, Zito e Tite.

E de um menino de 15 anos de idade, que, assim como Zaluar, entrou no jogo apenas no 2º tempo. Para disputar seu primeiro jogo pelo time principal do Santos Futebol Clube. Um menino chamado Edson Arantes do Nascimento, que substituiu o experiente Del Vecchio quando o placar já indicava 5 x 0 para o Santos FC.
Aos 36 minutos, o zagueiro santista Hélvio disputou um lance pelo alto e a bola sobrou na altura do meio-campo para Pelé. O adolescente dominou a bola, arrancou, passou pelo meio-campo Schank (falaremos de Schank mais abaixo) driblou mais um marcador, invadiu a área e tocou a bola por baixo das pernas do goleiro. Que era…Zaluar. Era o sexto gol do Santos naquele dia. E o primeiro da carreira profissional do jovem que, menos de dois anos depois, seria peça fundamental para que o Brasil conquistasse pela primeira vez o título mundial, na Suécia.
zaluarcartaoCom o tempo, Zaluar percebeu que havia participado de um momento histórico. E fez questão de divulgar isso até falecer, em 1995. Para quem lhe procurava, entregava um cartão de visita (foto ao lado) em que constava não apenas o seu nome completo: Zaluar Torres Rodrigues.   Este vinha acompanhado de um complemento: “goleiro do primeiro gol de Pelé”. E a data histórica: 07/09/1956.
E nos jogos entre ex-jogadores profissionais que disputava, usava um uniforme especial. Personalizado. Com o seu nome na parte da frente acompanhado da inscrição “Goleiro Rei Pelé 0001″.
Nunca um goleiro gostou tanto de ter levado um gol. Não um gol qualquer. Mas o número um dos 1.284 marcados por Pelé em sua carreira.
Aqui abaixo, a súmula do jogo:
Corinthians de Santo André 1 x 7 Santos
Data: 7 de setembro de 1956
Local: Estádio Américo Guazelli (Santo André-SP)
Juiz: Abílio Ramos
Corinthians de Santo André – Antoninho (Zaluar); Bugre e Chicão (Talmar); Mendes, Zico e Schank; Vilmar, Cica, Teleco (Baiano), Rubens e Dore. Técnico: Jaú.
Santos – Manga; Hélvio e Ivan (Cássio); Ramiro (Fioti), Urubatão e Zito (Feijó); Alfredinho (Dorval), Álvaro (Raimundinho) e Del Vecchio (Pelé); Jair e Tite. Técnico: Lula.
Gols: Alfredinho (30), Del Vecchio (32), Álvaro (36), Alfredinho (41), Del Vecchio (61), Pelé (81), Vilmar (86) e Jair (89).
Pelé retornou ao Estádio Américo Guazzelli, em Santo André, em 1968. Famoso, rico, casado. Ganhou um troféu no estádio onde assinalou o seu primeiro gol como profissional, na célebre data de 7/9/1956. Não jogou em 1968. Assistiu ao jogo do banco de suplentes acompanhado da sua mulher na época, Rosemari Cholbi do Nascimento.
Pelé em 1968 no Estádio onde marcou seu 1º gol como profissional.
Antonio Schank - "Pelé me driblou antes de marcar o primeiro gol como profissional"
Retirado DAQUI

7 de setembro de 1956. Os times do Corinthians de Santo André e do Santos perfilados antes do jogo. Assinalados com uma seta: à esquerda, o meio-campo Schank, e à direita, um menino de 15 anos, Pelé. (Foto: Antonio M.Manias/ Reprodução: Luciano Vicioni)

Antonio Schank Filho, 78 anos (foto ao lado), dá aulas de futebol para rapazes de 7 a 16 anos no Ipec (Instituto Palestra de Ensino e Cultura), em São Bernardo do Campo (SP). Provavelmente, nenhuma dessas crianças sequer imagina que aquele senhor participou de um evento histórico e crucial para o esporte mundial: o primeiro jogo de Pelé como profissional, em 7 de setembro de 1956, no extinto estádio Américo Guazelli, em Santo André (SP). Schank era o meio-campo do time adversário, o Corinthians de Santo André, que foi derrotado por 7 a 1. Na época, o jornalista Ary Fortes descreveu o primeiro gol do Rei da seguinte forma no jornal A Tribuna, de Santos: 
‘Tite com lançamento já na área a Pelé. Em meio de vários defensores contrários, atirou Pelé com sucesso, passando a pelota sob o corpo do goleiro Zaluar’’
Mas vejam, na entrevista exclusiva, que a história não foi tão simples assim:

FUTEPOCA - Quando o senhor começou a jogar futebol?
Antonio Schank Filho - Com 14 anos, em 1948, no juvenil do São Caetano, um time que já não existe e não tem nada a ver com o que está aí. Depois, em 1951, fui para o juvenil do Nacional, na capital. Fomos campeões paulistas da categoria naquele ano, derrotando o São Paulo na decisão. Foi 2 a 1, no Pacaembu.

FUTEPOCA - Foi lá que o senhor se profissionalizou?
Schank - Sim, mas fiz apenas algumas partidas e depois fui para o Juventus. Joguei o campeonato paulista de 1954 e o do ano seguinte pelo Juventus. O Oberdan Catani, em fim de carreira, era o nosso goleiro.

FUTEPOCA - E depois, como o senhor foi parar no Corinthians de Santo André?
Schank - O Palmeiras estava querendo me contratar, mas eu quebrei a perna e fiquei três meses parado. Daí me emprestaram para o Corinthians de Santo André, entre 1955 e 1956.

FUTEPOCA - E aquela partida, a primeira do Pelé como profissional, o senhor se lembra de detalhes?
Schank - Sim, lembro muito bem, joguei a partida inteira. O Pelé era um rapazinho franzino, entrou no segundo tempo, no lugar do Del Vecchio, que era na época o craque do time.
O Jaú, que era nosso treinador, falou que iríamos virar e ganhar. Quando o alto-falante anunciou que ia sair o Del Vecchio (no início do segundo tempo), principal jogador deles, pensamos que ia ser mais fácil. O Pelé nem era o Pelé, era o Gasolina quando o Waldemar de Brito o trouxe da cidade de Bauru. Mas que nada”, diverte-se até hoje com a história Schank, um dos jogadores driblados pelo Rei no lance do primeiro dos mais de mil gols. “Ele passou por mim, dois zagueiros e chutou no meio das pernas do Zaluar”, descreveu. 

O ex-volante Antônio Schank tentou parar Pelé naquele jogo do Corinthians de Santo André contra o Santos. Foto: Andris Bovo
O ex-volante Antônio Schank tentou parar Pelé
naquele jogo do Corinthians de Santo André
contra o Santos. Foto: Andris Bovo
FUTEPOCA - O senhor se lembra do lance do primeiro gol do Pelé?
Schank - Lembro. O Hélvio, zagueiro do Santos, disputou um lance de cabeça e a bola sobrou no meio-de-campo para o Pelé. Eu era o meio-campo defensivo e fui o primeiro a dar combate. Ele me driblou, depois passou por um de nossos zagueiros e entrou na área. O Zaluar, goleiro, tentou se jogar nos pés dele, mas o Pelé tocou a bola entre suas pernas. Bonito gol.

FUTEPOCA - O talento do rapaz chamou a atenção do senhor, naquele momento?
Schank - Não, ele era um rapazinho muito novo, quase uma criança. Eu nunca poderia pensar que ele se tornaria o melhor jogador de todos os tempos.

Nota do autor: Este blog tem recebido visualizações de páginas de pessoas todo o mundo, e por vezes os textos originais são modificados por mim em razão de facilitar as traduções para os vários idiomas no GOOGLE TRADUTOR.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O dia em que Pelé quase abandonou o Santos...e o futebol





O dia em que o Rei do Futebol quase parou

Pelé chega ao Santos aos 15 anos.Na foto, a 1ª entrevista ao jornalista De Vaney
O menino negro, com menos de 16 anos, já havia descido boa parte dos degraus 
que o levariam do alojamento dos amadores do Santos para a saída da Vila Belmiro. 
Na mala cáqui quadrada que levava à mão, iam todos os seus pertences. 
Na cabeça, uma decisão: voltar para Bauru. 
Para perto da família, dos amigos do Baquinho, o time da cidade. 
De tudo aquilo que sentia saudade. 
Quem sabe, assim, esqueceria de vez o pênalti perdido alguns dias antes, 
contra o Jabaquara, na decisão do Campeonato de Juniores de Santos de 1956.

Foi quando uma voz interrompeu os seus pensamentos: 
"Cadê a autorização para sair? Sem autorização você não sai daqui". 
O dono da voz era Sabuzinho, um humilde funcionário do Santos, 
filho da cozinheira do clube que, 
àquela hora (perto das seis da manhã), se preparava para ir à feira. 
O garoto fujão, pego em flagrante, era Pelé.
"Já pensou que besteira eu ia fazendo?", diz, hoje, o Rei, mais de 42 anos depois do episódio.
"Eu não queria parar. Mas aquilo poderia mesmo ter prejudicado definitivamente a minha carreira. Talvez por aquele ato de indisciplina eles não me deixassem mais voltar para o Santos. Por isso, agradeço até hoje ao Sabuzinho." 

Anos depois, esse mesmo Sabuzinho - na época auxiliar de roupeiro e uma espécie de faz-tudo no clube - morreu diante dos olhos de Pelé. "Como estávamos de folga, fomos pescar no alto de uma pedra na Praia Grande", conta. "Estávamos eu e o Cláudio, goleiro do Santos, quando Sabuzinho escorregou na pedra e caiu no mar. Fomos buscar socorro, mas não teve jeito."
Em outubro de 1956, Pelé já era mais que uma promessa. Havia marcado o seu primeiro gol pelo Santos algumas semanas antes, em um amistoso contra o Corinthians de Santo André. E todos na Vila Belmiro sabiam do seu potencial. Na verdade, Pelé só não estreara ainda em jogos de campeonato porque o técnico Lula julgava "temeroso" lançá-lo em final de temporada.

Naqueles dias, porém, o time de juvenis (atual juniores) do Santos decidiria o título da cidade contra o Jabaquara. Promovido pela Liga Amadora local, aquele campeonato tinha, para os torcedores e para os dirigentes locais, uma importância impensável em nossos dias.
Daí o grande público presente na Vila Belmiro.
E daí, também, a idéia lançada por alguém da diretoria às vésperas da partida: "Que tal reforçarmos o nosso time com Pelé?"
Nada mais natural. Com 16 anos incompletos, Ele ainda poderia jogar tanto no infantil quanto no juvenil. "Era o meu primeiro ano no clube", relembra Pelé. "Topei de cara, porque àquela altura, para mim, tudo era festa."
A partida se aproximava do final. O Jabaquara só precisava do empate, mas vencia por 1 x 0, garantindo o tricampeonato da cidade. Foi quando o juiz Romualdo Arppi Filho, também um garoto de apenas 17 anos, marcou um pênalti a favor do Santos.

"Pelé bateu devagar, no canto direito. E eu quase bati a cabeça na trave para defender. Mas acabei ficando com ela", orgulha-se até hoje, aos 60 anos, o ex-goleiro FininhoQue, no entanto, faz uma ressalva em relação à atuação do Rei: "Pelé já era o foco das atenções. Apesar da infelicidade de perder o pênalti, jogou muito bem naquele dia".
Pelé, no entanto, não se conformava. "Aquilo me arrebentou", confessa. "Fui vaiado depois do jogo e só pensava em voltar para Bauru."
Ali mesmo, na saída do gramado, Ele foi cercado pelos profissionais do clube, que assistiam à partida. Principalmente pelo ponta-esquerda Tite (sim, ele mesmo, que hoje é treinador).

Campeão paulista pelo Santos em 1955 (seria bi naquele mesmo ano), Tite era um grande amigo de Waldemar de Brito, o homem que levou Pelé para o clube. Por isso mesmo, tornou-se, informalmente, uma espécie de "padrinho" do jovem Pelé naqueles primeiros tempos.

Ao ver o garoto abalado, chorando enquanto saía de campo, Tite passou-lhe a mão na cabeça. Disse que todo mundo, "inclusive os maiores jogadores da história", também já haviam perdido pênaltis.
E encerrou, profético: 
"Levante a cabeça, garoto. Daqui para a frente, você terá, ainda, muitos outros pênaltis para bater. E mais umas 1 000 chances de marcar".

1956
No dia 8 de agosto, Pelé chega ao Santos.
No dia 7 de setembro, Pelé marca seu primeiro gol pelo Santos, na vitória de 7 a 1, sobre o Corinthians de Santo André, no goleiro Zaluar Torres Rodrigues.
Neste ano, Pelé conquistou seu primeiro título pelo time 
(campeão da Taça Gazeta Esportiva), em 24 jogos invicto.
*Reportagem originalmente pertencente à edição de número 1.149 da revista Placar, de de março de 1999, e republicada com motivo do aniversário de 70 anos de Pelé.

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