Antonio Schank Filho, 78 anos (foto ao lado), dá aulas de futebol para rapazes de 7 a 16 anos no Ipec (Instituto Palestra de Ensino e Cultura), em São Bernardo do Campo (SP). Provavelmente, nenhuma dessas crianças sequer imagina que aquele senhor participou de um evento histórico e crucial para o esporte mundial: o primeiro jogo de Pelé como profissional, em 7 de setembro de 1956, no extinto estádio Américo Guazelli, em Santo André (SP). Schank era o meio-campo do time adversário, o Corinthians de Santo André, que foi derrotado por 7 a 1. Na época, o jornalista Ary Fortes descreveu o primeiro gol do Rei da seguinte forma no jornal A Tribuna, de Santos:
‘‘Tite com lançamento já na área a Pelé. Em meio de vários defensores contrários, atirou Pelé com sucesso, passando a pelota sob o corpo do goleiro Zaluar’’.
Mas vejam, na entrevista exclusiva, que a história não foi tão simples assim:
FUTEPOCA - Quando o senhor começou a jogar futebol?
Antonio Schank Filho - Com 14 anos, em 1948, no juvenil do São Caetano, um time que já não existe e não tem nada a ver com o que está aí. Depois, em 1951, fui para o juvenil do Nacional, na capital. Fomos campeões paulistas da categoria naquele ano, derrotando o São Paulo na decisão. Foi 2 a 1, no Pacaembu.
FUTEPOCA - Foi lá que o senhor se profissionalizou?
Schank - Sim, mas fiz apenas algumas partidas e depois fui para o Juventus. Joguei o campeonato paulista de 1954 e o do ano seguinte pelo Juventus. O Oberdan Catani, em fim de carreira, era o nosso goleiro.
FUTEPOCA - E depois, como o senhor foi parar no Corinthians de Santo André?
Schank - O Palmeiras estava querendo me contratar, mas eu quebrei a perna e fiquei três meses parado. Daí me emprestaram para o Corinthians de Santo André, entre 1955 e 1956.
FUTEPOCA - E aquela partida, a primeira do Pelé como profissional, o senhor se lembra de detalhes?
Schank - Sim, lembro muito bem, joguei a partida inteira. O Pelé era um rapazinho franzino, entrou no segundo tempo, no lugar do Del Vecchio, que era na época o craque do time.
O Jaú, que era nosso treinador, falou que iríamos virar e ganhar. Quando o alto-falante anunciou que ia sair o Del Vecchio (no início do segundo tempo), principal jogador deles, pensamos que ia ser mais fácil. O Pelé nem era o Pelé, era o Gasolina quando o Waldemar de Brito o trouxe da cidade de Bauru. Mas que nada”, diverte-se até hoje com a história Schank, um dos jogadores driblados pelo Rei no lance do primeiro dos mais de mil gols. “Ele passou por mim, dois zagueiros e chutou no meio das pernas do Zaluar”, descreveu.
 |
O ex-volante Antônio Schank tentou parar Pelé naquele jogo do Corinthians de Santo André contra o Santos. Foto: Andris Bovo |
FUTEPOCA - O senhor se lembra do lance do primeiro gol do Pelé?
Schank - Lembro. O Hélvio, zagueiro do Santos, disputou um lance de cabeça e a bola sobrou no meio-de-campo para o Pelé. Eu era o meio-campo defensivo e fui o primeiro a dar combate. Ele me driblou, depois passou por um de nossos zagueiros e entrou na área. O Zaluar, goleiro, tentou se jogar nos pés dele, mas o Pelé tocou a bola entre suas pernas. Bonito gol.
FUTEPOCA - O talento do rapaz chamou a atenção do senhor, naquele momento?
Schank - Não, ele era um rapazinho muito novo, quase uma criança. Eu nunca poderia pensar que ele se tornaria o melhor jogador de todos os tempos.
Nota do autor: Este blog tem recebido visualizações de páginas de pessoas todo o mundo, e por vezes os textos originais são modificados por mim em razão de facilitar as traduções para os vários idiomas no GOOGLE TRADUTOR.