FILME PELÉ ETERNO

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A prova definitiva de quem é o melhor jogador de sempre
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terça-feira, 5 de outubro de 2021

Crônica de Armando Nogueira sobre a final da Libertadores entre Santos x Penãrol 1962


Mais uma crônica do genial Armando Nogueira sobre Pelé.
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A imprensa uruguaia passara a semana inteira a falar do grande jogo, destilando otimismo. Fazia uma única advertência: que o Peñarol tivesse cuidado com Pelé, que o marcasse de perto - e aí estaria a fórmula da vitória certa. 

Em Buenos Aires, entre duas bombas e uma greve dos quarteirões do estádio Monumental de  Nuñez, os jornais exaltavam a equipe uruguaia, destacando, contudo, que era preciso ter todas as atenções concentradas em Pelé. 
Bem vigiado, Pelé estaria sem condições para marcar e, certamente, ganharia o Peñarol.

No hotel, em Buenos Aires, antes de tomar o ônibus para o estádio do River Plate, o técnico Bela Gutman recomendou: 
cerquem o Pelé e ganharemos

No vestiário, quase à hora de entrar em campo, o time do Peñarol foi convocado a um canto pelo técnico Bela Gutman:
-Você, defesa-direito, só tem uma tarefa hoje: marque o Pelé naquelas entradas dele pela meia esquerda. A cobertura será feita pelo defesa-interior-esquerdo. O esquema é infalível.

Adiante, Bela Gutman chamou o defesa-interior-esquerdo: 
" Você hoje só precisa fazer uma coisa: marque o Pelé naquelas entradas pela meia direita. A cobertura é do defesa-direito.
O defesa-direito, por sua vez, será coberto pelo lateral toda vez que Pelé entrar pela meia."

Bela Gutman chamou o goleiro: 
"Você fica de olho nas bolas pingadas na pequena área: cuidado com Pelé que é perigoso nas cabeçadas. Com outros, não precisa se preocupar; bloqueie sempre os saltos do Pelé.

Chamou, por fim, os dois meio-campistas e pediu que ajudassem os quatro defesas na missão um tanto incômoda, reconhecia, de marcar Pelé. Incômoda, mas não impossível. Afinal de contas, Pelé não tem nada de super-homem. Basta vigiá-lo com cuidado, com rigor, mobilizando as melhores energias de time que ele ficará imobilizado. 

Tudo perfeito, tudo assentado, o Exército Argentino conjugado ao Exército Uruguaio, com a cobertura da Marinha e da Aviação. 

Jogo lançado, Pelé é marcado, Pelé é vigiado, Pelé é ultra vigiado, Pelé é cercado, Pelé é  agarrado, Pelé é derrubado, Pelé é sufocado.

Bola na área, gol de Pelé.

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Crônica de Armando Nogueira sobre o 1000º ( 2 )

Mais uma grande crônica de Armando Nogueira, o homem que vestia as palavras do texto com smoking e traje de gala, sobre o 1000º gol de Pelé.



Em 21 de novembro de 1969, na sua coluna diária "Na Grande Área" no Jornal do Brasil, o Mestre Armando Nogueira escreveu:
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Não pode ser mais expressiva a lista de autores ilustres do futebol mundial que se manifestaram, ontem, sôbre o recorde assombroso de Pelé, marcando mil gols: Bobby Charlton, Bobby Moore, Stanley Matthews, Pedro Rocha, Uwe Seeler, Beckenbauer, Juan Schiaffino, Just Fontaine. E todos exaltam, não apenas o gênio criador de Pelé ( "um processo artístico em desdobramento" como disse Charlton ), Mas a valentia com que enfrentou todos os golpes em nome de um gol e, acima de tudo, a sua personalidade, que Schiaffino define como "simplesmente notável".

Gosto de ver tanta gente respeitável do futebol render homenagem à figura humana de Pelé, avalizando, afinal de contas, o que em 1965, escrevia eu, nesta coluna: "Pelé é a maior personalidade popular que conheci em tôda a minha vida de repórter".

E notem que essa turma não ouviu nem viu a cena mais grandiosamente humana da história de Pelé: êle, sufocado de microfones, de flashes, de câmaras, no meio do campo a pedir entre soluços que o povo brasileiro o escutasse:

- Pelo amor de Deus - clamava Pelé com a voz mais sofrida e mais corajosa que eu jamais ouvira em alguém de vida pública - pelo amor de Deus, agora, que sei que todos vocês estão me escutando, não deixem de ajudar as crianças pobres. Minha gente ( e chorando, chorando muito ) vamos pensar no Natal das crianças pobres, no Natal dos velhinhos, tem tanto velhinho sofrendo, por aí. Não vamos pensar só em festa, não. Pelo amor de Deus, vamos ajudar as crianças!

Se os Charlton, Seeler, Rocha, Gento, que são também vidas gloriosas do futebol mundial, se êles tivessem visto, como eu vi, aquêle momento de luminosa humildade de Pelé, tenho certeza de que teriam chorado um pouquinho, também.



Palavra, às vêzes fico pensando: será que a população incontável dos estádios mundiais tem idéia do serviço que, há mil gols, Pelé, vem prestando á consagração do futebol? Não apenas pelos gols que êle já fêz, mas pela arte e pela dignidade com que o faz; nem pelo equilíbrio olímpico com que acolhe as derrotas e os triunfos do campo de jôgo, mas sobretudo pela humildade com que desfruta as glórias de seu idolatrado suor.

A vida social dêsse rapaz é uma sucessão de gestos edificantes: sua fama é regida por normas morais que valem, em si, preciosas lições à juventude. Por exemplo: não há dinheiro no mundo que leve Pelé a fazer anúncio de cigarros e de bebidas alcoólicas. Já lhe fizeram propostas milionárias, tanto de marcas de fumo quanto de uísque e vermute - e êle, polidamente, recusou. E nem se pense que Pelé estaria materialmente à vontade para repelir o negócio porque tais propostas começaram a chover, justamente, no momento em que êle vivia, há alguns anos, terríveis dificuldades financeiras, dificuldades das quais, é bom que todos saibam, até hoje êle não se livrou de todo.

Pelé desfilou em carro aberto em cinco países da África, onde o querem como a um deus; já foi recebido por príncipes, reis, presidentes e pelo Papa, encontro, aliás, retratado pelo jornal inglês The Observer com uma legenda de primeira página, assim: "Pelé e um fan".
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Na legenda destacada em amarelo está escrito:
"Em Roma - o maior futebolista do mundo, Pelé, e um fan."

Pelé recebe centenas de cartas semanais do mundo inteiro. Algumas, para inveja daquela loja, só trazem o nome... e mais nada. E chegam direitinho a Santos. Eu mesmo já vi vários envelopes de cartas européias endereçadas a Pelé: um sêlo, o nome Pelé, sem falar sequer em Brasil.

Pelé já foi tentado por centenas de microfones, nacionais e intenacionais, querendo envolvê-lo, rendosamente, em disputas políticas; e êle jamais fraquejou. Nunca disse uma inconveniência a um jornalista, falando, sempre, com o maior equilíbrio, seja fora de campo, seja em plena tensão de uma partida.

E tudo isso acontece na vida dia e noite festejada dêsse rapaz sem que êle demonstre um pingo de máscara* ( *comportamento de vedete arrogante, como muitos hoje em dia que pensam que são os maiores do mundo ): onde quer que chegue, Paris ou Itacoatiara, Pelé é esfixiado pelos caçadores de autógrafos e pela imprensa. Eu confesso a vocês que, em tantos anos de encontros em estádio e concentrações, eu só entrevistei Pelé duas ou três v~ezes, apesar de ser êle uma pessoa solícita e, jornalisticamente, sempre interessante. Mas, é que eu fico com pena dêle, coitado, metido no massacre das admirações sem fim: despede-se um padre, aproxima-se um colégio inteiro, vai-se o colégio, já estão na fila três jornalistas italianos, dois tchecos e um canadense para entrevistá-lo; e êle resiste a tudo isso com uma paciência que só vi em candidato na véspera de eleição, assim mesmo, candidato azarão e em eleição de voto direto e secreto.

Aliás, por falar em candidato, tomara que o Govêrno leve adiante a idéia de criar o Ministério do Esporte: meu candidato a essa Pasta - meu e de todo mundo - chama-se Pelé.


Nota:👉 O jornal londrino The Observer dedicou esta página inteira de 20 de março de 1966, com uma reportagem sobre o futebol brasileiro, antes da Copa do Mundo naquele ano na Inglaterra.
Ainda não tive tempo de traduzir, mas quem souber inglês e quiser ler o texto, é só clicar no link abaixo.
👉Já aviso que em nenhuma parte do texto está escrito "gol oficial" ou gol-não oficial".

LINK THE OBSERVER, 20/03/1966👉AQUI

terça-feira, 23 de março de 2021

Crônica de Armando Nogueira sobre Pelé ( 1 ) - O 1000º

Introdução: Se hoje em dia, voce perguntar a qualquer jornalista, consagrado ou em início de carreira, o que ele pensa sobre Armando Nogueira, certamente a resposta será uma destas palavras: Gênio, brilhante, espetacular, fantástico, mestre, ou qualquer adjetivo semelhante.

Na foto abaixo, acima do público, estão as cabines de rádio e televisão do Maracanã. 
Armando Nogueira estava em uma delas em 19 de novembro de 1969, e foi mais um, entre as mais de 65 mil pessoas presentes no estádio, que viu e testemunhou, ao vivo, a cores e em tempo real, o 1000º gol de Pelé.
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Jornalista muito acima da média, era respeitado e admirado por todos os seus colegas de profissão, a quem chamavam de Mestre Armando Nogueira ( Armando e Nélson Rodrigues são considerados pelo jornalismo brasileiro como os "Papas da crônica esportiva", ou se preferirem, os Pelés da crônica esportiva.

Mestre Armando cobriu todas as Olimpíadas desde 1980 e todas as Copas do Mundo entre 1954 e 2010, ano de sua morte. Entre os muitos atributos como jornalista, cronista e redator, foi pioneiro também na televisão, sendo um dos criadores do "Jornal Nacional" da TV GLOBO, até os dias de hoje líder de audiência.


Na minha modesta opinião, quem melhor definiu o que eram as crônicas de Armando Nogueira foi o jornalista Paulo César Vasconcelos: "Armando quando escrevia, vestia as palavras com smoking e traje de gala".

Mestre Armando foi diretor de jornalismo na GLOBO e no Jornal do Brasil, portanto tinha que ser ( e era ) um homem muito bem informado sobre tudo, não apenas sobre futebol. 
Portanto se "gol oficial" e "gol não-oficial" existissem e fossem regra geral na época, Mestre Armando Nogueira certamente saberia. E como homem honesto e íntegro que era, contestaria os 1000 gols, e não teria vestido com traje de gala as palavras desta crônica antológica, certo?



Em 21 de novembro de 1969 na página 21 do Jornal do Brasil, Mestre Armando Nogueira escreveu em "Na Grande Área", sua coluna diária no jornal, esta crônica antológica sobre o gol 1000.
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"Um amigo me telefona, cedinho, para insistir na reação do primeiro momento: gostara de ver Pelé fazer o milésimo gol, mas preferia que não fosse de pênalti porque, “de pênalti, não teve muita graça”.
Assim também chegara a pensar o próprio Pelé, antes de ver a bola morrer ( ou nascer ) no fundo da rêde. Tanto que ameaçou refugar, coerente com afirmações anteriores de que se lhe tocasse encerrar o balanço com gol de pênalti, passaria a bola a outro jogador.

E, no entanto, na hora de fazer o gol-símbolo de sua vida, Pelé não poderia merecer do futebol distinção maior: o estádio imenso, o silêncio musical da multidão, a côrte de parceiros e rivais em tôrno dele, imóveis; a bola, proibida de todos, a seus pés – e uma eternidade para chutá-la, pois só aí a lei do futebol oferece o privilégio de estender indefinidamente o jôgo até que se cumpra de todo o ritual do pênalti.

O gol de ação, o gol de movimento – esse, Pelé já fêz 999 vêzes, chutando bolas suadas, bolas sangrentas, bolas mortas, bolas vivas, divididas.

O gol dos deuses, bola no peito, três dribles verticais, um chute mortal – Pelé já fêz tantos.

O gol dos meninos, quantos Pelé já não fêz?, driblando defesas inteiras?

O gol dos espertos? Pelé já fêz: um dia, num córner, enlaçou o braço no braço de um beque e gritou em desespero: “Está me agarrando!” O árbitro marcou pênalti, Pelé chutou e fêz o gol.

O gol dos sonsos, Pelé também já fêz, capengando, de mentira, na meia-lua, e logo surgindo na pequena área, encontro marcado com a bola, antes do córner, antes do jôgo, muito antes de tudo e de todos.

Faltava-lhe, porém, fazer o gol feito, que é o gol da multidão, o gol de todos os testemunhos, o gol que ninguém no estádio, por descuido ou infortúnio, deixasse de ver, florescendo de seus pés, como já disse, tão amados.

Era preciso, sim, o cerimonial de um pênalti para nos compensar de tantos gols bonitos que êle fêz nesse milhar e que nos escaparam na vertigem da ação coletiva.

Abençoado é o pênalti que não castiga, mas gratifica: quando Pelé, no fundo da rêde, beijou mil vezes a bola do seu gol-símbolo, o estádio viveu um instante de libertação – e Pelé, mais um de consagração. Éramos, ali, uma doce multidão de crianças, reencontrando a bola da nossa infância.

Nunca, que eu saiba, a multidão participou tanto de um gol, pesadelo e sonho de Pelé – e de todos nós.

Fiquemos, pois, com a graça de uma noite de reecontro.

Que dêle seja a bola que renasceu com êle, no instante de um gol-sacramentado."

LINK JORNAL DO BRASIL, 21/11/1969, página 21👉 AQUI

domingo, 28 de junho de 2020

Se misturarem as melhores qualidades de Messi e CR7 num só jogador, a resposta é simples




Por MarcosAOTeixeira em 2019.

Vira e mexe, aparecem polêmicas que tentam comparar jogadores diferentes, de épocas diferentes, a vaticinam que este é melhor que aquele e pronto. A mais nova é sobre o melhor jogador de todos os tempos — ou GOAT (Greatest Of All Times, de acordo com as redes sociais): Messi, Cristiano Ronaldo ou Pelé.
O estopim foi a fase de oitavas de final da Liga dos Campeões de 2019, quando Cristiano passou por cima do Atlético de Madri e fez os três gols que classificaram sua Juventus aos quartos da competição. Um luxo. A resposta de Messi foi uma atuação de gala (mais uma) no passeio sobre o Lyon, completada na soberba partida feita na goleada sobre o Bétis, pelo Campeonato Espanhol.

Nada de novo, portanto, do que ambos já vêm fazendo há pelo menos 12 anos.

O duelo entre eles é o que há de mais bonito no futebol mundial e ninguém, atualmente, sequer está próximo dos dois. O português é o maior artilheiro da Liga das Campeões, torneio que conquistou em cinco oportunidades, o mesmo número de Bolas de Ouro que possui. Seis tem o argentino, que venceu a maior competição de clubes do mundo quatro vezes. Isso fora o que fazem no dia a dia, o que não é pouco, ainda mais se considerarmos os feitos dos jogadores, com marcas atrás de marcas, hat-tricks aos montes e atuações monumentais nos principais palcos do mundo.

Aí vem a questão: eles já superaram o Rei? Bom, vamos a alguns fatos: Pelé, na maior competição do futebol, a Copa do Mundo, tem três títulos nas quatro Copas que jogou, o mesmo número de Copas que tiveram Messi e Cristiano em campo. Messi, finalista em 2014, tem seis gols em Copas, todos na primeira fase; Cristiano, semifinalista em 2006, quando foi um jovem coadjuvante do time que tinha Figo como principal expoente, tem um a mais, e nenhum a partir das oitavas. Pelé, que marcou 12 gols, só na Copa de 58 fez seis, três deles na semifinal com a França e dois na final, sobre a Suécia, sede daquela edição. Pelé, então coroado Rei, tinha 17 anos.




Há quem diga que Pelé enfrentou jogadores menos capazes do que a dupla de antagonistas do Século XXI, que “o Campeonato Paulista nem se compara com com La Liga ou com a Champions”. Ora, entre os anos 1950 e 1960 — que concentram as três primeiras conquistas mundiais pela Seleção, fora os títulos mundiais do Santos FC, em 62–63 — os melhores jogadores estavam no Brasil. Todos os campeões das Copas de 1958 e 1962 disputavam o Rio-S.Paulo, torneio em que Pelé deitava e rolava, como fazia em todos. Nem na Copa do Mundo de 1970 havia um forasteiro sequer. Eis as listas:


 


1958:
Goleiros: Castilho (Fluminense) e Gylmar (Corinthians);
Laterais: De Sordi (São Paulo), Djalma Santos (Portuguesa), Nilton Santos (Botafogo) e Oreco (Corinthians);
Zagueiros: Bellini (Vasco), Mauro (São Paulo), Orlando (Vasco) e Zózimo (Bangu);
Meio-campo: Dida (Flamengo), Didi (Botafogo), Dino Sani (São Paulo), Moacir (Flamengo) e Zito (Santos);
Atacantes: Garrincha (Botafogo), Joel (Flamengo), Mazzola (Palmeiras), Pelé (Santos), Pepe (Santos), Vavá (Vasco) e Zagallo (Botafogo).






1962:
Goleiros: Castilho (Fluminense) e Gylmar (Santos);
Laterais: Altair (Fluminense), Djalma Santos (Palmeiras), Jair Marinho (Fluminense) e Nilton Santos (Botafogo);
Zagueiros: Bellini (São Paulo), Jurandir (São Paulo), Mauro (Santos) e Zózimo (Bangu);
Meio-campo: Didi (Botafogo), Mengálvio (Santos), Zequinha (Palmeiras) e Zito (Santos);
Atacantes: Amarildo (Botafogo), Coutinho (Santos), Jair da Costa (Portuguesa), Garrincha (Botafogo), Pelé (Santos), Pepe (Santos), Vavá (Palmeiras) e Zagallo (Botafogo).






1970:
Goleiros: Ado (Corinthians), Felix (Fluminense) e Leão (Palmeiras);
Laterais: Carlos Alberto (Santos), Everaldo (Grêmio), Marco Antonio (Fluminense) e Zé Maria (Portuguesa);
Zagueiros: Baldocchi (Palmeiras), Brito (Flamengo), Fontana (Cruzeiro) e Joel Camargo (Santos);
Meio-campo: Clodoaldo (Santos), Gerson (São Paulo), Rivelino (Corinthians) e Piazza (Cruzeiro);
Atacantes: Edu (Santos), Dario (Atlético Mineiro), Jairzinho (Botafogo), Paulo Cesar Caju (Botafogo), Pelé (Santos), Roberto Miranda (Botafogo) e Tostão (Cruzeiro).

Ou seja, este argumento, que tenta colar que os campeonatos europeus eram mais fortes que o Campeonato Paulista ou o Carioca, não se sustenta.

Há os que dizem que o futebol era muito mais fácil, que os sistemas táticos não eram tão fechados e que o futebol não era tão físico e veloz como é hoje. Não deixa de ser verdade, mas a tal facilidade é discutível: o esporte, como tudo no mundo, evoluiu. Se há menos espaços, e não há folga mesmo, as condições são bem melhores. Pelé pegou gramados ruins, equipamentos rústicos, bola pesada e uma época em que a medicina esportiva era incipiente, além do fato de o jogo ser mais violento, sem tantas câmeras pegando as pancadas que os jogadores levavam. 


Messi e Cristiano, por sua vez, têm à disposição uma equipe de profissionais, tratamentos que atenuam o desgaste físico das partidas, programas de computador que ajudam a analisar o desempenho, bolas que começam e terminam o jogo com o mesmo peso, gramados em perfeitas condições, uniformes que não retêm suor, não terminam o jogo empapados ou, como a pelota, com uma parcela da chuva que eventualmente tenha caído.


Alguns fatores favoreceram o Rei, é bom destacar, como ter companheiros de seleção melhores, mas não serve como desculpa, principalmente para Messi, porque Maradona com piores companheiros de seleção do que Messi, levou a Argentina a duas finais de Copa do Mundo, em 1986 e 1990, e foi campeão do mundo 1986. 

O principal deles é que ele, assim como Messi, vestiu a mesma camisa durante toda a carreira (a passagem pelo Cosmos aconteceu após a despedida oficial pelo Santos), não precisando se adaptar a novas formas de jogo e à vida em outros sítios. Nos dias de hoje, e isso é um ponto a favor do argentino, é praticamente inimaginável que Pelé permanecesse no Santos FC nos dias de hoje.

Da mesma forma, não resta dúvida de que o Rei seria um jogador ainda mais completo, uma vez que nasceu com todo aquele enorme talento. Pelé, que media 1,73m (achou que fosse mais alto, né?), provavelmente, seria mais alto e mais forte, considerando o resultado da sua aplicação, combinada com a evolução humana e os avanços em todas as áreas, incluindo a esportiva.

Temporada após temporada, Messi e Cristiano se reinventam, tornam-se melhores porque Messi é e Cristiano faz de tudo para ser, e consegue. Um é arte pura. O outro, obstinação. E a pergunta inevitável é a seguinte: como seria um jogador com o talento de Messi e a determinação de Cristiano?

A resposta é simples: este é Pelé.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

As estrelas de hoje conseguiriam sobreviver sem a proteção da FIFA e suas afiliadas?

Aqui Pelé recebe uma das muitas entradas violentas das quais ele
foi vítima durante a sua carreira. O adversário continuou em campo.
As estrelas do futebol de hoje conseguiriam sobreviver sem a proteção da FIFA, UEFA, COMENBOL e todas as outras afiliadas?

O futebol de hoje em dia é bastante vigiado com muito cuidado por 30 câmaras de TV, nada escapa aos olhos do slow-motion em super HD. 

E para que a verdade esportiva seja cumprida com rigor e imparcialidade, foi criado o VAR, para ajudar o árbitro em lances polêmicos ou em jogadas ilegais que o árbitro não consegiu ver em tempo real, que prejudicaram uma equipe em benefício do adversário.

Hoje em dia, os árbitros assinalam falta em lances que na época em que Pelé jogava nunca eram assinalados. Por vezes, o jogador leva cartão amarelo ( e às vezes cartão vermelho ) por simplesmente puxar a camisa do adversário. Hoje em dia, o último defensor que cometa falta no jogador adversário que vai sozinho em direção à baliza leva cartão vermelho.

Em 1970, um jogador uruguaio entra com os dois pés
nas pernas de Pelé. O uruguaio continuou em campo.
Na época em que Pelé jogava, muitas vezes a tática do adversário era cometer uma falta violenta logo no início do jogo, para tentar lesionar seriamente o melhor jogador do time adversário e assim tirá-lo de campo. 

Porque nesta época era muito raro o árbitro expulsar alguém do campo na primeira entrada violenta sobre o adversário. Não existiam os cartões amarelo e vermelho, nem haviam substituições. 

Apenas a partir da Copa do Mundo de 1970 é que os cartões e as substituições entraram em vigor.

Pelé era rápido, era esguio, era muito forte fisicamente, mas muitas vezes não conseguiu escapar da violência com que os seus marcadores o "brindavam". 

Talvez seja por esta razão que atualmente Pelé já não consegue estar de pé. 
Foram 2 décadas sempre tentando fugir da violência dos defensores adversários.
Foram 2 décadas levando porrada nas pernas sem a proteção que a FIFA oferece aos grandes astros do futebol de hoje em dia.


Já havia escrito sobre este assunto AQUI  onde mostrei os vídeos de dois verdadeiros craques, Zico e Maradona, que foram vítimas de extrema violência, além das poucas imagens registradas em vídeo onde Pelé é atingido de forma desleal por adversários.

As estrelas do futebol de hoje conseguiriam sobreviver sem as 30 câmaras de TV em HD? 
Sem cartões amarelos e vermelhos? 
Sem substituições?
Sem o Vídeo Árbitro?
Sem as punições da FIFA sobre a violência no futebol hoje em dia?

Jogadores como Cristiano Ronaldo, que são fortes fisicamente, talvez conseguissem, mas tenho dúvidas de que brilhariam tanto como hoje. 

E jogadores como Messi e Neymar, não tão fortes fisicamente, quanto tempo iriam aguentar? 

Pelé aguentou e...brilhou.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

"Hoje, por ser um analista, um cronista esportivo, eu ainda continuo a procurar um defeito técnico em Pelé... e não encontro. "

"Hoje, por ser um analista, um cronista esportivo, eu ainda continuo a procurar um defeito técnico em Pelé... e não encontro. "(Tostão, campeão do mundo em 1970)

Eu tinha 19 anos em 1966. Era minha primeira convocação para a seleção brasileira. A seleção brasileira fez um jogo-treino contra o Cru­­zeiro, em Caxambu, no interior de Minas, e meu pai foi me ver e assistir ao treino. Ele era louco para conhecer Pelé pessoalmente. Ao vê-lo, pediu um autógrafo, recebeu um abraço carinhoso de Pelé e chorou. Não é todo dia que um homem simples chega perto de um rei.

Pelé foi o maior jogador do mundo de todos os tempos porque tinha, no mais alto nível, todas as virtudes que um craque de sua posição precisa ter."


Tostão hoje em dia é cronista esportivo do jornal "A FOLHA DE SÃO PAULO"
"Hoje, por ser um analista, um cronista esportivo, eu continuo a procurar um defeito técnico em Pelé... e não encontro. "
Cena muitas vezes repetida quando Pelé e Tostão
jogavam pela Seleção Brasileira.

Pelé era muito habilidoso, técnico, criativo, forte, veloz, autoconfiante, ambicioso e aguerrido. Quanto mais difícil a partida, mais ele pedia a bola e se agigantava.

Além de tudo isso, Pelé, literalmente, enxergava mais do que os outros. A estrutura anatômica de seu globo ocular, com um olhar saliente e expressivo, aumentava seu campo visual.

Pelé parecia enxergar até o que estava às suas costas.

Antes de a bola chegar a seus pés, Pelé me olhava, parecendo di­­zer o que ia fazer. E fazia. Eu tentava acompanhá-lo. Não era fácil. A comunicação analógica, por meio de gestos, de olhares e de mo­­vi­­men­­­­tos do corpo, é menos exata, mas muito mais ampla do que a comunicação digital, com palavras.

Pelé tinha o que os especialistas chamam hoje de inteligência cinestésica. Parecia ter um megacomputador no corpo. Em fração de segundos, mapeava tudo o que estava a sua volta, observava os movimentos e calculava a ve­­locidade da bola, dos companheiros e dos adversários. Prefiro chamar isso de saber inconsciente, que antecede ao raciocínio lógico. Ele sabia, sem saber que sabia."

"As pessoas que não viram Pelé jogar ao vivo, no gramado ou na televisão, acham que o auge de Pelé foi na Copa de 1970. 
O esplendor técnico de Pelé foi de 1958, com 17 anos, até mais ou menos metade da década de 1960.

Antes da Copa de 1970, muitos diziam que Pelé estava pesado e que não conseguia jogar várias partidas seguidas com a mesma exu­­berância. Pelé sabia disso e se preparou para se despedir da seleção com grandes atuações e com o título mundial. Foi o que aconteceu.
A super equipe da Copa do Mundo de 1970, com um ataque de sonho:
Jair, Rivellino, Tostão, Pelé e Paulo César "Caju",
que jogou no lugar de Gerson no jogo contra a Inglaterra.

Pelé era um bom companheiro, no campo e na concentração. Ele gostava de ficar no quarto. Ele não tinha comportamento de super estrela, nem queria tratamento de super estrela nem privilégios. Tratava bem a todos. 


Durante o jogo, Pelé recebia orientações, broncas e não respondia com rancor.

Fora de campo, Pelé atendia a todos com um largo sorriso. Nunca o vi triste nem chateado.

Diferentemente de quase todas as grandes estrelas, em todas as atividades, em que há muitos conflitos entre a pessoa e o personagem, entre o criador e a criatura, Pelé e Edson viviam em harmonia. Pareciam a mesma pessoa. Um não incomodava o outro."

"Não conheço nada da vida pessoal de Pelé, mas deduzo que ele nunca foi um empresário. Foi e é um garoto-propaganda. Além de anunciar produtos, Pelé vendeu seu nome a empresas e passou a ter vários sócios, nem sempre honestos. Uma mistura de desconhecimento com ingenuidade e também de ambição com vaidade, características do ser humano. Isso não tira suas responsabilidades.

Pelé vive viajando pelo mundo, vendendo seu sorriso, sua simpatia e sua imagem. Para isso, procura ficar bem com todos, ser politicamente correto e parecer melhor do que é. Pelé não tinha defeitos. Edson tem, como todo cidadão.

Com raras exceções, os grandes mitos, em todas as atividades, não são, nunca foram nem se deve esperar que sejam exemplos de cidadãos. Eles são especiais por seus talentos."

"Pelé faz 70 anos. Aparenta ter muito menos.

Imagino que aos 90 o mundo irá vê-lo anunciando algum produto e sorrindo."

"Pelé parece eterno. E é. "O que a memória amou se tornou eterno." (Adélia Prado)

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Pelé na Grécia: para eternizar a vitória histórica, introduziram "o Santos de Pelé" na letra do hino oficial do clube

"Naquele momento, era um sonho para todos os jogadores, todos os times e todos os países receberem o Rei Pelé." 
Nota do autor: Este post vem demonstrar de forma clara e inequívoca que na europa ou em qualquer parte do mundo, os jogos amistosos contra Pelé eram encarados como final de Copa do Mundo. 
PELÉ vs Clubes Gregos
Contra as equipes gregas, são 4 jogos ao longo da história, com 3 vitórias e uma derrota.
• LISTA DE TODOS OS JOGOS:
28/06/1961 – AEK 0 x 3 Santos – Atenas – Amistoso ( *onde Pelé marcou o gol nº 400  ver AQUI)
30/06/1961 – Panathinaikos 2 x 3 Santos – Atenas – Amistoso
04/07/1961 – Olympiakos 2 x 1 Santos – Atenas – Amistoso
24/08/1966 – AEK 0 x 1 Santos – Nova York, EUA – Torneio de Nova York
Curiosamente, a única derrota contra os gregos, foi a partida mais importante diante dos clubes da Grécia. 
Em 1961, o Olympiakos derrotou o time santista por 2×1, e resolveu eternizar esse momento. 
Não era qualquer clube que conseguia vencer o grande time do Santos da década de 60, e devido a esse fato, os gregos ficaram lisonjeados de alcançar tal feito. 
Inseriram o Santos e o Rei Pelé, em seu hino oficial, para registrarem para sempre o momento em que derrotaram o temido Santos Futebol Clube.
• Confira o hino na íntegra, traduzido para em português:
A lenda da terra… Olympiacos
Coroado de louros e gloriosas
Você tem a força, Olympiacos
Que nunca te deixará abandonado
Olympi, Olympi, Olympiacos
O melhor e maior clube de todos
Meu amor é o maior de todos
Meu Olympiacos
Olympi, Olympi, Olympiacos
O melhor e maior clube de todos
Meu amor é o maior de todos
Meu Olympiacos
Glória aos seus filhos…Olympiacos
Mil canções para ti
És famoso em todas as partes
Eles tremem quando ouvem o seu nome: Olympiacos
Eles ainda lembram do seu nome: O Santos de Pelé
Olympi, Olympi, Olympiacos
O melhor e maior clube de todos
Meu amor é o maior de todos
Meu Olympiacos
Olympi, Olympi, Olympiacos
O melhor e maior clube de todos
Meu amor é o maior de todos
Meu Olympiacos.
Fontes e Referências:
Site Oficial do Olympiacos;

VÍDEO DAILY MOTION

CRÔNICA DO JOGO OLYMPIAKOS 2 x 1 SANTOS 
de 4 de JULHO de 1961 por 
Extraído  DAQUI



Tempos diferentes então. Até vitórias em jogos amistosos eram novidade. Especialmente quando a novidade era jogar com o Santos de Pelé. O "diamante negro" do futebol mundial, que se tornou um marco em seu país antes da Copa do Mundo da Suécia ser disputada em 1958. Depois houve o clímax da magia brasileira com o imparável 5: Garrincha, Pelé, Vavá, Didi e Zagallo.

A superpotência do futebol brasileiro, que montou sua própria dinastia, foi o  Santos FC de Pelé, Coutinho, Pepe, Zito, Gilmar. Todos campeões mundiais com o Brasil. 

Naquele momento, era um sonho para todos os jogadores, todos os times e todos os países receberem o Rei Pelé. 

Santos viajou pelos estádios da Europa anunciando o valor do futebol de seus jogadores em amistosos. Os principais clubes da Grécia arrecadaram dinheiro para garantir a viagem dos brasileiros e um jogo amistoso contra o time e o jogador de top.

SANTOS NA EUROPA
No verão de 1961, os membros do Santos fazem a jornada transatlântica e vêm à Europa para uma série de amistosos. Ninguém pode detê-los. Nem na Suíça, nem na França, nem o Benfica de Eusébio, nem o campeão da Itália, a Juventus de Omar Sivori, nem o grande Inter de Helenio Herrera.

Um dos lugares a visitar pelo Santos de Pelé se tornará a Grécia mais tarde. Olympiacos, Panathinaikos e AEK reúnem as despesas necessárias para viver um momento de mágica. Santos concorda em vir para a Grécia e, em 27 de junho, a notícia de que o Santos de Pelé pousou no Aeroporto Hellinikos faz o mundo girar...

Vitórias sobre AEK e PANATHINAIKOS
Primeiro oponente, o  AEK. Com Coutinho e Pelé, o Santos venceu o AEK por 3 a 0, marcando os três gols no primeiro tempo ( Neste jogo Pelé marcou o gol nº 400 ) . O próximo adversário seria o Panathinaikos. O Santos lidera por 3 a 0 ( Coutinho e Pelé 2 ), com os verdes diminuindo para um final de 3-2, graças a Panakis e Theophanis.

VALOR DO BILHETE DE 35 DRACMAS
Embora o Olympiacos estivesse em uma fase de transição, vindo das quatro duplas que venceu em 1954-1959, eles estavam dizendo aos brasileiros: "Amanhã vocês jogam com o maior time da Grécia". Eles estavam ansiosos para mostrar o seu valor.
Amanhece em 4 de julho de 1961, e Avenue está vestida de vermelho. Os fans do Olympiacos, querendo explorar financeiramente e reduzir a quantidade de dinheiro gasto para levar Santos à Grécia, estabeleceu um preço de bilhete de 35 dracmas. Ou seja, quase três vezes os jogos da liga grega.


1-0 POSSIDON
Avenue está impressionada com 25.000 fãs do Olympiacos e o jogo começa .... Apesar da lesão de Thanassis Bebi, no segundo minuto, o Olympiacos é apaixonado por escrever história. Aos 10 minutos, Sideris transfere a bola para Possidon, e ele faz 1-0. Santos tenta alcançar o equilíbrio, mas, na melhor das hipóteses, Savvas Theodorides mantém o zero defendendo um chute de Zito.

2-0 por SOUROUNIS
A 1ª metade está chegando ao fim e aos 43 ' se torna a fase que sacudiu a Avenida de sua posição. No quartel-general de Gavetsu, Getulio se afasta e Tasos Sourounis, substituto do lesionado Thanassis Bebi, com um trovão seco a 20 metros, rasga as redes de Laercio, fazendo o 2 a 0 para o Olympiakos. Eles choram de alegria, incrédulos em seus olhos e com a esperança oculta de que sua equipe amada possa fazê-lo.

2-1, COM GOL CONTRA DE STENEFAKOS
O segundo tempo começa, mas a dupla mágica Coutinho-Pelé não consegue funcionar, pois Stefanakos e Polychronio, respectivamente, se tornaram sua sombra. Os brasileiros pontuam a partir da fase definida nos 50 '. Zito bate um tiro livre, a bola é interceptada por Mimi Stefanakos, muda de rumo e, enganando Theodoridis, acaba na rede. Os minutos passam, Santos não consegue empatar e há raiva por parte dos brasileiros. O destaque foi a falta dura de Sormani sobre Babi Kotridis, que levou à expulsão de Coutinho, que estava envolvido na luta que se seguiu.

O Olympiacos aguenta e no 75º minuto, Giorgos Sideris perde 2 oportunidades de marcar  gols para sua equipe.

Os jogadores do Olympiakos foram carregados em triunfo
pelos fans após a histórica vitória sobre Pelé.
Quinze minutos depois, ninguém se lembrava de nada ... O jogo acabou e todos estavam vivendo em êxtase. A multidão invade o campo de jogo e levanta os jogadores gregos  sobre seus ombros. Nikolaos Kaloudis, um amigo do Olympiacos, não resistiu à emoção, pois seu coração o traiu durante a corrida.

Atenas e Pireu estão inundados de pessoas. Milhares de pessoas saem às ruas para comemorar um triunfo que não existe e que mais tarde faria a volta ao mundo, tornando conhecidos os filhos de Gina Simonovski. O Olympiacos venceu Pelé por 2-1. 
O Olympiacos foi o único time da Europa que quebrou a invencibilidade do brasileiro.
Uma estação de vitória para a história do Olympiacos, a história do futebol grego. "Olympiacos glorificou a EUROPA. Venceu por 2-1  o MÁGICO SANTOS. 

Ficha Técnica da partida:
04/07/1961 – Olympiakos-GRE 2 x 1 Santos
Gols: Stefanakos (c); Possidon e Surunes.
Local: Estádio Apostolos Nikolaidis, em Atenas, Grécia.
Competição: Amistoso
Público: 26.000 aproximadamente
Árbitro: John Ionnidis (GRE)
Olympiakos: Theodoridis; Kabolis, Stenefakos e Simandiris; Polychroniu e Kotridis (Papazoglu); Gavetsos, K. Papazoglu, Bebis (Surunes), Sideris e Possidon.
Santos: Laércio; Getúlio e Mauro; Dalmo, Zito (Pagão) e Lima; Dorval (Sormani), Mengálvio (Formiga), Coutinho, Pelé (Bé) e Pepe. Técnico: Lula


FOTOS DOS JORNAIS GREGOS DAQUELE TEMPO  I ( VER AQUI)
FOTOS DOS JORNAIS GREGOS DAQUELE TEMPO II ( VER  AQUI)

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CRÔNICA DO JOGO PANATINAIKOS 2 x 3 SANTOS 
de 30 de JUNHO de 1961 por Geramanis Panos
Retirado DAQUI

Na foto, o famoso Pelé, com o líder do 
Panathinaikos, Linoxylakis,antes da partida.
Uma noite inesquecível para o Panathinaikos foi na sexta-feira, 30 de junho de 1961.
Os então campeões gregos jogaram um dos melhores e mais emocionantes jogos da história de seu clube. No estádio Alexandra Avenue, à luz dos faróis, eles lutaram com paixão e técnica incomparável contra o famoso campeão brasileiro Santos, equipe de Pelé, do qual perderam por 2 a 3.

Os jogadores do Clover jogaram igual aos famosos brasileiros e colocaram uma posição difícil para o jogador de futebol mais famoso do mundo, o famoso Pelé, que jogava com muitos nervos e às vezes não era profissional. Os brasileiros terminaram a partida em quatro minutos, marcando três gols. Coutinho abriu o placar aos 15 minutos e imediatamente depois o mágico Pelé marcou dois gols com duas ações fantásticas.

Um nos 17 'com um chute de voleio de pé esquerdo e outro com uma exibição habilidosa,
quando driblou sete jogadores (um após o outro) e bateu o goleiro Voutsaras. Apesar do  placar de 0-3, os jogadores do Panathinaikos continuaram jogando de forma vigorosa e agressiva até o final da partida e reduziram a diferença para 2-3, com dois gols de Panakis aos 35 'e Theophanis aos 70'.

 O Panathinaikos perdeu duas oportunidades fabulosas para empatar quando o goleiro do Santos, Laercio, com um duplo no ar (88 '), defendeu um cabeceamento de 5 metros - um chute de Tumbel, aos 90, o verde de Kosmidis na frente da bola.
na ... ferradura!

O jogo além da magia dos brasileiros e da imaginação
dos jogadores do Panathinaikos também passou por momentos difíceis.
A certa altura, Pelé bateu em Domazo e foi repreendido pelo árbitro Kalofitoudis, que foi muito
bom!
Panathinaikos jogou com: Voutsaras, Junakos, Linoxylakis, Nebidis,
Pidoutioutis, Teófanes, Papaemmanouil, Domazo, D. Fylakouri, Panakis.
Angelopoulos, Kosmidis, Toubelis jogaram (mudanças).

*Aos fans do AEK de Atenas as minhas desculpas , mas não consegui encontrar qualquer referência ou foto sobre este jogo, onde aconteceu o 400º gol de Pelé.

*Nestes 3 jogos na Grécia em 1961, que para os clubes gregos foram verdadeiras finais de Copa do Mundo, Pelé marcou 3 gols, que hoje em dia alguns dizem ser "gols não-oficiais". 
Mas os 2 gols do Olympiakos e os 2 gols do Panatinaikos contam como gols oficiais nas estatísticas dos dois clubes. 
Assim como Real Madrid e Barcelona colocam a extinta Taça Latina como troféu oficial na galeria de títulos dos dois clubes. 
O que têm a dizer os "especialistas em estatísticas oficiais" sobre isso?

domingo, 7 de abril de 2019

O BRASIL NÃO MERECE PELÉ!

Tom Jobim e Pelé
Tom Jobim, um dos gênios da música mundial do século XX, autor da música " Garota de Ipanema", disse uma vez a seguinte frase:

«"PELÉ é um esportista excepcional
e merece o título de Rei do Futebol.
Não teve sorte, porque nasceu no Brasil, onde o sucesso alheio é como uma ofensa pessoal."»




Nelson Rodrigues, maior cronista esportivo de todos os tempos no Brasil, escreveu em janeiro de 1959 (a crônica inteira pode ler AQUI):

«Mas eu vos digo: — “esquecer” não é bem o termo. Ou por outra: — o brasileiro pode “esquecer” da boca para fora. Mas na verdade um Pelé é inesquecível. Insisto: — apesar de toda a nossa ingratidão, Pelé é imortal. E por isso, ninguém pode enxotá-lo da nossa memória.»


Pois neste momento, em que o Rei do Futebol passa por um problema de saúde, 
TODOS OS  "SANTOS IMACULADOS" no Brasil JULGAM E "CONDENAM" O REI PELÉ na internet. 

Estes mesmos que "NUNCA TIVERAM PECADOS, NUNCA TIVERAM UM ERRO E NUNCA FIZERAM NADA DE MAL EM TODA A VIDA!"...

Este blog foi criado para mostrar aos leitores as razões pelas quais

PELÉ É O MELHOR JOGADOR DE FUTEBOL DE TODOS OS TEMPOS

A vida pessoal do Rei do Futebol sempre será respeitada aqui neste blog. 
Pelé é humano, cometeu erros em sua vida pessoal, mas ninguém tem o direito de julgá-lo e condená-lo, a não ser que Pelé tenha cometido um crime hediondo. 

Neste momento, o Brasil está cheio de "santos" e "anjos"... cheio de "santos" e "anjos" imaculados como se fossem todos eles a Madre Teresa de Calcutá. 

"Santos" e "anjos" que escrevem em sites e blogs julgando e condenando o Rei do Futebol, por qualquer mísero motivo... 
Esses mesmos "santos" que escrevem em sites e blogs, provavelmente nunca cometeram um mísero pecado, provavelmente nunca cometeram um mísero erro e provavelmente nunca fizeram nada de mal em toda a vida, por isso são pessoas que devem ter um passado limpo, uma alma pura e uma vida imaculada. 

Por estas razões é que estes "santos imaculados" sem pecados, erros e maldades, pensam que podem julgar e condenar qualquer erro do Rei do Futebol.

Deixando o sarcasmo de lado, neste momento as notícias que aparecem na internet é que Pelé está outra vez doente. 

E estes "santos imaculados" que escrevem e comentam em sites e blogs, pegam neste momento de dor para o Rei do Futebol para julgarem e condenarem a ele, sem dó nem piedade... 

No Brasil ninguém perdoa qualquer mísero erro ou deslize se a pessoa em causa é o Rei Pelé.


Por exemplo: Eu nunca vi ou li estes "santos imaculados" que escrevem em sites e blogs, por exemplo, julgando e condenando os políticos ou os empresários que cometem erros gigantescos, erros que roubam bilhões de dólares do dinheiro público da nação. 

E este erros gigantescos, por consequência, geram a pobreza em mais ou menos 70% da população brasileira. 

Por que estes "santos imaculados" não julgam e condenam estes políticos e empresários que roubam bilhões e bilhões de dólares ao país com a mesma dureza com a qual "julgam e condenam" o Rei do Futebol? 

Há tempos atrás, escrevi este post chamado "EU NÃO SEI SE É INVEJA, RAIVA, RACISMO OU TUDO JUNTO" ( ver AQUI ), e cada vez mais eu penso que Pelé deveria ter se naturalizado americano, porque nos Estados Unidos assim como em todo o planeta, Pelé é respeitado, é admirado, é recebido e tratado como Rei, como ele merece.



Aproveito esta crônica para desejar
muita saúde e rápidas melhoras ao Rei do Futebol 


E termino esta crônica como comecei, citando o genial Tom Jobim
que quando profetizou esta frase abaixo, estava cheio de razão.

"PELÉ é um esportista excepcional e merece o título de Rei do Futebol. 
Não teve sorte, porque nasceu no Brasil,  
onde o sucesso alheio é como uma ofensa pessoal."

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