FILME PELÉ ETERNO

FILME PELÉ ETERNO
A prova definitiva de quem é o melhor jogador de sempre

terça-feira, 13 de abril de 2021

PELÉ GOALS - FIFA 21 - PARTE 1

Quem conhece Pelé e viu Pelé jogar, como eu próprio vi, no estádio ou pela TV, sabe perfeitamente que Pelé não driblava para fazer malabarismos ou para humilhar os adversários. 

Pelé driblava com objetividade, com arte e na medida certa, sempre para encontar o caminho mais curto até a baliza adversária. Eu quando jogo com Pelé no FIFA 21, procuro tentar fazer as jogadas e os gols que eu vi ele fazer. 

Consegui algumas vezes no FIFA 19, ver👉 AQUI. E com certeza ele faria assim, sem perder tempo com dribles desnecessários quando tem a chance de chutar e marcar gols.

👉Nota: Assim como em todos os vídeos anteriores que publiquei, nos FIFA 18, 19 e 20, também neste vídeo do FIFA 21 as definições de jogo e dos jogadores na PS4 são sempre as originais de fábrica, nada foi alterado para melhorar a performance dos chutes, dribles, sprints ou outra coisa qualquer.

Mesmo porque se voce fizer "batota" para ganhar os jogos jogando contra a máquina, quando voce jogar online não poderá fazê-lo.

Fazer batota offline para marcar gols fantásticos e fazer jogadas espetaculares para publicar nas redes sociais é o mesmo que enganar a si próprio. Porque ao fazer batota contra a máquina, você nunca poderá saber se é bom o suficiente para vencer jogos contra outros jogadores online. 
Quem joga no FIFA 20 sabe disso muito bem.
Modo: o mais difícil. 6 minutos cada parte.

sábado, 10 de abril de 2021

📰Jornal DAILY MIRROR ( Inglaterra ), 21/11/1969

Em 21 de novembro de 1969, o tradicional jornal inglês "Daily Mirror" publicou na página 27, uma reportagem de 1/4 de página sobre o 1000º gol de Pelé, assinada pelo jornalista Ron Wills
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Na manchete diz:
1000 para Pelé e o goleiro sabia o placar

O GOLEIRO que não conseguiu impedi-lo ficou quase tão orgulhoso quanto o homem que marcou - pois esse foi o milésimo gol de Pelé no *top-class football ( *futebol de classe mundial ).
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O texto da reportagem, destacado na foto acima, diz o seguinte:
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Foi um pênalti aos 78 minutos quando o Santos jogou contra o Vasco da Gama no estádio do Maracanã, com 150.000 lugares, no Rio de Janeiro. Já o goleiro do Vasco, Norberto Andrada, tirou a camisa no momento em que a bola entrou, revelando uma camisa prateada - com o número 1000 estampado sobre ela.

Custou a partida - o Santos venceu por 2 x 1 -, mas lançou um carnaval em todo o Brasil e talvez salvou Norberto de um linchamento.

Depois Pelé - Edson Arantes do Nascimento para poucos, "Pérola Negra" para a maioria - vestiu uma camisa nº 1000. E parou a partida.


O jogo parou por onze minutos quando centenas de torcedores invadiram o gramado e carregaram Pelé pelo ombro em volta do estádio.

A reação dos torcedores a esse recorde mundial de gols foi tipicamente sul-americana. E até Pelé, aos vinte e oito anos ( na verdade, 29 anos ), um veterano de três séries de Copas do Mundo, considerou uma experiência arrasadora.

Ele disse depois: "Foi a primeira vez que tremi durante uma partida."

Mas ele não vai começar a pegar leve. Falando sobre a Copa do Mundo do próximo ano no México, ele disse: "Agora que marquei 1.000 gols, estou mais determinado do que nunca a fazer uma grande exibição pelo Brasil".


Pelé, que alcançou a fama mundial aos 17 anos na Copa do Mundo de 1958, sediado na Suécia, parece ter estabelecido um recorde quase imbatível.

O recorde britânico de 550 gols é detido pelo ex-atacante do Celtic Jimmy McGrory, que jogou pelo clube escocês por quinze temporadas de 1922-1923.

Ele disse na última noite: Considerando o quão bem o Pelé é marcado ( pelos defensores adversários ), é uma conquista tremenda ”.

O capitão da Inglaterra, Bobby Moore, disse: "Não importa o padrão do futebol, 1.000 gols é um recorde fantástico. Só espero que ele não chegue mais perto da marca de 2.000 às nossas custas no México no próximo ano".

Pelé pode avançar nessa direção. Os clubes brasileiros jogam até cem partidas por ano, incluindo turnês no exterior contra 👉*adversários às vezes medíocres. E todos os gols são contados.

Suplemento do Daily Mirror com
Pelé e Bobby Charlton.
👉*Na época, apesar da Inglaterra ser o país campeão do mundo, o futebol brasileiro continuava a ser o melhor do mundo, e por consequência, os clubes brasileiros, principalmente o Santos FC por causa de Pelé, eram convidados muitas e muitas vezes para jogarem torneios e jogos amistosos na europa e em outras partes do mundo (Alguns jornalistas europeus gostam de classificar os jogos amistosos como de "jogos de exibição", que como todos nós sabemos, não são a mesma coisa).

E obviamente, os clubes brasileiros enfrentavam equipes fortes, equipes médias e equipes fracas, como todo e qualquer clube, de qualquer país, em qualquer época.

Não existe, na história do futebol, nenhum jogador, clube ou seleção nacional que só tenha enfrentado adversários fortíssimos de top-class, seja em competições ou jogos amistosos.

Quem souber de algum jogador, clube ou seleção que só enfrentou adversários fortes, que diga o nome...

Para terminar, embaixo da foto de Pelé, a legenda diz: "PELÉ...1000 gols e os fans ficaram em delírio".
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Como em TODOS os jornais brasileiros e estrangeiros que já publiquei neste blog até agora, e não foram poucos, também nesta edição de 21/11/1969 do Daily Mirror, um dos mais tradicionais e populares da Grã-Bretanha desde a sua fundação em 1903, o jornalista Ron Wills não escreveu nada sobre estatística de " gol oficial e gol não-oficial". 

E a razão é muito fácil de explicar: o jornalista Ron Wills, assim como qualquer outro jornalista daquela época, não poderia escrever sobre uma estatística que, naquela época,  não existia!!! 

sábado, 3 de abril de 2021

Jornal Diario de Lisbôa ( Portugal ), 20/11/1969

Em 20 de novembro de 1969, o jornal português Diario de Lisbôa publicou na parte de baixo da página 21 a seguinte manchete:

PELÉ: o golo nº 1000 foi de «penalty»

👉Apesar de ser a mesma língua, reparem nas diferenças dos termos usados em Portugal e no Brasil ( destacados em negrito ). 
E na época, diario não tinha acento agudo e Lisboa tinha acento circunflexo na letra o.
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RIO DE JANEIRO, 20 - Pelé, o famoso jogador de futebol brasileiro, marcou, a noite passada, o seu 1000º golo, ao converter uma grande penalidade.
Os espectadores que enchiam o Estádio do Maracanã, com capacidade para 200.000 pessoas, ergueram-se dos seus lugares e invadiram o relvado quando o árbitro Manoel de Lima autorizou que o jogo fosse interrompido.
Pelé foi levado aos ombros dos espectadores, com os fotógrafos esforçando-se por conseguir tirar retratos da ocasião.

Registava um empate a uma bola no desafio entre o Santos, a equipa do "rei", e o Vasco da Gama quando Eberval fez falta sobre Pelé na grande área.
A falta ocorreu aos 78 minutos de jogo, e Pelé não perdoou, convertendo a grande penalidade.
Um ambiente de carnaval reinava no Estádio, o santuário do futebol brasileiro, quando o início do jogo sofreu um atraso de quase meia hora, devido a cerimônias que se realizaram antes do encontro, e aos fotógrafos que invadiram o campo para tirar retratos ao famoso jogador.

Um batalhão de fuzileiros navais efectou um exercício no meio do Estádio, acabando por formar as palavras "Rei Pelé", após o mais célebre jogador de futebol do mundo hastear a bandeira do Brasil.

"Quando marquei, esta noite, o meu 1000º golo, pensei em todas as crianças do mundo, em todos os que sofrem necessidades" - declarou Pelé à saída do terreno, depois de ter marcado o famoso golo.
Muito calmo até esta altura, Pelé, então, não pôde reter a sua comoção, e, ao pronunciar estas palavras, tinha a voz embargada pelos soluços.


👉Como puderam ler neste jornal de Lisboa, capital de Portugal, assim como em todos os jornais brasileiros e europeus que publiquei até agora, também não está escrito "gol oficial" ou gol não-oficial" em nenhuma parte do texto. 
É porque na altura não existia essa estatística de "gol oficial" e "gol não-oficial". 
Portanto nenhum jornal ou ninguém poderia escrever, falar ou comentar sobre uma coisa que... não existia.

LINK DIARIO DE LISBÔA | 20/11/1969, página 21 👉AQUI

O GOL 1000 DE PELÉ | THE NEW YORK TIMES ( EUA ), 20 e 21 de novembro de 1969

A manchete da página 65 do New York Times de 20 de novembro de 1969 dizia:
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Pelé torna-se o primeiro jogador moderno a alcançar 1000 gols; 
MULTIDÃO DE 100 MIL FESTEJOU O ÁS DO FUTEBOL
Façanha é comparada aos 60 home-runs de ( Babe ) Ruth e a Milha de 4 minutos.



Quando pensamos em jornais de referência a nível mundial, jornais super rigorosos na informação e jornais com credibilidade acima de qualquer suspeita, 2 nomes surgem logo na cabeça: CNN e New York Times.
A CNN foi fundada em 1980, portanto ainda não "era nascida" em 1969.



O New York Times é, desde a fundação em 18 de setembro de 1851, um jornal de referência nos EUA. ( Quem conhece um pouco da história do futebol, por mínimo que seja, sabe que na década de 60 os Estados Unidos da América não davam a mínima importância ao "soccer", ver👉 AQUI ). Mas conheciam um nome: PELÉ. 

E em 20 de novembro de 1969, na página 65, o New York Times publicou uma pequena reportagem do correspondente do jornal e da Associate Press na América do Sul, Joseph Novitski
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Infelizmente, para ter acesso ao texto da reportagem de Novitski, tem que ser assinante do jornal, mas a manchete é bastante clara e sem margem para qualquer dúvida.

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No dia seguinte, 21/11/1969, o New York Times publicou na página 2, mais uma reportagem sobre o 1000º gol de Pelé. Na manchete diz:
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O milésimo gol de Pelé no futebol dá aos brasileiros alguma coisa para festejar


Também a manchete não deixa nenhuma margem para dúvidas.
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Como puderam ver, um correspondente internacional do New York Times e da Associated Press, duas das maiores e mais respeitadas instituições jornalísticas do mundo até os dias de hoje, tem por obrigação estar muito bem informado sobre tudo

Não há qualquer referência para estatística de "gol oficial e não-oficial" nas 2 manchetes do New York Times. Se existisse, Joseph Novitski saberia.

Joseph Novitski ( foto ao lado ) estava no Rio de Janeiro em 19 de novembro de 1969. É bem provável que tenha ido ao Maracanã e viu com os próprios olhos o 1000º gol de Pelé, porque a reportagem foi publicada pelo New York Times logo no dia seguinte, 20 de novembro. 

Em 1969, a internet ainda não existia, e o meio mais rápido de fazer chegar as notícias do Brasil para a América e Europa era através de telefone ( as chamadas intercontinentais eram caríssimas) ou por telégrafo ( mais barato, mas não tão barato ). 

Por isso é que na maioria dos jornais estrangeiros que já publiquei aqui no blog, a notícia do gol 1000, marcado em 19  de novembro, só chegou às redações dos jornais no dia 20 de novembro, e foi publicada no dia 21 de novembro. 

Como está escrito mais acima, os EUA não davam a mínima importância ao "soccer" naquela época, mas o New York Times, um dos mais importantes e respeitados jornais dos EUA e do mundo, enviou o seu correspondente internacional para fazer a cobertura da possível façanha de Pelé naquele mês de novembro de 1969. Pelé marcou o gol mil, o New York Times deu destaque, em dois dias consecutivos, ao gol-símbolo da vida do Rei do Futebol, como disse o Mestre Armando Nogueira.

Para ser notícia no NYT naquela época, e ainda hoje, tinha que ser uma coisa fora do comum, estrondosa, fantástica. E mais importante que isto tudo, tinha, e tem, que ser notícia VERDADEIRA! 
No New York Times não há fake news. 


NEW YORK TIMES, 20/11/1969, página 65 👉AQUI
NEW YORK TIMES, 21/11/1969, página 2👉 AQUI

quarta-feira, 31 de março de 2021

Jornal Corriere della Sera ( Itália), 21/11/1969

Em 21 de novembro de 1969, o tradicional jornal italiano Corriere della Sera publicou:
Atingiu o marco fabuloso

O milésimo gol de Pelé foi marcado de pênalti



No texto da página diz o seguitnte:

Desta vez é verdade: Pelé marcou o milésimo gol de sua carreira, que começou no Santos em 1956, quando tinha dezesseis anos ( na verdade, 15 anos de idade ).
A « febre » por este golo histórico da « pérola negra » deu origem a um curioso mal-entendido no domingo: 🔔*Uma agência internacional de informação atribuiu o gol 1000 ao jogo na cidade do Recife, contra a equipe do Santa Cruz
🔔* Provavelmente por causa desta capa do jornal " A Gazeta Esportiva" do dia 13 de novembro de 1969, onde a manchete diz: "RECIFE APLAUDIU O 1000º DE PELÉ".
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Esta manchete, uma semana antes do gol mil no Maracanã, é explicada de forma simples: Na estatística feita pelo lendário Thomaz Mazzoni, jornalista da "Gazeta Esportiva" na época, Pelé tinha 2 gols a mais ( 995 gols )
Na estatística do Santos FC, feita em conjunto com o também lendário jornalista Adriano Neiva da Motta e Silva, conhecido como De Vaney, do jornal "A Tribuna de Santos", Pelé tinha 2 gols a menos ( 993 gols ). 

Pelé, na altura, optou por subtrair 2 gols e escolheu a estatística de De Vaney, até porque a própria FIFA reconheceu na altura a estatística do Santos FC como a estatística oficial dos gols de Pelé ( ver publicação completa 👉AQUI). 
Como podem ver na foto abaixo, uma parte da reportagem publicada em 18 de novembro de 1969 pelo jornal "Correio da Manhã"  na página 28.
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Como podem ler, a FIFA reconheceu os 993 gols de Pelé na altura, como legítimos.
Sabem por que? Porque não existia a estatística de "gol oficial e gol não-oficial".
Se existisse, a FIFA saberia, e não teria enviado o diploma que consagrou os 1000 gols do Rei do Futebol.

sábado, 27 de março de 2021

CAPA do Jornal L'EQUIPE ( França ), 21/11/1969

Em 21 de novembro de 1969, o jornal francês L'EQUIPE, um dos mais respeitados e tradicionais jornais esportivos do mundo, publicou na capa.
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Certamente que os jornalistas, redatores e diretores deste respeitadíssimo jornal, a nível mundial, eram - e tinham que ser - profissionais muito bem informados sobre tudo, no futebol mundial e sobre qualquer modalidade esportiva.

E certamente saberiam sobre "gol oficial" e "gol não oficial", se esta estatística existisse naquela época.

Como podem ver, nesta capa do L'Equipe, assim como em TODOS os jornais brasileiros e estrangeiros que já publiquei neste blog e no Twitter, esta nova estatística de "gol oficial" e "gol não oficial" não aparece escrita em nenhum deles, em qualquer parte de qualquer texto.

Portanto, se não existia naquela época, não pode nem deve ser usada como medida-padrão hoje em dia. 

Por exemplo: 
👉Quantos gols foram anulados a Pelé por offside, porque Pelé estava na mesma linha do penúltimo defesa? 
Estar na mesma linha do penúltimo defensor não é offside nos dias de hoje.

👉Quantos adversários não foram expulsos de campo por puxar a camisa ou dar entradas (tackles)  violentas na pernas de Pelé? 
Entrada ( tackle ) violenta nas pernas hoje em dia é cartão vermelho. Até um simples puxão de camisa é cartão vermelho hoje em dia.

Cada época tem que ser medida com as regras que eram válidas...em cada época.

👈A legenda da foto ao lado diz: 
RIO - Pelé acaba de marcar o esperado gol mil. Aqui o vemos erguer a bola com a qual foi capaz de realizar este feito. O rei também vai receber um balão de ouro de dois quilos!


CAPA Jornal L'EQUIPE, 21/11/1969👉AQUI


terça-feira, 23 de março de 2021

Crônica de Armando Nogueira sobre Pelé ( 1 ) - O 1000º

Introdução: Se hoje em dia, voce perguntar a qualquer jornalista, consagrado ou em início de carreira, o que ele pensa sobre Armando Nogueira, certamente a resposta será uma destas palavras: Gênio, brilhante, espetacular, fantástico, mestre, ou qualquer adjetivo semelhante.

Na foto abaixo, acima do público, estão as cabines de rádio e televisão do Maracanã. 
Armando Nogueira estava em uma delas em 19 de novembro de 1969, e foi mais um, entre as mais de 65 mil pessoas presentes no estádio, que viu e testemunhou, ao vivo, a cores e em tempo real, o 1000º gol de Pelé.
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Jornalista muito acima da média, era respeitado e admirado por todos os seus colegas de profissão, a quem chamavam de Mestre Armando Nogueira ( Armando e Nélson Rodrigues são considerados pelo jornalismo brasileiro como os "Papas da crônica esportiva", ou se preferirem, os Pelés da crônica esportiva.

Mestre Armando cobriu todas as Olimpíadas desde 1980 e todas as Copas do Mundo entre 1954 e 2010, ano de sua morte. Entre os muitos atributos como jornalista, cronista e redator, foi pioneiro também na televisão, sendo um dos criadores do "Jornal Nacional" da TV GLOBO, até os dias de hoje líder de audiência.


Na minha modesta opinião, quem melhor definiu o que eram as crônicas de Armando Nogueira foi o jornalista Paulo César Vasconcelos: "Armando quando escrevia, vestia as palavras com smoking e traje de gala".

Mestre Armando foi diretor de jornalismo na GLOBO e no Jornal do Brasil, portanto tinha que ser ( e era ) um homem muito bem informado sobre tudo, não apenas sobre futebol. 
Portanto se "gol oficial" e "gol não-oficial" existissem e fossem regra geral na época, Mestre Armando Nogueira certamente saberia. E como homem honesto e íntegro que era, contestaria os 1000 gols, e não teria vestido com traje de gala as palavras desta crônica antológica, certo?



Em 21 de novembro de 1969 na página 21 do Jornal do Brasil, Mestre Armando Nogueira escreveu em "Na Grande Área", sua coluna diária no jornal, esta crônica antológica sobre o gol 1000.
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"Um amigo me telefona, cedinho, para insister na reação do primeiro momento: gostara de ver Pelé fazer o milésimo gol, mas preferia que não fosse de pênalti porque, “de pênalti, não teve muita graça”.
Assim também chegara a pensar o próprio Pelé, antes de ver a bola morrer ( ou nascer ) no fundo da rêde. Tanto que ameaçou refugar, coerente com afirmações anteriores de que se lhe tocasse encerrar o balanço com gol de pênalti, passaria a bola a outro jogador.

E, no entanto, na hora de fazer o gol-símbolo de sua vida, Pelé não poderia merecer do futebol distinção maior: o estádio imenso, o silêncio musical da multidão, a côrte de parceiros e rivais em tôrno dele, imóveis; a bola, proibida de todos, a seus pés – e uma eternidade para chutá-la, pois só aí a lei do futebol oferece o privilégio de estender indefinidamente o jôgo até que se cumpra de todo o ritual do pênalti.

O gol de ação, o gol de movimento – esse, Pelé já fêz 999 vêzes, chutando bolas suadas, bolas sangrentas, bolas mortas, bolas vivas, divididas.

O gol dos deuses, bola no peito, três dribles verticais, um chute mortal – Pelé já fêz tantos.

O gol dos meninos, quantos Pelé já não fêz?, driblando defesas inteiras?

O gol dos espertos? Pelé já fêz: um dia, num córner, enlaçou o braço no braço de um beque e gritou em desespero: “Está me agarrando!” O árbitro marcou pênalti, Pelé chutou e fêz o gol.

O gol dos sonsos, Pelé também já fêz, capengando, de mentira, na meia-lua, e logo surgindo na pequena área, encontro marcado com a bola, antes do córner, antes do jôgo, muito antes de tudo e de todos.

Faltava-lhe, porém, fazer o gol feito, que é o gol da multidão, o gol de todos os testemunhos, o gol que ninguém no estádio, por descuido ou infortúnio, deixasse de ver, florescendo de seus pés, como já disse, tão amados.

Era preciso, sim, o cerimonial de um pênalti para nos compensar de tantos gols bonitos que êle fêz nesse milhar e que nos escaparam na vertigem da ação coletiva.

Abençoado é o pênalti que não castiga, mas gratifica: quando Pelé, no fundo da rêde, beijou mil vezes a bola do seu gol-símbolo, o estádio viveu um instante de libertação – e Pelé, mais um de consagração. Éramos, ali, uma doce multidão de crianças, reencontrando a bola da nossa infância.

Nunca, que eu saiba, a multidão participou tanto de um gol, pesadelo e sonho de Pelé – e de todos nós.

Fiquemos, pois, com a graça de uma noite de reecontro.

Que dêle seja a bola que renasceu com êle, no instante de um gol-sacramentado."

LINK JORNAL DO BRASIL, 21/11/1969, página 21👉 AQUI

sábado, 20 de março de 2021

LOS MIL GOLES DE PELE | Jornal MUNDO DEPORTIVO, 21/11/1969

Em 21 de novembro de 1969, o tradicional jornal esportivo espanhol Mundo Deportivo, assim como muitos jornais brasileiros e estrangeiros pelo mundo afora, preencheu toda a sua capa com o gol 1000 de Pelé.
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O jornal dedicou 2 páginas inteiras à façanha do Rei. 
( O 1000º gol foi eleito pela TIME MAGAZINE como um dos 10 acontecimentos esportivos da década de 60.👉 AQUI )


A manchete diz: PELE : MIL GOLS EM 13 ANOS COMO PROFISSIONAL.
Logo abaixo diz:
A fantástica marca goleadora do monarca do futebol se consumou no Maracanã.

No texto da página 14 está escrito assim: 
EDSON Arantes de Nascimento, "Pelé", se tornou desde então esta madrugada no Único jogador
da história do futebol mundial que marcou mil gols em seus treze anos de história profissional neste esporte; Pelé marcou aquele gol contra o Vasco da Gama no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, diante de uma multidão eufórica, que invadiu o campo para estar com o ídolo em seus ombros quando o "Pérola Negra" do futebol brasileiro consumiu sua façanha. O gol, um verdadeiro evento do futebol mundial, veio aos 31 minutos de jogo no segundo tempo. A vítima da falta que deu origem ao pênalti foi o próprio Pelé. O "craque" do Santos entrou rapidamente na área e a defesa do Vasco da Gama derrubou o monarca do futebol brasileiro.

FEBRE NO MARACANÃ
O árbitro anotou a punição máxima e o jogador do Santos, Rildo, partiu para executar a penalidade, enquanto Pelé foi atendido, machucado de uma perna como resultado da falta sofrida. Mas os 200 mil ( na verdade, 65 mil) eufóricos espectadores aglomerados nas arquibancadas explodiram em gritos de " Pelé, Pelé!" exigindo que ele fosse seu ídolo o executor da punição, para marcar — ninguém duvidava que Pelé perderia a penalidade - esse gol número mil.
Pelé se recuperou e partiu para o pênalti, enquanto a multidão fez um um silêncio quase religioso.
Pelé foi até a bola, correu e chutou a bola com o pé direito executando sua famosa "paradinha" antes... E gol!!

E o que de mais importante foi escrito no resto do texto da reportagem:
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- O jornalista do Mundo Deportivo destacou que o 1000º gol de Pelé ofuscou a 2ª chegada do homem na Lua.
- Como em todos os outros principais jornais brasileiros e estrangeiros, o Mundo Deportivo relembrou os grandes artilheiros do futebol mundial na época, como Jimmy Mcgrory, Eusebio, Puskas, Di Stefano e Uwe Seeler, e quantos gols cada um deles marcou.
- E como todos os outros principais jornais brasileiros e estrangeiros, o jornal espanhol publicou as palavras de admiração e felicitações de algumas das grandes estrelas do futebol mundial na época, como Bobby Charlton, Just Fontaine, Bobby Moore e mesmo Uwe Seeler.

No texto destacado em separado à direita da foto diz: 
Apelo emocionante da "Pérola Negra" em favor das crianças pobres
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O texto destacado em negrito dentro do "quadrado" diz:
O gol número mil de Pelé não impressionou tanto a multidão que constantemente aplaudia a Pérola
 Negra do futebol brasileiro, quanto o sentido humanitário do famoso "10" em chamar o mundo para a  infância indefesa.
"Pelo amor de Deus. Agora que todos estão me ouvindo faço um apelo especial para o mundo: ajude crianças pobres, ajude os sem-teto. Este é o único pedido nessa hora especial para mim", disse Pelé sobre uma platéia estimada em 200 mil pessoas ( 65 mil na verdade ) que compareceram ao Estádio do Maracanã para ver o milésimo do melhor jogador do Mundo.

Depois de converter o gol, o homem que é procurado por reis e personalidades de todos os cantos da Terra, chorou com longa emoção e saiu do campo, pois ele não foi capaz de suportar os 15 minutos restantes da partida em que o Santos venceu o Vasco por 2 a 1.
O "rei" entrou nos vestiários entre abraços e soluços com líderes e colegas. Ele trocou a camisa 10 que
irá entregar a sua filha Cristina, para outra camisa que usava o número 1000.

Pelé, assim, concordou com o pedido feito repetidamente por sua esposa Rosemary, ao contrário dos milhares que estavam exigindo uma preciosa lembrança de um evento esportivo inédito na história do futebol mundial.
Agora as "guloseimas" virão e a primeira será um chá oferecido pela Academia Brasileira de Letras. Um selo para celebrar mil gols de Pelé será colocado em circulação pelos Correios e Telecomunicações. Um vestiário do Maracanã vai ter agora o nome de Pelé. Uma bola de ouro e uma bateria de
prata, entregue pela escola de samba "Mangueira", irão para os inúmeros troféus que ele ganhou ao longo da carreira.
O único homem que estava triste era o goleiro Argentino Andrada, que também chorou, não de raiva, porque nada poderia fazer contra o pênalti, mas sim por ter sobrado para ele para ser o homem, vale a expressão, que sofreu a conversão do gol número mil de Pelé.
"Você merece muito mais", disse Andrada, soluçando, para Pelé, ao cumprimentá-lo no vestiário, e acrescentou: "No entanto, eu lamento ter sido eu o goleiro do número 1000".

👉Não é preciso saber ler em espanhol para perceber que em nenhum lugar do texto nas páginas 14 e 15 está escrito "gol oficial" e "gol não-oficial".

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👉O Mundo Deportivo foi fundado em 1906, já tem 115 anos de existência. 
Este jornal centenário, assim como todos os outros principais jornais brasileiros e estrangeiros, teria a obrigação de conhecer e informar aos leitores sobre a estatística de gol "oficial" e "não-oficial" em 1969. 
Nem o Mundo Deportivo, nem nenhum jornal da época publicou absolutamente nada sobre este assunto. 
Sabem por que? Porque não existia estatística oficial de "gol oficial" e "não-oficial". 
Sem trocadilho.

MUNDO DEPORTIVO, 21/11/1969 CAPA👉 AQUI
PÁGINA 14 👉AQUI
PÁGINA 15 👉AQUI


sexta-feira, 19 de março de 2021

EL DIPLOMA DE LA F.I.F.A. - Jornal MUNDO DEPORTIVO (Espanha), 16 de novembro de 1969, página 28

Em sua edição de 16 de novembro de 1969, o Mundo Deportivo, um dos mais tradicionais jornais esportivos da Espanha até aos dias de hoje, deu destaque de página inteira a Pelé na página 28 com a seguinte manchete:
Pelé a um passo do gol número 1000
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Mais embaixo, o jornal Mundo Deportivo destacou o Diploma da FIFA que Pelé iria receber quando marcasse o 1000º gol.
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Tradução do texto escrito e assinado por Sir Stanley Rous.
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"O mundo inteiro aplaudirá a notável proeza de Edson Arantes do Nascimento ( Pelé) ao marcar 1000 gols em jogos de clubes e internacionais. Esta maravilhosa proeza poderá não ser superada durante muitos anos. Todos que o viram jogar se unem a mim para expressar-lhe sinceras felicitações.

A tradução do texto:
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Todo Brasil se prepara para comemorar a façanha

No jogo disputado na noite de sexta-feira contra o Botafogo ( do estado da Paraíba ) e que o Santos venceu por 3 a 0, o fabuloso Pelé fez o gol de número 999 de sua carreira.

Já está tudo preparado para o milésimo gol e uma espécie de loucura fará explodir o Estádio onde o "o rei" realizará esta façanha que aguarda todo o Brasil e quase diríamos todo o futebol mundial. Os grandes jornais do Rio e de São Paulo têm enormes manchetes apoteóticas preparadas; as medalhas, os pergaminhos, os troféus e as devidas manifestações adequadas também estão preparados para honrar dignamente o acontecimento.


O MELHOR «AS» DO MUNDO

Edson Arantes do Nascimento completou 29 anos no mês passado. Ele mede 1,71m, pesa 72 quilos, casado há cinco anos e já marcou 999 gols em treze temporadas de ação acelerada.
Quando começou a jogar em 7 de setembro de 1956, ele disse: " Serei o melhor jogador de futebol do mundo".
Dois anos depois, ele alcançou renome internacional. Quando o Brasil conquistou o título mundial em Estocolmo em 1958, dizia-se de Pelé: - O jovem Pelé, um menino negro de 17 anos, tem sido a grande revelação 
desses campeonatos.

Sua fama crescente foi medida pelo metro de neologismos cada vez mais coloridos: de "tulipa negra" ele passou a ser chamado de "o menino de ouro". Depois ele se tornou "a pérola negra" e, finalmente, "o rei".

Em 1961, clubes italianos tentaram contratá-lo. A Juventus teria oferecido 200 milhões de pesetas. Para evitar surpresas, o presidente do Brasil, Jânio Quadros, interveio pessoalmente ao aprovar uma lei segundo a qual nenhum jogador importante poderia ser transferido para "uma potência estrangeira". Pelé passou a ser propriedade do estado.


MILHÕES E MAIS MILHÕES

Apesar de ter perdido o sonho italiano, Pelé se tornou uma verdadeira máquina de ganhar milhões. Sua popularidade é tão grande que uma autobiografia se esgotou nas livrarias em poucos minutos. 
Um filme sobre sua vida ( O sonho de um menino ) rendeu mais de onze milhões de pesetas de direitos. Escreveu livros de fábulas infantis, gravou discos de "bossa nova", por 8 milhões deu seu nome exclusivamente a uma marca de café (tornou-se famoso o slogan "Café rima com Pelé") e, por fim, se mostrou satisfeito com o resultado de uma pesquisa de opinião pública:
75% dos consultados sabiam quem era Liz Taylor,
80 % sabia quem era Kennedy,
mas 99% disseram que sabiam quem era Pelé.


A HISTÓRIA DOS MIL GOLS
👉Nota do autor: Há aqui nesta estatística algumas dúvidas sobre algumas datas e adversários. Mas os gols que geram alguma dúvida foram marcados foram sempre em datas muito próximas, a margem de erro é mínima. 
E como podem notar, não há separação de gol oficial e não-oficial. Fica assim provado, mais uma vez, que este critério usado hoje em dia por muitos, naquela época nunca foi usado porque simplesmente não existia.
📌Quanto aos gols nº 500 e nº 600, na publicação original do jornal Mundo Deportivo, o estádio e o adversário estão completamente errados.

O 1º gol oficial  de sua vida foi marcado por Pelé pelo time r
eserva do Santos , em amistoso contra o Corinthians ( da cidade de Santo André  no Estado de São Paulo), por ocasião do Dia da Independência em 1956.

Em 1958, ele já tinha cem gols em seu currículo.

Em julho de 1959, ele registrou o número 200 em uma partida contra o Hannover.
👉Nota: Em algumas estatísticas, o gol nº 200 foi marcado contra o Fortuna Dusseldorf no Rheinstadium em Dusselforf em 7 de junho de 1959)

Em 13 de maio de 1960, contra o Milan, atingiu a meta de 300.
👉 Em algumas estatísticas, o gol nº 300 aconteceu no jogo em 12 de maio de 1960, e foi marcado contra o Inter de Milão.
👉👉Em outras estatísticas, o gol 300 foi marcado contra o Royal Standard da Bélgica, no Stade de Sclessin em 19 de maio de 1960.

Em 28 de junho de 1960* (1961 é o ano certo), em Atenas, em confronto com o AEK, fez o gol de número 400

O terror dos goleiros adversários continuou sem perder suas qualidades. 

📌Seu gol de número 500 e seu gol de número 600 ocorreram no mesmo palco e contra o mesmo adversário: Maracanã e o Botafogo.
👉Em algumas estatísticas, o gol nº 500 foi marcado num jogo entre o Santos e o São Paulo que terminou empatado em 3 x 3.   
👉👉O credível e tradicional jornal O GLOBO publicou em 1 de outubro de 1962 que o gol nº 500 foi na vitória do Santos FC por 3 x 1 sobre o Comercial FC da cidade de Ribeirão Preto ( ver AQUI ).
👉👉👉Em algumas estatísticas, o gol nº 600, foi marcado no estádio La Bombonera contra o Boca Juniors em 11 de setembro de 1963.

Os 700 também chegaram ao Maracanã, mas com o Fluminense FC como adversário (em 18 de abril de 1965 ).

A 21 de julho de 1966, em Madrid, num jogo contra o Atlético, «o rei» marcou o seu 800º gol.
👉Em algumas estatísticas, o gol nº 800 foi marcado em 21 de agosto de 1966 contra o Benfica de Portugal, no Estádio Randall's Island no Torneio de Nova York.

Em junho de 1968, no Torneio InterNacional de Nova York, e em uma partida contra o Nápoles, ele fez o seu 900.

👉Em algumas estatísticas, o gol nº 900 foi marcado em 17 de junho de 1968 contra a equipe do Saarbruken da Alemanha. Depois, aconteceram 3 jogos com o Nápoles em 21, 26 e 28 de junho de 1968 .

Agora Pelé está à beira do gol de número 1.000. Quando vai fazer isso? Hoje? Amanhã? No Brasil, chegam a apostar na hora e no minuto exatos em que Pelé vai conseguir redondear a mágica e fantástica cifra. Um carnaval inesperado e impressionante se espalhará por todo o país para celebrar o artilheiro mais famoso do mundo. E também, talvez, o melhor jogador de todos os tempos.

Como podem ver nesta publicação e em outras que já publiquei, ninguém contestou, ninguém protestou, ninguém colocou em causa a estatística dos 1000 gols na altura. 
E como podem ver, o gol 1000 teve impacto a nível mundial e foi destaque de página inteira nas capas da maioria dos jornais de todo o planeta.
Até mesmo a FIFA reconheceu e enviou o Diploma. 

Para terminar, a foto abaixo mostra a diferença do impacto na imprensa internacional entre os 1000 gols e o "recorde de gols oficiais".


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Aqui estão 2 capas do jornal Mundo Deportivo, separadas por 51 anos. 
Em preto e branco, a capa de 21 de novembro de 1969, onde o 1000º gol de Pelé preenche a página toda.
E a cores, a capa de 15 de março de 2021, no dia seguinte depois de Cristiano Ronaldo ter quebrado o tal "recorde de gols oficiais", quem está em destaque é Messi, que naquele dia, ia se tornar o jogador com mais jogos pelo Barcelona, superando Xavi.
Os 770 "gols oficiais" de Cristiano Ronaldo nem aparecem na capa. Nem em letras microscópicas.

A edição do dia 21 de novembro de 1969 do Mundo Deportivo será a próxima publicação.

MUNDO DEPORTIVO, 16/11/1969, página 28👉 AQUI

"FULL SCREEN" da página 28👉 AQUI

JORNAL COMPLETO de 16/11/1969👉 AQUI 

segunda-feira, 15 de março de 2021

A FOTO DO DIPLOMA DA FIFA ASSINADO POR SIR STANLEY ROUS👉 📰Jornal O GLOBO (Brasil), 23/09/1969

Em 11 de julho de 2020, fiz a primeira publicação sobre o Diploma que a FIFA enviou a Pelé, reconhecendo e congratulando o Rei por atingir a incrível marca de 1000 gols.👉 AQUI

Em 23 de setembro de 1969, o tradicional jornal carioca "O GLOBO" publicou em sua capa:
FIFA já enviou diploma dos 1000 "goals" a Pelé.
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Na parte destacada pela seta vermelha, o texto por debaixo da manchete diz:
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"Pelé, o maior jogador do mundo, já se aproxima da marca dos 1000 gols. Até ontem já havia conseguido 987, pelo Santos e pelas diversas seleções que participou, e como tem pelo menos 16 jogos na Taça de Prata ( Campeonato Brasileiro da época ) deverá atingir aquele impressionante total até dezembro. "O GLOBO", através do seu correspondente na Europa, Janos Lengyel, conseguiu que a FIFA, por antecipação, fizesse o registro e expedisse o diploma, assinado por Sir Stanley Rous. ( Fac simile do diploma e a estatística dos goals marcados pelo Rei na seção de esportes.)"




E na página 22 o jornal O GLOBO publicou com orgulho a seguinte manchete: 
PELÉ, ARTILHEIRO DO MUNDO. 
E acima da manchete, em destaque: 
FIFA através de O GLOBO, dará diploma ao "rei".
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📜O DIPLOMA

O diploma da FIFA, assinado pelo presidente da entidade, Sir Stanley Rous, diz:
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"O mundo inteiro do futebol aplaude a marcante conquista de Edson Arantes do Nascimento ( Pelé ), assinalando mil goals em partidas internacionais e outras representativas entre clubes. Essa magnífica façanha não deverá ser ultrapassada por outro qualquer jogador durante muitos anos e todos os que o vêem jogar desejarão juntar-se a mim dando-lhe sinceras congratulações.
Stanley Rous, presidente da FIFA.

👉O texto acima, que Sir Stanley Rous escreveu no diploma, é muito claro, não tem margem para dúvidas nem para qualquer outra interpretação: congratula e ao mesmo tempo reconhece os 1000 gols como legítimos, portanto, são válidos e incontestáveis. 
👉Até a data de hoje, este diploma nunca foi questionado por ninguém, nem mesmo pela própria FIFA. 
👉Este diploma é a prova definitiva que a FIFA não usava a estatística de "gol oficial" e "gol não-oficial", tão na moda hoje em dia, como regra geral no futebol mundial naquele tempo.
📰A REPORTAGEM
O sub-título da reportagem tem escrito em letras grandes: 
SOMA TOTAL ATINGIU A 987 TENTOS.


Pelé aproxima-se dos mil tentos - sem contar logicamente os "peladas" ( jogos de futebol quando Pelé era amador ) da Praia do Gonzaga e o Baquinho, (time) infantil do Bauru A.C., para atingir o que deverá ser um recorde mundial e difícil de ser quebrado. Baseado em dados antigos do famoso confrade Thomaz Mazzoni ( Olimpicus ), de " A Gazeta Esportiva" de São Paulo, Pelé chegou ontem a 987 tentos, cumprindo a sua 793ª atuação - diante do Stoke City - jogando pelo Santos, seleções as mais diversas e também a seleção de Adjidan, pela qual atuou apenas um tempo, o segundo, *marcando contra o próprio Santos.

👉( *este gol e mais outro gol ficaram de fora da estatística dos gols de Pelé. O próprio Rei preferiu ficar com a estatística do jornalista Adriano Neiva da Motta Silva, o De Vaney, e do próprio Santos, que indicava dois gols a menos, e que a própria FIFA reconheceu como oficial, como já visto 👉 AQUI )


E Pelé, apesar do que já foi publicado em livro, que não citamos por motivo de ética, é o primeiro brasileiro e talvez artilheiro do mundo a chegar aos 987 tentos. A história de Friedenreich ter feito 1329 é lenda, pois mesmo atuando 26 anos não havia oportunidade na época, inclusive pelas dificuldades de comunicação, para fazer tanto. Basta recordar que o saudoso Fried, recentemente desaparecido, pela seleção nacional, onde pontificava, conquistou somente dez tentos ao longo da sua atividade. Teria havido a média superior a 50 goals anuais, o que é miragem.

E quanto ao registro na FIFA, conforme apurou  ( o lendário )  Janos Lengyel, é anedota, pois agora é que, através desse nosso companheiro correspondente de O GLOBO em Genebra, é que haverá registro do recorde. 
E foi a providência que tomamos, já tendo em nosso poder o diploma da FIFA, assinado por Sir Stanley Rous, que publicamos na edição de hoje, numa antecipação do que será entregue a Pelé no dia em que marcar seu tento nº 1000. 
Como terá de enfrentar 16 adversários na Taça Roberto Gomes Pedrosa ( campeonato brasileiro ), é certo que até dezembro chegará o total que dará ao Rei um novo título: PELÉ, O ARTILHEIRO DO MUNDO.

👉O resto da reportagem é sobre o jogo em que o Santos venceu o Stoke City por 3 x 2, onde 2 grandes nomes do futebol mundial daquela época estiveram presentes no estádio para ver o jogo: Sir Alf Ramsey, treinador campeão do mundo pela Inglaterra em 1966, e o lendário defensor Bobby Moore, capitão daquela seleção campeã de 1966. 

- Um diploma não tem prazo de validade, é definitivo. O que está lá escrito não pode ser questionado. Só não vai lutar pelo o que é seu por direito próprio se não quiser

- Os jornalistas esportivos de hoje que trabalham nas organizações GLOBO, uma rede de comunicação e televisão de referência mundial, nem se deram ao trabalho de sequer fazer uma pesquisa no acervo digital do próprio jornal para ver e conhecer o brilhante trabalho que seus antecessores fizeram há 50 anos atrás.

LINK JORNAL O GLOBO 23/09/1969
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https://acervo.oglobo.globo.com/consulta-ao-acervo/?navegacaoPorData=196019690923


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