FILME PELÉ ETERNO

FILME PELÉ ETERNO
A prova definitiva de quem é o melhor jogador de sempre

domingo, 23 de março de 2014

Pelé e Muhammad Ali, os maiores de todos os tempos

Muhammad Ali dispensa apresentações, mas para quem (ainda) não conhece ou ouviu falar,
é o maior pugilista da história do boxe, 
tendo sido 3 vezes campeão do mundo dos pesos pesados.



Além disso, era um verdadeiro show-man fora dos ringues, com frases engraçadíssimas,
provocações aos adversários e muita polêmica,
mas também foi uma verdadeira inspiração para os negros na época da América racista dos anos 60,
um ídolo em todo o mundo, e um verdadeiro ícone americano.
Foi produzido um filme sobre a sua vida, com o ator e galã Will Smith no papel principal,
onde Ali mandou uma das suas:
"Não tinha ninguém bonito para interpretar história da minha vida???":-)



Para a maioria das revistas americanas especializadas em esportes em geral, 
o boxeador que antes de se coverter ao islamismo, se chamava Cassius Clay,
é o maior desportista de todos os tempos ao lado da lenda do basquete, Michael Jordan.



Para as revistas esportivas do resto do mundo, menos na Argentina, Pelé é o Atleta do Século XX,
o que gerou a célebre frase de Muhammad Ali na despedida de Pelé do futebol,
no jogo do New York Cosmos contra o Santos:
"Agora, somos os 2 maiores de todos os tempos"


Pelé e Ali, mesmo antes de se conhecerem pessoalmente, eram fãs confessos um do outro, 
e a amizade se consolidou quando o Rei se mudou para New York contratado para jogar
pelo New York Cosmos, com o intuito de popularizar o futebol em terras do Tio Sam.

Ali fez questão de ir à despedida de Pelé do futebol
As duas lendas do esporte mundial são amigos até hoje, 
como se pode verificar abaixo na página do Facebook do Rei,
numa vídeo-chamada em 3 de fevereiro deste ano.

É sempre bom estar nos Estados Unidos e matar saudades da família e dos amigos. Hoje tive uma surpresa linda, tive a chance de conversar no FaceTime com meu ídolo Muhammad Ali. Me trouxe grandes memórias do meu tempo em Nova York com os Cosmos!

It's always nice to be in the United States and to catch up with my family and friends. Today I had a beautiful surprise, I was able to FaceTime with my idol Muhammad Ali. It brought back great memories of my time in New York with the Cosmos!

Muhammad Ali hoje em dia luta contra a doença de Parkinson.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Pelé participa no programa os Trapalhões

Da direita para a esquerda:Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum e Zacarias






Os Trapalhões, os reis do humor, são ídolos de todo o Brasil há mais de 50 anos.
O grupo composto por Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum e Zacarias, os dois últimos já falecidos,
não teve a dimensão de Pelé a nível internacional, 
mas é impossível falar sobre a história da tv e do cinema brasileiros, 
sem que OS TRAPALHÕES sejam mencionados,
estando entre os maiores campeões de audiencia, e de bilheteria, de todos os tempos no país.

Renato Aragão e Pelé, dois ícones brasileiros
O grupo de vez em quando, convidava algumas celebridades para participação especial no
programa, e muito raramente (eu diria nunca) o convidado, por mais vip que fosse, 
recusava um convite para atuar junto com os Trapalhões.

Aqui, outro Rei, foi convidado dos Trapalhões
E neste divertido vídeo gravado ao vivo no programa dominical, 
líder de audiencia por quase 3 décadas, Pelé é o convidado especial, 
e tenta de todas maneiras se livrar das ameaças do quarteto:-)

PELÉ E OS TRAPALHÕES

Para quem fala e entende a língua portuguesa, e não conhece os Trapalhões, 
deixo abaixo 5 vídeos do grupo com gente bastante conhecida.
Boas gargalhadas a todos:-)

O COMPOSITOR DO REI

SIDNEY MAGAL

"TERESINHA" DE CHICO BUARQUE DE HOLANDA, 
parodiando a cantora Maria Bethania


NEY MATOGROSSO

CAETANO VELOSO

Há muitos mais vídeos no Youtube.É só procurar e boas risadas:-)

terça-feira, 18 de março de 2014

Pelé e Elvis, os Reis no Exército

Foto de autor desconhecido
Pelé e Elvis, tem mais em comum do que se possa imaginar.

Ambos ainda muito jovens, no auge do sucesso, eram ricos, famosos, verdadeiras celebridades mundiais, já eram chamados de REIS, mas ainda assim, foram exemplo de civismo e até de patriotismo, para os seus milhões de fãs espalhados pelo mundo.

Pelé e Elvis, mesmo com tudo a favor para dizerem não 
(fama, dinheiro, prestígio internacional e até amizade com os próprios presidentes dos seus países), cumpriram o seu dever de cidadãos:
se alistaram nas Forças Armadas e cumpriram o Serviço Militar como qualquer indivíduo comum, com as mesmas obrigações e serviços, sem privilégios ou facilidades.

Apenas com uma diferença:eram literalmente as estrelas da companhia, com fotógrafos e jornalistas quase que diariamente à porta do quartel, para tentarem fotos ou notícias exclusivas sobre a carreira militar dos dois reis: o do futebol e o do rock.




Elvis Presley foi convocado pelo Exército dos Estados Unidos no dia 24 de março de 1958
Ele ganhava 78 dólares por mês e era proibido de acessar sua receita artística de cerca de 
40 mil dólares mensais!!!
Sua mãe, Gladys, morreu um dia depois da volta do cantor para casa, em 14 de agosto de 1958.


Pelé serviu 6 meses ao Exército em 1959 no 6º Grupo de Artilharia de Costa Motorizado, 
na localidade de Praia Grande, no Estado de São Paulo, e também seguiu as regras:
teve que viver do salário que o Exército pagava, 
sem poder tocar no seu já gordo ordenado que ganhava no Santos.
Relato da experiência do Soldado 201 Nascimento,  ao ter passado pelas fileiras do Exército: 

“Com muita honra eu servi ao Exército, eu acho que foi um dos grandes acontecimentos da minha vida, digo isso para os mais jovens. Tudo começou quando eu vim em 1958, campeão do mundo com a seleção brasileira, com idade ainda para servir ao Exército, com 17 pra 18 anos, fui servir ao Exército. 
Muita gente achava que eu não deveria, que não precisava, que eu já havia ajudado o Brasil. 
Mas eu servi ao Exército, aprendi tantas coisas, eu gostaria de dizer: todos os jovens que puderem passar pela experiência que eu passei, devem passar. 
Porque a gente aprende a disciplina, a respeitar o próximo. 
E eu aprendi a passar, cozinhar e lavar. É um grande aprendizado e isso fica para o resto da vida."

Observação do autor: voce consegue imaginar hoje em dia, 
algum jogador de futebol ou estrela de rock abdicar por 6 meses da carreira, 
para dar exemplo de cidadania e civismo, e servir as Forças Armadas 
seguindo as mesmas regras que Pelé e Elvis seguiram?
Nem eu:-)

sábado, 15 de março de 2014

Pelé, goleiro reserva do Santos e da Seleção Brasileira???


Sim, é verdade, Pelé era oficialmente o goleiro reserva do Santos e da Seleção Brasileira.
















Até mais ou menos a altura de 1970, não havia cartões amarelos ou substituições, e quando o goleiro era expulso, o jogador da linha que tivesse mais talento para jogar como goleiro é quem substituia o companheiro expulso.
No caso do Santos e da Seleção Brasileira, o eleito era...Pelé:-)

O jogo mais representativo para a carreira de goleiro de Pelé aconteceu em 19 de janeiro de 1964. 
No Estádio do Pacaembu, o Santos jogava contra o Grêmio a partida que garantiria uma vaga para a final da Taça Brasil.


No primeiro jogo, em Porto Alegre, o Santos ganhou de 3 a 1, e no jogo de volta em São Paulo,
num Pacaembu lotado, quando o Santos ganhava de 1 a 0, o Grêmio virou para 1 a 3.



Mais uma vez o Gênio da Vila fez a diferença e marcou três gols,
virando o placar para 4 x 3, mas aos 40 minutos* do segundo tempo
(uns dizem 41, outros 43 minutos, o que contribui para aumentar a lenda),
o juiz marcou um pênalti contra o Santos, irritando o goleiro Gilmar, que acabou expulso.


Pelé foi para o gol e não só defendeu o pênalti*, como também fez duas defesas sensacionais,
segundo os relatos e jornais da época.
*(uns dizem que foi o penalty que causou a expulsão do goleiro Gilmar, 
outros dizem que não houve penalty, o que só contribui para aumentar o mito.)


Pelé no gol contra o Botafogo da Paraíba em 14/11/1969.
O Rei Pelé, além desse jogo contra o Grêmio, jogou como goleiro em mais 3 outros jogos. 
Em nenhum deles foi escalado como goleiro, mas sim substituiu o arqueiro durante o jogo. 
A saber:
04/11/1959 – Santos FC 4 X 2 Comercial (capital) – na Vila Belmiro (substituiu o goleiro Lalá);
14/11/1969 (foto ao lado) – Santos FC 3 X 0 Botafogo (PB) – em João Pessoa (substitui o goleiro Jair Estevão);
19/06/1973 – Santos FC 4 X 0 Baltimore Boys (EUA) – substituiu o goleiro Cláudio.

A versão dos santistas AQUI - www.acervosantista.com.br
e a versão dos gremistas AQUI - gremio1983.blogspot.pt
(Ambas as versões tem o vídeo do jogo com imagens da extinta TV TUPI.)

Entrevista com o ponta esquerda Pepe sobre este jogo

Numa partida entre Santos e Grêmio (4 a 3), em janeiro de 1964, pela Taça Brasil de 1963, Pelé (E) atuou os cinco minutos finais como goleiro, depois da expulsão do campeão mundial Gilmar. Quem lembra do jogo é o segundo maior goleador da história do clube paulista, o ex-ponteiro-esquerdo Pepe (D), 77 anos, que estava em campo naquela tarde de verão no Estádio do Pacaembu.


Pelé num treino da seleção brasileira
Você lembra do jogo?
Pepe – Claro, foi marcante. Fiz o primeiro gol. Pelé marcou os outros três. O Grêmio tinha um grande time, deu um trabalho danado. O Pelé vestiu uma camiseta preta de mangas compridas, lembro até agora. Era do Gilmar. Fez grandes defesas, duas ótimas, pelo menos, garantiu o placar. Era proibido fazer substituições na época. 
Você sabia?
O Rei era bom goleiro?
Pepe – Muito bom, elástico, voava muito. Tinha uma agilidade impressionante. Nos dois toques, nas brincadeiras, em alguns treinos, ele sempre atuava como goleiro. Gostava. Na época, na cidade de Bauru, o Noroeste jogava com uma goleiro negro, alto, forte, chamado Julião. Então, eu, o Coutinho e o Dorval, de bricandeira, apelidamos o Pelé de Julião nos treinamentos do Santos.
Pepe diz que Pelé também jogaria, e bem, como goleiro
E ele?
Pepe – Não dizia nada, ria. Entrava na gozação. O apelido pegou no vestiário, especialmente entre os mais próximos. Eu, por exemplo, não o chamo de Pelé, Edson, Dico, seu apelido de infância, ou de Negão. Eu o chama sempre de Julio (risos). E aí, Júlio, tudo bem Julio (risos). o Apelido pegou. o Pelé ri da história até hoje.

A história é muito boa
Pepe – (risos). Hoje (sexta-feira) mesmo, eu encontrei o Coutinho (companheiro do histórico Santos dos anos 1960) na hora do cafezinho e ele perguntou. ‘Tem visto o Júlio?” Não, eu disse, só na tevê (risos)
Será que vai nascer outro Pelé?
Pepe – Você tá maluco (risos). O Pelé não é deste mundo. É de outro planeta. É um ET (risos).

Crônica de Armando Nogueira sobre este jogo 

Não tenho nada com isso, mas acho que os jogadores do Santos deviam deixar de conversa e começar logo a retribuir, na ficha, o que por eles tem feito esse moço chamado Pelé.

Cada um, de Gilmar a Pepe, podia muito bem autorizar a tesouraria do clube a descontar de seus salários, em favor de Pelé, uns trinta ou quarenta por cento, todo mês.



Quando Pelé, por estafa, é obrigado a ficar de fora, o time do Santos descamba para a mais espantosa mediocridade e só consegue escapar às derrotas porque, invariavelmente, apela para a violência ou para a catimba.

Não se treta de desmerecer o time do Santos, mas apenas, de falar a verdade completa sobre a importância de jogadores como Pelé e Garrincha.

O Botafogo esvaziou porque Garrincha saiu do time. A ausência de Garrincha restituiu o time do Botafogo ao plano dos demais, ao plano do futebol quadrado e rotineiro.
Ninguém precisa ser profeta para predizer a vitória do Santos, em qualquer cirscunstância, 
desde que Pelé esteja em campo.Ainda domingo, ouvia eu o jogo, com Cláudio Melo e Sousa.
O Grêmio já ganhava de 3 a 1.

Cláudio, com a maior segurança, comentou que dois gols não significam absolutamente nada 
porque Pelé estava ali para acabar, em 3 golpes, com a alegria dos gaúchos.

Daí a pouco, ainda nos 3 x 1, Paulo Sousa, do Grêmio, perdeu o 4º gol cara a cara com Gilmar.
Foi a minha vez de observar:
"Depois, o pessoal do Grêmio vai ficar espantado porque seu time perdeu de 4 x 3".

Não tardou muito:Pelé, sozinho, descontou a diferença, empatou, depois desempatou e foi acabar o jogo fechando o gol do Santos no lugar de Gilmar que fôra expulso de campo.
E fez tudo aquilo sorrindo, absolutamente descontraído como se estivesse batendo bola em dia de treino do Santos ou da Seleção Brasileira.

No finalzinho do jogo, conta-me um amigo, Paulo Sousa chutou com violência ao ângulo superior da trave, ali na última gaveta. Pois o crioulo saiu do chão, catou a bola e - aqui é que está a diferença entre ele e todos os outros goleiros do mundo - devolveu a bola não com um tiro de meta, mas com um passe preciso para Pepe.
Paulo Sousa não teve outro jeito senão rir, rir muito.

Já conheço dezenas de definições sobre Pelé, mas, ainda assim, peço licença aos estudiosos do gênio do futebol para oferecer mais uma observação:
"Pelé é um craque que, com ou sem trocadilho, carrega dez nas costas."

terça-feira, 11 de março de 2014

Como é que ELE fez isso???Nunca vi nada igual, nem na PLAYSTATION:-))

"Na cabeça da maioria dos jogadores não passa nada no momento de fazer uma jogada. 
Na de Pelé passa um longametragem!!!"

Deve ser por coisas como essas nos 2 vídeos abaixo,
que o maior lateral esquerdo da história do futebol brasileiro e mundial,
o eterno craque recém falecido Nilton Santos, a Enciclopédia, uma vez disse a frase acima:-)

Eu já vi este vídeo inúmeras vezes, e ainda não consegui perceber como ELE trocou de pé 
com uma rapidez impressionante no início da jogada no meio-campo,
e depois dá um golpe de rins no adversário antes de oferecer o gol ao companheiro:-)



E aqui abaixo, passa por 5 adversários (eu disse 5 adversários!!!)
dentro da grande área (eu disse dentro da grande área!!!)
antes de...   ...metê-la lá dentro:-)



Deve ser por essas coisas que o grande Nilton Santos, Deus o tenha em bom lugar, disse aquilo...:-)

domingo, 9 de março de 2014

Revista SELECÇÕES DESPORTIVAS - Janeiro de 1978 - Portugal

Foi com muito gosto e bastante satisfação que recebi no meu mail este " verdadeiro tesouro" do 
Sr Armando Pinto, homem muito respeitado no universo do Futebol Clube do Porto,
a começar pelo Presidente, de quem é sempre convidado vip.

Sr Armando Pinto, tem um acervo imenso e ímpar sobre o clube, 
e o desporto português em geral, 
tendo inclusive coisas que nem o próprio clube possui em seu espólio.
Este post AQUI mostra a sua visita ao novo museu do FC Porto, onde há várias peças suas expostas, 
incluindo a foto de uma carta muito especial da sua coleção particular.

Este é o cabeçalho de um de seus blogs, o MEMÓRIA PORTISTA
Vale a pena conhecer o memoriaporto.blogspot.pt  e o longara.blogspot.pt
dos quais sou leitor assíduo e conhecer um pouco do esporte, esportistas 
e costumes do norte de Portugal, Felgueiras em particular, ao longo da história. 
Gentilmente, o Sr Armando digitalizou e enviou-me este exemplar da revista 
Selecções Desportivasde janeiro de 1978, com 5 páginas dedicadas a Pelé, 
ajudando a enriquecer ainda mais este espaço dedicado à vida e obra do Rei, 
dentro ou fora das 4 linhas.
Muito obrigado Sr Armando.

*Nota para a última página, com mais uma das muitas histórias do Rei (essa eu não conhecia), 
que aconteceu no Harlem, famoso bairro negro de Nova Iorque, 
onde Pelé em uma "jogada genial", mais uma vez driblou tudo e todos:-)




sexta-feira, 7 de março de 2014

Fuga para a Vitória: Luz, Câmara, AÇÃO!!!OK, não precisa repetir, foi simplesmente PERFEITO!!!

Foi com essas palavras que John Huston,
diretor de Fuga para a Vitória se dirigiu a Pelé, após terem acabado de filmar a célebre cena
da magistral bicicleta no fim do filme.
Bastou um único take e a cena ficou pronta.

Quem já viu o filme Fuga Para a Vitória, 
viu no fim a emocionante bicicleta de Pelé, 
de levantar qualquer estádio em qualquer lugar do mundo.

Pois bem, não foi truque de filmagem, nem edição de várias imagens, a bicicleta foi mesmo à vera, 
em tempo real e em um único take, 
filmada por várias câmaras em vários ângulos.

Além de Huston, o antigo jogador do Liverpool e da seleção escocesa, John Wark, 
que também participou do filme e assistiu à cena bem de pertinho, conta a mesma coisa, além de outras curiosidades durante as filmagens.


Nos anos 80
John Wark fez 771 jogos de futebol pelo Ipswich, Liverpool e Middlesbrough, venceu o PFA Jogador do Ano em 1981, conquistou a Taça UEFA com Ipswich no mesmo ano e jogou no Mundial 1982.
Hoje o antigo meio-campo admite que é mais susceptível de ser reconhecido pelo seu papel na tela grande do que pela sua carreira.
Wark em campo fazia parte da equipe de aliados no filme cult Fuga para a Vitória e admite que é difícil imaginar que ele estaria falando sobre isso cerca de 25 anos depois.
"Algumas semanas atrás, eu estava andando na rua e meu celular tocou,'', lembrou." Alguém disse ao telefone "você está na TV " e eu pensei 'diabos, o que eu fiz? '.
Então, eles me disseram que era sobre o filme, após um jogo amistoso entre lendas da Inglaterra e Alemanha. "Para ser honesto, eu acho que um monte de gente se lembra de mim pelo filme e não pela minha carreira de jogador ."
John Wark marca Sócrates na Copa do Mundo de 1982 na Espanha
Joguei futebol por 25 anos, mas ninguém menciona que ganhei o prêmio PFA em 1981 Tudo que eu vejo é "você estava em Fuga para a Vitória '' Ele acrescentou: "É inacreditável, realmente é, tanto tempo depois e ainda está sendo exibido e agora vai sair em DVD..."
"Foi realmente um grande momento fazer isso. Foi o melhor verão que eu já tive. Nem todo mundo tem a chance de jogar com Pelé e foi uma verdadeira alegria de estar com ele. Ele tinha acabado de fazer 40 anos, mas ele certamente ainda tinha alguma coisa e ainda estava em forma.
"Quando ele chegou nós estávamos em êxtase. Ele é uma lenda, provavelmente o melhor jogador de futebol que o mundo já viu. Mas depois que você começa a conhecê-lo bem, ele é um grande homem ".




















Fuga para a Vitória é o filme que traz jogadores de futebol e estrelas de Hollywood juntas.
Michael Caine assume o papel de John Colby, um defensor do West Ham United, cuja carreira foi interrompida pela guerra, Max von Sydow o oficial nazista que instiga o jogo e Sylvester Stallone como Hatch, o Yankee POW, cujo único objetivo é escapar do acampamento, e acaba como goleiro. E com sorte. E enquanto os futebolistas - Ossie Ardiles, Bobby Moore, Mike Summerbee e Wark entre eles - misturavam-se livremente com os atores, houve um que se manteve um pouco distante.
Stallone, que chegou na Hungria para as filmagens após o seu grande sucesso com Rocky. 

"Ele chegou com seguranças e guarda-costas e costumava ir a Paris no fim de semana quando não estávamos filmando'', disse Wark." Eu acho que foi um grande momento para ele depois de Rocky.''
John Wark, de bigode ao  lado de Sylvester Stallone
Wark não foi o único jogador Ipswich a participar. Russell Osman era um companheiro da equipe dos Aliados, enquanto Laurie Sivell, Kevin O'Callaghan, Robin Turner Paul Cooper e Kevin Beattie todos tinham papéis dentro e fora da tela.Metade do Ipswich Town, foi transportado temporariamente para Budapeste.
 "Um cara na indústria cinematográfica conhecia Bobby Robson,'' disse Wark."Ele chegou e perguntou se algum de nós queria participar de um filme. Eu e mais quatro colocamos as mãos para cima."
E foi apenas porque não estávamos fazendo nada naquele verão. Nós realmente não sabíamos o quão grande ia ser o filme até que chegamos na Hungria.
Michael Caine e Pelé numa cena do filme
"Só quando chegamos lá e estavam Sir Michael Caine e Pelé aparecendo é que percebemos que a coisa ia ser grande. Pensávamos que estávamos indo para lá apenas para o futebol, então eles começaram a distribuir os scripts e assim foi.

"Foi um pouco assustador nas primeiras vezes à frente das câmeras, mas estivemos lá por cinco semanas em torno das câmeras e filmagens para nos familiarizarmos com elas." Se não estávamos envolvidos nas filmagens, estávamos fortemente envolvidos nas cenas de futebol, para acostumarmos cada vez mais com as câmeras."
 "Acho que os jogadores provavelmente renderam mais a atuar com atores do que os atores para o futebol e eu acho que Stallone não tinha jeito nenhum pra isso.Ele queria escrito no script que ele marcaria o gol da vitória no final!
Stallone pensava que o goleiro era quem mais fazia gols num time de futebol:-)
"Tiveram que lhe dizer que os goleiros são para evitar gols e raramente vão ao ataque para fazer gols.Ele por fim se convenceu, e realmente não sabia mesmo nada sobre futebol.''
Stallone pode ter reclamado, mas é justo dizer que Pelé (Luis Fernandez no filme) nunca o fazia. 
Uma das imagens definitivas do filme é quando ele faz o pontapé de bicicleta.
No filme, ele vai em direção à meta, dribla um alemão entre as pernas, com "costelas quebradas", ele avança, passa a bola e recebe um cruzamento de Terry Brady (Bobby Moore) 
e empata o jogo em 4 x 4.

Wark disse:"Levou apenas um take para Pelé fazer o gol de bicicleta.Para a maioria de nós, teria de ter pelo menos dez tentativas e mesmo isso poderia não ter sido o suficiente. Ele fez logo da primeira vez. Acho que é por isso que ele é Pele.''



Filmado no Estádio MTK de Budapeste, Wark jogou o primeiro tempo, mas é visto no banco durante todo o segundo período, após a lesão.
"O jogo em si foi jogado contra uma equipe da primeira divisão húngara, por isso era mais realista, 
e os atores foram cortados no filme final,'' disse ele." Eu fiquei machucado contra eles e você me vê sentado no banco com Pelé a maior parte do jogo, porque eu não estava apto.
"Eu acabei de voltar para Ipswich e perdi as primeiras semanas de treinamento da pré-temporada por causa disso.''
John Wark hoje
No seu livro de memórias, em outra reportagem, 
John Wark também cita mais detalhes destas filmagens:

"Eu não percebi o quão grande o filme ia ser até que chegamos lá e Bobby Moore e Pelé estavam esperando por nós. Eram bons rapazes, e sentávamos no hotel e tomávamos um bom número de bebidas todas as noites.

Pelé tinha 40 anos na época, e eu não podia acreditar que as habilidades que ele tinha com uma bola. Quando ele marcou o pontapé de bicicleta que você vê no filme, ele fez isso em um take.


Pelé exibindo a sua habilidade durante as filmagens
"Eu era 15 anos mais jovem do que ele, no auge da minha carreira, e teria levado dezenas de takes para eu acertar. Os caras do cinema não perceberam o significado daquilo, mas todos os jogadores do filme ficaram lá, em reverência.



"Eu só tinha duas linhas em todo o filme e eles foram dublados porque sentiram que os espectadores não seriam capazes de compreender o meu sotaque de Glasgow. Eu não teria me importado, mas eu só descobri quando fui assistir a estréia.

A BICICLETA SENSACIONAL

Mais neste blog sobre o filme Fuga para a Vitória AQUI e AQUI
e vale mesmo a pena conhecer a incrível e emocionante história verídica 
do time de futebol que inspirou esse filme AQUI

Nota:Os dois textos acima foram reduzidos por mim e neles estão apenas as partes em que o ex-jogador escocês se refere ao filme e seus atores.
Para quem se interessar em ler tudo, os textos originais completos em inglês estão  AQUI AQUI 

quinta-feira, 6 de março de 2014

"Simplesmente...Pelé" por Antero Greco


Simplesmente Pelé
Por Antero Grecco, no jornal Estado de São Paulo em 2013.

Pelé, primeiro e único Rei do Futebol, tem 73 anos e deixou os campos quase quatro décadas atrás.

Na fase derradeira de carreira gloriosa, ganhou uns milhões de dólares nos Estados Unidos; dinheiro para forrar o pé de meia. Mesmo após tanto tempo de aposentadoria, não sai de cena. Mais do que isso, ainda incomoda, como nos tempos em que era o terror e o encanto dos adversários.




Não passa semana sem que Pelé apareça na mídia, por publicidade ou por encontro com algum figurão ou por declaração polêmica. E tudo o que diz provoca barulho, proeza reservada só aos personagens realmente importantes, que contam.
Não os meteoros que surgem e desaparecem num estalar de dedos. O mito é forte.

Mas virou moda, de uns anos para cá, buscar números, dentro de campo, que diminuam o que Pelé fez. Ou caçar afirmações que o desmereçam. 

Nunca é demais lembrar, que as proezas do Esportista do Século 20 foram obtidas em época sem marketing agressivo, sem tevês a cabo, muito menos mídias sociais, internet e outros babados tecnológicos. A lenda espalhou-se pela consistência dela mesmo, pelo extraordinário poder de sedução e magia de dribles, gols, carisma do astro.

Pelé, na prática, antecipou-se à globalização.

Pelé é cidadão do mundo, reverenciado por onde passa. O passaporte que apresenta, nas alfândegas, é o sorriso dele. E basta. O documento em papel não significa nada além de formalidade. Os carimbos são estampados com reverência e constrangimento dos agentes de imigração. 

Pelé provocou trégua numa guerra na África, para que facções inimigas pudessem ir ao estádio vê-lo em ação. Pelé teve expulsão revogada, em amistoso nas Américas, por pressão da torcida, que não admitia sua saída. O juiz voltou atrás.

Aqui, no entanto, Pelé é desdenhado, muitas vezes ridicularizado. Desrespeitado e diminuído. Nota-se certo prazer mórbido em escarafunchar alguma estatística em que ele, supostamente, seja ultrapassado. Repare como, vira e mexe, aparece uma manchete dizendo que Fulano “fez o gol que Pelé não conseguiu” (em geral, antes do meio-campo). Pra ficar no superficial.

Pelé já foi cotejado com Di Stefano, Maradona e agora com Messi, para citar os mais famosos. Procuram-se aspectos em que estes craques sejam mais brilhantes do que o brasileiro. Dia desses, saiu que Cristiano Ronaldo está perto de igualar “recorde de gols de Pelé num ano”. Só que tal marca já havia sido estabelecida por Gerd Muller e Messi. Por que a referência a Pelé?

Em recente jogo com o Chile, um repórter de tevê notou que, se Robinho marcasse, superaria Pelé em gols em amistosos contra os vizinhos andinos! Robinho fez o gol, e o locutor ironizou. “Superou Pelé…”

No início dos anos 2000, um jornal descobriu que Robinho tinha início de carreira, no Santos, melhor do que Pelé. Puxa, nossa! Depois, que Neymar tinha aproveitamento melhor do que Pelé. E por aí vai… Um tédio só.

Lamentáveis as armadilhas que armam para Pelé. Por ser acessível, disponível, atencioso, paciente, constantemente cai em ratoeiras que lhe são armadas. Como não se nega a responder sobre o que quer que seja – não por empáfia, mas por simplicidade -, comete deslizes. Que na sequência, viram destaque na mídia e motivo de gozação. 

Mesmo assim, jamais foi grosseiro com imprensa. E poderia sê-lo, pois é o Rei. Acima de tudo, é Pelé – por isso não agride, não perde a linha, a altivez.

Não é preciso concordar com o pensamento de Pelé. Ele é incoerente, frágil, imperfeito. Tem medos e comete equívocos, como você, como eu, como o papa, como qualquer ser humano. Ainda bem. Mas é uma instituição, um herói nacional. E como tal deveria sempre ser tratado.

Um dos muitos exemplos mundo afora que demonstram que, quem é Rei nunca perde a majestade, aconteceu na estréia do Brasil na Copa de 2002 (e provavelmente acontece onde o Rei esteja presente ou seja convidado).

Foi distribuída uma lista na tribuna de honra com os nomes das autoridades presentes no estádio. Após o nome de cada um dos convidados vips, vinha uma série de referências, títulos, sobrenome completo...

O último nome da lista? “Pelé”. Nem nome, nem sobrenome, nem profissão, nada.
Simplesmente estava escrito "Pelé"...e só!


Nota do autor do blog:
E Pelé conseguiu... o que pouquíssimos seres humanos conseguiram:
reunir com sorrisos por breves momentos dois inimigos históricos (ou mortais).
Foi num jogo beneficiente na década de 90 em Roma na Itália, onde pediu para tirar uma fotografia com o histórico líder palestino Yasser Arafat (à esquerda de lenço)
e o então 1º ministro de Israel, Shimon Peres (último à direita), juntos!!!

Simplesmente...Pelé.

*Voce pode ver neste blog, o vídeo e a reportagem sobre esta foto acima  

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