FILME PELÉ ETERNO

FILME PELÉ ETERNO
A prova definitiva de quem é o melhor jogador de sempre

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Pelé, a Bola de Prata da Revista Placar e a camisa comemorativa recuperada 42 anos depois



A Revista Placar é uma das mais tradicionais e respeitadas revistas esportivas do Brasil, e foi criada na década de 60 para ser uma espécie de France Football brasileira.

Pelé beija seu prêmio símbolo da Bola de Prata
Pelé beija seu prêmio símbolo da Bola de Prata / Crédito: Foto: Lemyr Martins

Quando PLACAR instituiu o troféu Bola de Prata, em 1970, Pelé ainda estava em campo.
Mas um dos itens do regulamento dizia que ele era hors-concours. Ou seja: era tão superior aos outros concorrentes que não poderia receber notas nem ser eleito como o melhor do ano em sua posição.

Em 1971, o Rei recebeu um troféu símbolo ao completar 1 000 jogos,
em um amistoso obscuro no Suriname entre o Santos e o Transvaal.
O enviado especial da PLACAR, Lemyr Martins, levou uma camisa e uma Bola de Prata para Pelé comemorar o feito.
Leia, abaixo, o relato da milésima partida do maior jogador de futebol da história,
ocorrida em 26 de janeiro de 1971, e logo a seguir,
como esta camisa comemorativa com o número 1000 à frente foi recuperada 42 anos depois.

Pelé, mil jogos pelos campos do mundo

Oito horas da noite, dia 28 de janeiro de 1971. O Suriname Stadium, com capacidade para 13 mil pessoas e único em Paramaribo, começa a viver os momentos mais importantes em toda sua história. Dentro de alguns minutos Pelé estará começando a jogar sua milésima partida, além de ajudar, com a sua presença, para a queda do índice de mortes por acidente de trânsito na cidade em 70%.

Com o lucro desse jogo os organizadores vão iniciar a construção de um viaduto, perto do mercado, na zona comercial mais movimentada de Paramaribo e onde, no ano passado, houve 104 mortes. Em maio Pelé deve voltar a Paramaribo para inaugurar o viaduto, que terá o seu nome e que, praticamente, acabará com esse problema.

O Transvaal, campeão da cidade, é o primeiro a entrar em campo. Às 8h10, tendo Pelé como capitão, o Santos aparece e ganha mais aplausos.
























Como é um jogo especial, os jogadores não ficam um ao lado do outro: formam um círculo e, no meio dele, fica Pelé. Um por um, os jogadores vão abraçar Pelé. O estádio inteiro, inclusive o primeiro-ministro, o representante da rainha e as demais autoridades de Paramaribo, não pára de gritar o nome de Pelé.

Ele ganha taças e lembranças e, do Brasil, apenas um presente. O primeiro-ministro anuncia que PLACAR vai entregar a Bola de Prata ao atacante. Pelé veste a camisa de PLACAR e posa ao lado dos jogadores do Transvaal.
Todos eles querem ficar com essa camisa, mas Pelé se desculpa,
explicando que vai guardá-la como lembrança da única homenagem do Brasil.



No meio de toda essa festa, Pelé não esquece de pedir ao governador e representante da rainha o perdão para os jogadores punidos pela Federação. Um deles, Grootfaan, estava até proibido de jogar futebol, pois ameaçara o juiz de agressão. Alguns minutos depois o governador anuncia que todos estão perdoados e o público aplaude.

No estádio um torcedor está bastante nervoso. Ele é Marius Pinas, um crioulo de cinqüenta anos, oito filhos e que é chamado de "Pinas Pelé" por seus amigos, tão grande é a sua admiração pelo brasileiro. Marius tirou três dias de licença da firma onde trabalha "para acompanhar Pelé e tirar uma foto ao seu lado". Marius queria até pedir a Pelé que passasse por cima dele, antes de pisar em solo do Suriname.
Como ele, o restante do estádio está impaciente. São 31 minutos e Pelé não fez o seu gol.

Mas nesse momento, Edu, depois de driblar vários adversários, é derrubado na área. O juiz ainda fica em dúvida, mas o bandeirinha confirma que foi dentro da área. É o bastante para o estádio todo começar a gritar "Pelé, Pelé". Com calma, ele caminha para a marca de pênalti. Trinta e dois minutos: o juiz Schakot apita, Pelé corre para a bola, dá a paradinha, chuta no canto direito e o goleiro Baron cai para o esquerdo. Depois, com a mesma tranqüilidade, caminha para o meio.

O público se entusiasma, pede outro gol a Pelé. O Rei começa a correr com maior disposição e o público fica triste: ele vai para o vestiário, dando lugar a Marçal.

26/1/71 SURINAME ST. (PARAMARIBO)
TRANSVAAL 1 X 4 SANTOS
J: Schakot; G: Árlem 7 e Reumel 14 do 1º tempo; Edu 7, Pelé (pênalti) 35 e Edu 42 do 2º tempo.

SANTOS: Cejas, Lima, Ramos Delgado, Orlando e Turcão; Leo e Pitico; Árlem, Douglas, Pelé e Edu. T: Antoninho
TRANSVAAL: Baronm, Norlan, Gesser, Sordan e Boschman; Klimpsop, Lagadu e Bundel; Van Bur, Schal e Bramerloo (Sing).

A história da camisa nº 1000, que 42 anos depois, voltou à Placar
 Repare no número 1 torto na camisa do colecionador Marcos Batista: um erro que comprova a autenticidadeO uniforme da PLACAR, no santuário de Batista: “Não vendo nunca mais”

leia AQUI

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Gols de Pelé (2) - 1969

Quando se pensa em Pelé, logo vem à cabeça bola na rede,
portanto vamos ver gols do Rei no ano de 1969.

Neste Santos 3 x 1 Corintians, na minha opinião, o 1º gol é simplesmente incrível,
e está na minha lista dos 10 melhores.
Impressionante como ele tira os dois zagueiros da jogada com um simples "chapéu"...


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Gols de Pelé (1): 5 gols em 1967

Quando se fala em Pelé, vem logo à cabeça 1000 gols, 3 copas do mundo, Rei do futebol, etc...
Este blog além de também mostrar estas coisas, tem procurado mostrar as múltiplas faces de Pelé, como podem pesquisar aqui ao lado direito no SOBRE PELÉ.

O filme PELÉ ETERNO  (que está disponivel no cabeçalho, é só clicar em cima da foto em preto e branco ) é o filme mais completo e esclarecedor sobre a carreira ímpar do Rei até os dias de hoje,  além de servir perfeitamente para mostrar a quem não viu Pelé jogar,
que as comparações entre o Rei"todos os melhores que Pelé" que surgiram através dos tempos
são pura especulação ou perda de tempo:-)

Mas também quando se fala em Pelé, vem logo à cabeça bola na rede 
e por isso, hoje começamos com a série GOLS DE PELÉ, recordando grandes gols do Rei.
Veja 5 deles no ano de 1967.


Cinco gols de Pelé pelo Santos contra, respectivamente: 
Juventus (1), São Paulo (1), Palmeiras (1) e Juventus (2), com imagens bem prolongadas, 
mostrando as jogadas completas e as comemorações dos gols. 
Vídeo extraído do programa Gol, o Grande Momento do Futebol
exibido pela Rede Bandeirantes em, provavelmente, 1980. 
A apresentação é de Alexandre Santos, as narrações de Fernando Solera e as reportagens de Chico de Assis. Imagens cedidas por Victor Cunha.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O dia em que Pelé quase abandonou o Santos...e o futebol

O Dia em que o Rei do Futebol quase parou...


O menino negro, com menos de 16 anos, já havia descido boa parte dos degraus
que o levariam do alojamento dos jogadores amadores do Santos para a saída do estádio da Vila Belmiro.
Na mala cáqui quadrada que levava à mão, estavam todos os seus pertences.
Na sua cabeça, uma decisão: voltar para Bauru.
Para perto da família, dos amigos do Baquinho, o time da cidade.
De tudo aquilo que ele sentia saudade.
Quem sabe, assim, ele esqueceria de vez o pênalti
perdido alguns dias antes,
contra o Jabaquara, na decisão do Campeonato de Juniores de Santos de 1956.

Foi quando uma voz interrompeu os seus pensamentos:
"Cadê a autorização para sair? Sem autorização você não sai daqui".

O dono da voz era Sabuzinho, um humilde funcionário do Santos, filho da cozinheira do clube que, àquela hora (perto das seis da manhã), se preparava para ir à feira.
O garoto fujão, pego em flagrante, era Pelé.
"Já pensou que besteira eu ia fazendo?", diz, hoje, o Rei, mais de 42 anos depois do episódio.
"Eu não queria parar. Mas aquilo poderia mesmo ter prejudicado definitivamente a minha carreira. Talvez por aquele ato de indisciplina eles não me deixassem mais voltar para o Santos. Por isso, agradeço até hoje ao Sabuzinho."


Anos depois, esse mesmo Sabuzinho - na época auxiliar de roupeiro e uma espécie de faz-tudo no clube - morreu diante dos olhos de Pelé. "Como estávamos de folga, fomos pescar no alto de uma pedra na Praia Grande", conta. "Estávamos eu e o Cláudio, goleiro do Santos, quando Sabuzinho escorregou na pedra e caiu no mar. Fomos buscar socorro, mas não teve jeito."

Em outubro de 1956, Pelé já era mais que uma promessa. Havia marcado o seu primeiro gol pelo Santos algumas semanas antes, em um amistoso contra o Corinthians de Santo André. E todos na Vila Belmiro sabiam do seu potencial. Na verdade, Pelé só não estreara ainda em jogos de campeonato porque o técnico Lula julgava "temeroso" lançá-lo em final de temporada.


Naqueles dias, porém, o time de juvenis (atual juniores) do Santos decidiria o título da cidade contra o Jabaquara. Promovido pela Liga Amadora local, aquele campeonato tinha, para os torcedores e para os dirigentes locais, uma importância impensável em nossos dias. Daí o grande público presente no estádio da Vila Belmiro. E daí, também, a idéia lançada por alguém da diretoria às vésperas da partida: 
"Que tal reforçarmos o nosso time com Pelé?"

Nada mais natural. Com 16 anos incompletos, Pelé ainda poderia jogar tanto no infantil quanto no juvenil. "Era o meu primeiro ano no clube", relembra Pelé. "Topei de cara, porque àquela altura, para mim, tudo era festa."

A partida se aproximava do final. O Jabaquara só precisava do empate, mas vencia por 1 x 0, garantindo o tricampeonato da cidade. Foi quando o juiz Romualdo Arppi Filho, também um garoto de apenas 17 anos, marcou um pênalti a favor do Santos.

"Pelé bateu devagar, no canto direito. E eu quase bati a cabeça na trave para defender. Mas acabei ficando com ela", orgulha-se até hoje, aos 60 anos, o ex-goleiro Fininho. 
Que, no entanto, faz uma ressalva em relação à atuação do Rei: "Pelé já era o foco das atenções. Apesar da infelicidade de falhar o pênalti, jogou muito bem naquele dia".

Pelé, no entanto, não se conformava. "Aquilo me arrebentou", confessa. "Fui vaiado depois do jogo e só pensava em voltar para Bauru."
Ali mesmo, na saída do gramado, Pelé foi cercado pelos profissionais do clube, que assistiam à partida. Principalmente pelo ponta-esquerda Tite (sim, ele mesmo, que hoje é treinador).


Campeão paulista pelo Santos em 1955 ( seria bi naquele mesmo ano ), Tite era um grande amigo de Waldemar de Brito, o homem que levou Pelé para o clube. Por isso mesmo, tornou-se, informalmente, uma espécie de "padrinho" do jovem Pelé naqueles primeiros tempos.

Ao ver o garoto abalado, chorando enquanto saía de campo, Tite passou-lhe a mão na cabeça. Disse que todo mundo, "incluindo os maiores jogadores de futebol da história", também já haviam perdido pênaltis.
E encerrou, profético:
"Levante a cabeça, garoto. Daqui para a frente, você terá, ainda, muitos outros pênaltis para bater. E mais umas 1 000 chances de marcar".


1956 - No dia 22 de julho, Pelé chega ao Santos.

No dia 7 de setembro, 1 mês e meio depois, Pelé marca seu primeiro gol pelo Santos, na vitória de 7 a 1, sobre o Corinthians de Santo André, no goleiro Zaluar Torres Rodrigues.

Neste ano, Pelé conquistou seu primeiro título pelo time (campeão da Taça Gazeta Esportiva), em 24 jogos invicto.

*Reportagem originalmente pertencente à edição de número 1.149 da revista Placar, de de março de 1999, e republicada com motivo do aniversário de 70 anos de Pelé.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Pelé nos VIDEOGAMES - Jogo Academy of Champions da Nintendo-Wii 2009

ACADEMY of CHAMPIONS

3 décadas após ter se aposentado, 
Pelé continua com o prestígio intacto mundo afora.


Mesmo com a concorrência de um sem-fim dos jogadores de hoje, 
tatuados e com cortes de cabelo cada vez mais esquisitos, 
que todos os dias aparecem em montagens de vídeo na TV e no Youtube
com 200 câmaras a filmá-los de todos os ângulos desde que eram 
juniores, ou juvenis, ou infantis, ou recém-nascidos,
o Rei foi o rosto do jogo, mas em forma de desenho animado 3D,
que diga-se de passagem, o boneco tá muito bem feito.


Pelé é a personagem principal do jogo de futebol "Academy of Champions",
que foi lançado pela Nintendo Wii no final do ano de 2009.

Este foi o 3º videogame que teve Pelé como garoto-propaganda.



No jogo Pelé não irá fazer gols, aquilo que sempre fez,
mas irá vestir o papel de professor e ajudar os jogadores
a melhorarem as suas habilidades com a bola.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Pelé e o Papa Paulo VI

O Papa Paulo VI, antecessor dos Papas João Paulo I e João Paulo II
foi um dos Papas mais conservadores da história.
Muito raramente recebia em audiência figuras que não fossem chefes de estado ou da realeza.

Pelé foi uma das poucas excessões.



Em 1966 no Vaticano, o Papa Paulo VI recebe e dá a benção 
ao recém casado Pelé e sua 1ª esposa Rose, 
então em viagem de lua-de-mel pela Europa.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

O Rei, Sylvester Stallone e a Fuga para a Vitória (2).Conheça a incrível história do time que inspirou este filme


Ainda sobre o filme Fuga para a Vitória,
estrelado por Pelé, Sylvester Stallone, Michael Caine entre outros(foto acima),
vale a pena conhecer a comovente história verídica do FC Start,
o time de futebol que inspirou o consagrado diretor John Huston a fazer o filme em 1982.


Leia abaixo a história destes verdadeiros heróis...vale a pena ler...
e vale a pena divulgar esta história...
Esta é uma das 2 únicas fotos do FC Start
Magistral texto de M, do blog laemcasamandoeu.blogspot.pt
(com algumas adaptações ao português do Brasil, tipo goleiro=guarda-redes, nazi=nazista).

Várias, várias vezes, perguntam-me, com um ar superior, como é possível eu gostar tanto de futebol. Alguns, atiram com o (fraco) argumento de que se trata do ópio do povo e de que eu contribuo para isso.

Há pessoas que não percebem que o jogo não são só milionários tatuados que dizem alarvidades em frente às câmaras. É muito dificil explicar que há mais poesia no pé esquerdo de um Pelé, de um Messi, de um Zidane do que no mundo inteiro, mas há.

E que há uma magia envolvente, um sem número de histórias, de lendas.

É que no futebol, além de se sonhar, resiste-se. Os fracos derrotam os fortes. Os clubes dos ricos, do poder, perdem. E nas arquibancadas já se gritou muitas vezes pela liberdade.




(Mariano Amaro e José Simões, jogadores portugueses num Portugal x Espanha durante a Guerra Civil Espanhola que ao, ao invés de fazerem a saudação fascista, cerraram o punho)

Venho então falar do FC Start, uma equipa cuja coragem não terá ainda paralelo, e que representa, mais do que tudo, como onze homens podem, com uma bola, mudar o mundo.


Estamos em Junho de 1941 e os nazistas invadem a URSS, 
ganhando a cidade de Kiev aos soviéticos.
Kiev quase totalmente destruída
(URSS significava União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, 
e era um país único que chamávamos simplestemente de Rússia, 
e que em 1991 se dissolveu e deu origem a 15 novos países:
Arménia, Azerbaijão, Bielorrússia, Cazaquistão,
Estónia, Geórgia, Letónia, Lituânia, Moldávia, 
Quirguistão, Rússia,Tajiquistão, Turquemenistão, Ucrânia e Usbequistão)

Foram capturados cerca de 600 mil (!) soldados soviéticos. 
Naturalmente, o campeonato de futebol estava interrompido, 
com vários jogadores a cumprir serviço militar. 
Entre os soldados capturados estavam jogadores do Dinamo de Kiev 
que ficam assim forçados ao trabalho – escravatura que a guerra nazista obrigava. 




O quadro é de miséria, desemprego, fome, assassinatos consecutivos.

Um dia, Kordik, padeiro ucraniano com ascendência alemã – que o poupou à morte – está a andar em Kiev e vê o goleiro da sua equipa: Trusevych. Fanático pelo Dínamo de Kiev, contrata Trusevych para a sua padaria. Mas Kordik não quer o seu goleiro a fazer pão, Kordik, em plena II Guerra Mundial, enquanto as maiores atrocidades acontecem à sua volta, tem outro plano: ver o seu Dínamo junto outra vez.

Começa assim a “caça” dos jogadores. Trusevych encontra sucessivamente vários companheiros de equipa (8 ao todo) e com mais 3 jogadores do Lokomotiv de Kiev forma-se o FC Start (Start em inglês significa começo, e o nome Dínamo estava proibido).

Uma padaria é, de repente, o abrigo de uma equipa de futebol.
Hitler e os nazistas têm várias obsessões, uma delas a demonstração da superioridade nazista no desporto, sendo os torneios de futebol frequentes.

Após alguma discussão, os jogadores do FC Start decidem jogar contra os nazistas. 
Em Junho de 1942, enfrentam os primeiros adversários.

E mesmo subnutridos, com fome vencem por 7 x 2. Seguem-se outros, sempre com vitórias. A população local tem, finalmente, ídolos.

Com a Resistência desfeita, num país atormentado pelos acontecimentos de Babi Yar,
Ravina de Babi Yar
uma ravina que serviu de vala a mais de 30 mil judeus executados num só dia (!) pelos nazistas, há, finalmente, alguém que derrota o mal, alguém que permite a libertação dos gritos contra a desumanidade e carnificina.

Os nazistas tornam os bilhetes mais caros para afastar a população, mas o FC Start já é a equipe da população. Os adversários são batidos um de cada vez,
até chegar a Flakelf, a equipe – propaganda dos nazistas
(antes deste jogo, o placar global a favor do FC Start era de 47 x 8 em todos os jogos disputados até ali).

Apesar do árbitro alemão, da pancadaria e de tudo permitido ao time nazista,
o FC Start vence por 5 x 1. A manobra de Kordik é descoberta e de Berlim pede-se a execução do padeiro e toda a equipa. Mas para Hitler e para os oficiais nazistas, a superioridade ariana é mais importante e marca-se outro jogo para 3 dias depois.

A 9 de Agosto de 1942, joga-se o segundo jogo entre a Flakelf e o FC Start.
O árbitro é um oficial das SS e o ambiente altamente policiado.

Antes do jogo, o árbitro visita o balneário do FC Start e lembra-lhes que devem seguir as regras nazistas e deixa o aviso: se ganharem, morrerão.

Não faço ideia do que se passou na cabeça daqueles jogadores e é quase insultuoso que o tente. Pessoas a quem tudo foi retirado: emprego, casa, amigos e família, têm no futebol, na hora e meia de jogo, as suas vidas – e a de tantos outros ucranianos – de volta. A dignidade, a liberdade, os seus empregos, casa, amigos e família, são lembrados em cada passe, em cada jogada, em cada golo, em cada vitória.

Quando festejava os gols do FC Start,
a população ganhava a guerra, arrasava a propaganda nazista.
E esses homens, que não foram intelectuais, não escreveram livros, eram só homens, como nós (mas sem ser como nós) decidiram jogar.
Decidiram que não cederiam.

Na apresentação das equipas, recusam a saudação nazista.

Com a mão no peito, gritam "Fizculthura!", uma expressão soviética em prol da educação e cultura física. Está dado o mote para o escândalo.

Apesar das benesses e da "cegueira" do árbitro a favor do time nazista (como esperado, o oficial da SS ignorava completamente as faltas do time nazista. A violência do time alemão chegou ao ponto do atacante chutar a cabeça de Trusevych, o goleiro ucraniano. Enquando ainda se recuperava do golpe, os alemães abriram o placar. 1 a 0.O Flakelf continuava a fazer todo tipo de falta sem nenhuma marcação do árbitro. Mas o FC Start conseguiu o empate. Veio em uma falta cobrada de longa distância por Kuzmenko. A virada veio com Goncharenko, que driblou toda a zaga alemã e fez o gol. Os ucranianos ainda fizeram mais um gol), o FC Start chega ao intervalo a vencer por 3 x 1, espalhando o delírio nas arquibancadas.

Ao intervalo, nazistas armados dizem-lhes que devem, que têm que perder.
Mas estão 36 mil a torcer pelo FC Start, morreram 33 mil em Babi Yar, e aqueles nazistas invadiram as suas casas, as suas vidas.

E aqueles onze homens decidem jogar.
O jogo acaba 5 x 3 para o FC Start com a humilhação final de Klimenko.

Isolado frente a frente com o goleiro nazista, finta-o, e de baliza aberta, quando todo mundo esperava mais um gol, decide passar a bola para o meio campo outra vez.

A humilhação é total, o estádio vem abaixo.


Eu já festejei muitos gols do meu clube, fico vermelho, sem respirar, grito e sinto-me vivo.

Mas o que Klimenko fez deve ter feito chorar, deve ter feito viver. Destroçados pela guerra, sujeitos a tortura, obrigados a sentirem-se racialmente inferiores, não imagino a alegria, os arrepios, a felicidade dos adeptos que viram o FC Start.

Não imagino o orgulho que esses homens sentiram com aquelas camisolas, não imagino, não consigo imaginar.

Tempos depois, a Gestapo foi à padaria. Kordik foi torturado e assassinado à frente de todos. Só Goncharenko e Sviridovsky(em algumas versões desta história, houveram 3 sobreviventes:os dois citados e Tyutchev), que não estavam na padaria naquele dia, sobreviveram até à libertação de Kiev em 1943.
Goncharenko e Sviridovsky, em frente ao monumento erguido
em honra dos seus colegas do FC Start
Todos os outros foram deportados para campos de concentração. Trusevich, Klimenko e Putistin foram mortos em Babi Yar. Há um monumento em frente ao estádio do Dínamo que honra os heróis do FC Start. Nele está escrito:

“Aos jogadores que morreram com a cabeça levantada ante o invasor nazista”.
E ainda hoje quem tem o bilhete daquele jogo tem entrada gratuita no estádio.

Não existirá, decerto, maior acto de coragem na história do futebol mundial. Toda a magia, toda a aura que o jogo carrega está simbolizada neste jogo. Toda a beleza, toda a coragem, está tudo ali.

A bola de Klimenko, que eu nunca vi, mas que construo vezes sem conta na minha memória, é mais arrepiante do que poemas ou canções. Deve ter sido como ver uma revolução.

Imagino um qualquer ucraniano a sair do estádio e a olhar, pela primeira vez, um soldado nazista olhos nos olhos e de sorriso nos lábios.

O futebol não é só o ópio do povo. É também o suspiro do oprimido.
Esta é a outra foto

Todos os jogos do FC Start
21 de junho – FC Start 6×2 Guarnição húngara 
05 de julho – FC Start 11×0 Guarnição romena 
12 de julho – FC Start 9×1 Militares do batalhão ferroviário
17 de julho – FC Start 6×0 Exército da Wehrmacht
19 de julho – FC Start 5×1 MSG (Exército Húngaro de Ocupação)
21 de julho – FC Start 3×2 MSG (Exército Húngaro de Ocupação)
06 de agosto – FC Start 5×1 Flakelf (Exército Alemão, até então invicto)
09 de agosto – FC Start 5×3 Flakelf – 36 mil ucranianos no estádio
16 de agosto – FC Start 8×0 Rukh – Último jogo do time.

Texto original do M AQUI

Mais textos excelentes sobre esta história que valem a pena ler  AQUI , AQUIAQUI

Uma reportagem em espanhol muito mais detalhada AQUI   (usar o GOOGLE TRADUTOR)

Adenda: Se voce ainda nos dias de hoje não sabe o que foi o nazismo de Hitler
não só na Ucrânia mostrado neste post, mas em todos os lugares aos quais invadiu e 
literalmente espalhou ódio, morte e destruição, clique AQUI mas fica o AVISO:
as fotos são repugnantes, revoltantes.
A última foto é o retrato fiel do nazismo de Hitler (sim, seus olhos não estão te enganando, é mesmo uma mãe com o filho pequeno nos braços).

A reportagem da ESPN em vídeo

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O Rei, Sylvester Stallone e o filme Fuga para a Vitória (1)

O

Por Eliakim Junior,  retirado do blog cinemidade.blogspot.pt        

                   

                    Pelé, Stallone e a Fuga para a Vitória

Poster do filme
Os nomes Pelé, Sylvester Stallone, Michael Caine e nazismo, juntos na mesma frase podem soar estranho, no mínimo curioso, mas imagine eles compartilhando um mesmo cenário? 

Pois então, a estranheza inicial desta combinação se desfaz logo nos primeiros minutos de Fuga para a Vitória (Escape to Victory, 1982) um longa-metragem sobre aquele bom e velho futebol e ambientado em tempos de guerra.





   Michael Caine interpreta Colby, um ex-jogador de futebol que agora é treinador de um time formado por prisioneiros de guerra. No campo alemão de prisioneiros onde vive, Colby é convocado pelo major  Steiner (Max Von Sydow), a realizarem uma partida contra o time alemão.  Claro que a proposta significa mais uma forma de ostentação nazista e uma manifestação de superioridade da raça ariana, do que a partida em si.



Vai que é tua Sylvesteeeeer!

O time de Colby é repleto de estrelas dos gramados e do cinema. Caine é o treinador. Stallone é o goleiro que está ali contra sua vontade, e tem sempre algo engraçado a dizer: “Onde eu fico na hora do escanteio?”.  

Edson Arantes, o Pelé, e Bobby Moore, o lendário jogador inglês dos anos 60 e 70, capitão da Inglaterra que foi campeã do mundo em 1966, são algumas das lendas do futebol que aparecem no filme, 
e mostram que sabem mais que fazer dribles e dominar a bola no pé.

Pelé, por exemplo, toca harmônica, atua e ainda dá uma aula de futebol ao “Rocky” Stallone. Ah, e só para informar aos mais desavisados, Pelé marcou 6 gols de bicicleta em toda sua carreira,  e não cinco como consta nos registros oficiais.  

O "sexto", ele marcou contra os alemães neste filme numa partida dramática e comovente. Acho que este belo gol fictício deve ser considerado, por que não?:-)


Cena inusitada. Pelé dando umas aulas para o Rocky.

Fuga para Vitória diverte não só por vermos grandes jogadores “brincando” de atuar, e Stallone interpretando um goleiro irregular, em um papel bem diferente do que estamos acostumados, mas também pelas lições de moral e mensagens transmitidas. 

O longametragem deixa claro como a energia do esporte pode trazer mudanças às pessoas, principalmente em momentos de pessimismo e opressão, isto é evidente quando os jogadores decidem colocar em risco a liberdade, em troca de uma vitória digna, honrada.


Este filme é baseado numa história verídica
mas o final desta história foi bem diferente do que o 
final feliz que o diretor John Huston inventou para o filme.  

Os verdadeiros jogadores-prisioneiros de guerra que jogaram com os alemães, ganharam lugar de destaque não somente na história do futebol, mas do esporte, pois foram ameaçados pelos arianos e se vencessem o jogo, morreriam. 

Eles são a máxima representação do caráter e da camaradagem que o desporto pode ofertar. Em face da morte, decidiram encarar o destino cruel que lhes foi reservado, mas não perderam sua integridade. Enfrentaram não só o destino, como seus rivais. 

Foram vitoriosos e, por consequência, executados

Partiram de alma limpa, caráter imaculado e memória perpétua no hall da fama do esporte.

Trailler do filme

Para ver o filme completo, clique AQUI

domingo, 26 de janeiro de 2014

O Rei e o Príncipe Albert de Mônaco

Pelé na maioria das vezes, sempre foi o centro das atenções em qualquer lugar que fosse.
Ainda hoje é uma das celebridades mais conhecidas do planeta,
sendo convidado vip ou embaixador de vários eventos e campanhas em todo o mundo.
E com a realeza também não foi (nem é) diferente,
afinal tendo sangue azul ou não, todos conhecem e admiram o Rei.

Antes do jogo, Pelé e Albert confraternizam (Foto:AP)
Este encontro entre o Rei e o Príncipe Albert de Mônaco 
ocorreu na Copa do Mundo FIFA em 25 de junho de 2002, 
na semi-final entre a Coréia do Sul e a Alemanha,
onde as duas celebridades assistiram ao jogo lado a lado.

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