FILME PELÉ ETERNO

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A prova definitiva de quem é o melhor jogador de sempre

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O dia em que Pelé quase abandonou o Santos...e o futebol





O dia em que o Rei do Futebol quase parou

Pelé chega ao Santos aos 15 anos.Na foto, a 1ª entrevista ao jornalista De Vaney
O menino negro, com menos de 16 anos, já havia descido boa parte dos degraus 
que o levariam do alojamento dos amadores do Santos para a saída da Vila Belmiro. 
Na mala cáqui quadrada que levava à mão, iam todos os seus pertences. 
Na cabeça, uma decisão: voltar para Bauru. 
Para perto da família, dos amigos do Baquinho, o time da cidade. 
De tudo aquilo que sentia saudade. 
Quem sabe, assim, esqueceria de vez o pênalti perdido alguns dias antes, 
contra o Jabaquara, na decisão do Campeonato de Juniores de Santos de 1956.

Foi quando uma voz interrompeu os seus pensamentos: 
"Cadê a autorização para sair? Sem autorização você não sai daqui". 
O dono da voz era Sabuzinho, um humilde funcionário do Santos, 
filho da cozinheira do clube que, 
àquela hora (perto das seis da manhã), se preparava para ir à feira. 
O garoto fujão, pego em flagrante, era Pelé.
"Já pensou que besteira eu ia fazendo?", diz, hoje, o Rei, mais de 42 anos depois do episódio.
"Eu não queria parar. Mas aquilo poderia mesmo ter prejudicado definitivamente a minha carreira. Talvez por aquele ato de indisciplina eles não me deixassem mais voltar para o Santos. Por isso, agradeço até hoje ao Sabuzinho." 

Anos depois, esse mesmo Sabuzinho - na época auxiliar de roupeiro e uma espécie de faz-tudo no clube - morreu diante dos olhos de Pelé. "Como estávamos de folga, fomos pescar no alto de uma pedra na Praia Grande", conta. "Estávamos eu e o Cláudio, goleiro do Santos, quando Sabuzinho escorregou na pedra e caiu no mar. Fomos buscar socorro, mas não teve jeito."
Em outubro de 1956, Pelé já era mais que uma promessa. Havia marcado o seu primeiro gol pelo Santos algumas semanas antes, em um amistoso contra o Corinthians de Santo André. E todos na Vila Belmiro sabiam do seu potencial. Na verdade, Pelé só não estreara ainda em jogos de campeonato porque o técnico Lula julgava "temeroso" lançá-lo em final de temporada.

Naqueles dias, porém, o time de juvenis (atual juniores) do Santos decidiria o título da cidade contra o Jabaquara. Promovido pela Liga Amadora local, aquele campeonato tinha, para os torcedores e para os dirigentes locais, uma importância impensável em nossos dias.
Daí o grande público presente na Vila Belmiro.
E daí, também, a idéia lançada por alguém da diretoria às vésperas da partida: "Que tal reforçarmos o nosso time com Pelé?"
Nada mais natural. Com 16 anos incompletos, Ele ainda poderia jogar tanto no infantil quanto no juvenil. "Era o meu primeiro ano no clube", relembra Pelé. "Topei de cara, porque àquela altura, para mim, tudo era festa."
A partida se aproximava do final. O Jabaquara só precisava do empate, mas vencia por 1 x 0, garantindo o tricampeonato da cidade. Foi quando o juiz Romualdo Arppi Filho, também um garoto de apenas 17 anos, marcou um pênalti a favor do Santos.

"Pelé bateu devagar, no canto direito. E eu quase bati a cabeça na trave para defender. Mas acabei ficando com ela", orgulha-se até hoje, aos 60 anos, o ex-goleiro FininhoQue, no entanto, faz uma ressalva em relação à atuação do Rei: "Pelé já era o foco das atenções. Apesar da infelicidade de perder o pênalti, jogou muito bem naquele dia".
Pelé, no entanto, não se conformava. "Aquilo me arrebentou", confessa. "Fui vaiado depois do jogo e só pensava em voltar para Bauru."
Ali mesmo, na saída do gramado, Ele foi cercado pelos profissionais do clube, que assistiam à partida. Principalmente pelo ponta-esquerda Tite (sim, ele mesmo, que hoje é treinador).

Campeão paulista pelo Santos em 1955 (seria bi naquele mesmo ano), Tite era um grande amigo de Waldemar de Brito, o homem que levou Pelé para o clube. Por isso mesmo, tornou-se, informalmente, uma espécie de "padrinho" do jovem Pelé naqueles primeiros tempos.

Ao ver o garoto abalado, chorando enquanto saía de campo, Tite passou-lhe a mão na cabeça. Disse que todo mundo, "inclusive os maiores jogadores da história", também já haviam perdido pênaltis.
E encerrou, profético: 
"Levante a cabeça, garoto. Daqui para a frente, você terá, ainda, muitos outros pênaltis para bater. E mais umas 1 000 chances de marcar".

1956
No dia 8 de agosto, Pelé chega ao Santos.
No dia 7 de setembro, Pelé marca seu primeiro gol pelo Santos, na vitória de 7 a 1, sobre o Corinthians de Santo André, no goleiro Zaluar Torres Rodrigues.
Neste ano, Pelé conquistou seu primeiro título pelo time 
(campeão da Taça Gazeta Esportiva), em 24 jogos invicto.
*Reportagem originalmente pertencente à edição de número 1.149 da revista Placar, de de março de 1999, e republicada com motivo do aniversário de 70 anos de Pelé.

1 comentários:

Armando Pinto disse...

Viva.
Agradeço suas palavras, no comentário que deixou no meu blogue Memória Portista, cuja mensagem muito apreciei. Na mesma caixa deixo uma resposta, que peço se vê, para lhe poder enviar algum material que eventualmente pode interessar.
Abraço.

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