FILME PELÉ ETERNO

FILME PELÉ ETERNO
A prova definitiva de quem é o melhor jogador de sempre

segunda-feira, 31 de maio de 2021

📰New York Times, 1967: reportagem de página inteira com Pelé

Em 1967, o New York Times publicou uma reportagem de página inteira com o Rei do Futebol, com a seguinte manchete:
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Dólares não podem persuadir Pelé a deixar o Brasil
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A manchete à esquerda diz: 
O melhor jogador de futebol, um herói nacional para 83 milhões. 
A manchete à direita diz:
Onze americanos o querem, mas estrela está feliz em casa.


Aqui abaixo, a tradução para a língua portuguesa, em cores diferentes.
Na parte destacada em amarelo está escrito:
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Se as ricas ligas americanas de futebol quisessem trazer o melhor jogador do futebol brasileiro - e o melhor do mundo - aos torcedores dos EUA, nem mesmo o orçamento anual de defesa seria suficiente. Ele simplesmente não vai.

Milhões de fãs em todo o mundo o aclamam por sua habilidade no campo de futebol - mas Pelé está ficando em casa.

"Podemos comprá-lo", disse Bob Hermann, presidente da Liga Nacional de Futebol Profissional dos Estados Unidos, durante recente visita ao Brasil.

ELE NÃO ESTÁ À VENDA

“Pelé não está à venda”. diz Athié Jorge Curi, presidente do Santos FC, clube da casa de Pelé. Mas é o próprio maior jogador do Brasil quem tem a palavra final.

“Nem por todo o dinheiro do mundo eu sairia do Brasil ou de Santos”, diz Pelé.
“Só jogo futebol por 3 times: Santos, Seleção Paulista e Seleção Brasileira.

A estrela, cujo nome verdadeiro é Edson Arantes do Nascimento, é tão brasileiro quanto o café ou o samba.

“A única coisa que vai causar uma verdadeira revolução no Brasil seria a venda do Pelé para outro país”, costuma dizer o torcedor brasileiro.

Aos 26 anos, o negro bem constituído tornou-se um dos jovens mais ricos do país. Ele também é provavelmente o atleta profissional mais bem pago do mundo envolvido em um esporte coletivo.

Seus ganhos, embora mantidos em segredo, são calculados em cerca de 16.000 dólares por mês. Isso inclui a receita de seu negócio de construção e produção de borracha.

Na parte destacada em laranja:                                                              👇


Pelé fez sua primeira aparição como um dos melhores jogadores internacionais durante a Copa do Mundo de 1958, na Suécia. Ele tinha 17 anos.

A seleção brasileira teve um início lento contra a Áustria, um empate com a Inglaterra e seu ataque não estava dando certo. Mas para o jogo contra a Rússia, jogo fundamental para a qualificação do Brasil para as quartas-de-final, Pelé foi incluído no 11 inicial e o Brasil venceu por 2 a 0.

Pelé não marcou, mas sua atuação naquele jogo abriu caminho para sua ascensão ao trono do futebol mundial. Ele permaneceu na escalação para liderar a seleção brasileira ao seu primeiro título mundial, marcando três gols contra a França na semifinal e mais dois contra a Suécia na final.

Desde que Pelé estourou no cenário mundial, o Brasil conquistou mais um campeonato mundial.
O campeonato escapou no ano passado (1966 na Inglaterra ), mas Pelé ainda é o maior espectador do esporte.
“A simples presença de Pelé em campo vale o preço do ingresso”, afirmam os torcedores.

Quando o time viaja, Pelé é cercado de torcedores por onde passa. Muitos hotéis preparam suítes especialmente decoradas para ele. Ele foi tema de vários livros e um filme foi feito sobre sua vida.
Em qualquer contraste entre o Santos e um clube estrangeiro há sempre uma cláusula dizendo que ele jogará, mesmo que por alguns minutos.

O que faz de Pelé para o futebol o que Babe Ruth foi para o beisebol?

Uma vez que ele tem a bola entre os pés, é muito difícil para alguém tirá-la.
Pelé corre mais rápido do que a maioria dos jogadores brasileiros, seus chutes são o terror dos goleiros e ninguém pode prever em que direção vai uma bola dirigida por ele.
Ele também é um  *playmaker  ( *é o jogador que joga e faz o time jogar ) espetacular. Seus passes costumam sair sozinhos dos outros atacantes na frente do goleiro adversário.

Segundo o treinador do Santos, Julio Mazzei, o craque é um atleta maravilhoso.

Na parte destacada em azul.
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“Tenho certeza que se bem treinado, Pelé ficaria entre os 10 melhores do mundo no decatlo”, diz Mazzei. “Ele cobre 100 metros em 11 segundos e joga vôlei e basquete magnificamente”.

Desde a Copa do Mundo de 1958, pelé levou seu time a seis campeonatos estaduais regionais, cinco taças brasileiras e dois títulos mundiais de clubes.
Foi o artilheiro do Estado de São Paulo por oito anos consecutivos até 1965.
Pelé detém o recorde mundial de gols. A superestrela marcou mais de 1000 gols em jogos oficiais em sua carreira profissional.

Ele se considera um homem feliz. “Tenho uma família maravilhosa e consegui minha profissão ... o que mais eu gostaria da vida?”, Diz Pelé.
 
Casou-se no início do ano passado com Alecrim dos Reis Cholbi, 22 anos, e agora têm uma filha Kelly Cristina. O nascimento de sua filha completa sua felicidade.
"Meu momento mais feliz no ano passado foi quando descobri que seria pai", disse ele.

Pelé não pode se considerar um cara de sorte no que diz respeito a finais de Copa do Mundo

FERIDO NO CHILE

Em 1962, ele se machucou no segundo jogo de sua equipe no Chile e foi afastado dos gramados até o final das finais.
"Mas, graças a Deus, o Brasil venceu", disse ele depois que o time ganhou sua segunda Copa do Mundo seguida.

No ano passado, na Inglaterra, quando o Brasil buscava a terceira vitória consecutiva, Pelé se feriu novamente. O Brasil foi eliminado da competição após o terceiro jogo.
"Ainda posso jogar futebol por muitos e muitos anos", disse ele após a derrota, "mas acho que nunca mais vou jogar uma Copa do Mundo. Isso me traz azar".

👉Nota do autor: Se Copa do Mundo trouxe  "azar" a  Pelé, e ele ganhou 3 das 4 que jogou, imagina se a Copa do Mundo lhe trouxesse sorte😉


A legenda da foto que ilustra a reportagem diz:
Pelé, o herói do futebol de 26 anos em ação em campo.
O atacante do Santos FC ganha cerca de 16.000 dólares por mês
e detém o recorde mundial de gols.

Nessa época, o futebol ( que os americanos chamam de soccer ) tinha "tanta importância" na Amérca que só era publicado em letras pequenas junto dos classificados ou na página do obituário. 
Mas todos eles sabiam quem era Pelé.

terça-feira, 25 de maio de 2021

Jornal ESTO, México, 30/11/1969 sobre o 1000º gol de Pelé

Em 30 de novembro de 1969, o jornal mexicano ESTO publicou em sua edição de domingo, um suplemento especial sobre Pelé e o 1000º gol, onde está escrito na capa:

Para a História... Pelé! O GOL nº 1000


Na página 3 do suplemento especial, o jornal dedicou uma crônica de página inteira ao Rei do Futebol, onde na parte destacada em laranja está escrito: 
Homenagem ao Rei que: Converteu O FUTEBOL EM ARTE.
*O que não consegui identificar ( ainda ) é o nome completo do jornalista que escreveu.
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Aqui abaixo a tradução do texto, que destaquei em 3 cores diferentes.
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Na parte destacada em rosa, está escrito:



O apelido mais conhecido do mundo - O melhor jogador de futebol de todos os tempos - O único verdadeiro ídolo - Os maiores são a sua quadra - Seus companheiros jogaram por ele e também receberam toda a sua colaboração - Enquanto houver homens como ele, o futebol vai continua a ser o esporte mais popular.

Na parte destacada em amarelo:



Não existe apelido mais conhecido no mundo. É sempre anunciado com admiração e carinho. Como jogador, Edson Arantes do nascimento tem conseguido admirar em todos os cantos onde se pratica o popular esporte do futebol, por sua habilidade e aptidões excepcionais. Como pessoa, ele cativou por sua simplicidade.

Para nós, significa, como jogador, o máximo. Os mil gols que marcou, figura que fez com que o reconhecimento mundial e as homenagens derramadas sobre a pessoa que é o símbolo do futebol de espetáculo, nada mais são do que a consequência da capacidade e da categoria de um jogador de futebol que, sem dúvida, é o melhor do mundo de todas as idades.


Muitos homens famosos, jogadores de grande categoria, permanecem em segundo lugar: Jorge Orth, José Manuel Moreno, Adolfo Pedernera, Ricardo Zamora, Zizinho, Jair, Ademir, Alfredo Di Stefano, Ferenc Puskas e as estrelas do atual momento futebolístico significam a elite do esporte e eles formam a quadra da morena de Três Corazones, que tem um pouco do melhor de tudo, ultrapassando a todos.

E na parte destacada em azul:



Nós o consideramos o único verdadeiro ídolo do futebol mundial. É incrível que outro possa disputar seu nicho, considerando que o torcedor comum, o político ou a arte, a ciência ou a literatura, o mandatário ou o monarca igualmente o admiram e apreciam. Edson tem uma grande personalidade, gerada a partir de sua humildade apesar de sua grandeza.

Teve ao seu lado grandes companheiros, homens com os quais formou casais excepcionais que causaram pânico na defesa e nos goleiros rivais, arrebatando inúmeras platéias com suas evoluções. Pelé, de fato, recebeu deles a máxima colaboração. Todos jogaram por ele, mas também Pelé jogou por eles e sempre dedicou sua ajuda a eles. Pagão, Coutinho, Toninho, Edú, no Santos! Vavá, Zito, Didi, garrincha, Tostão na Seleção Brasileira!

O que aconteceu na quarta-feira, 19 de novembro, no Maracanã, a festa popular, o reconhecimento universal que o ídolo brasileiro e craque do Santos obteve foi apenas o meio para se chegar a um fim para festejar de alguma forma o homem que mostrou que o futebol é, sim, um arte.

Ao resgatar a nossa homenagem emocional a ele, através deste Suplemento especial dedicado à sua façanha, temos a certeza de que embora existam homens como o Rei que colocam toda a sua capacidade mental e física, a sua dedicação à causa, o seu poder de criação e inventividade, o futebol continuará sendo o esporte popular por excelência.

👉Mais uma vez, como em TODOS os jornais brasileiros e estrangeiros daquela época que publiquei até a data de hoje, também neste jornal mexicano os leitores puderam ler e ver que, em nenhum lugar do texto, está escrito "gol oficial" ou "gol não-oficial".

Em todo o planeta, nenhum jornalista ou estatístico daquela época contestou ou colocou em causa a façanha dos 1000 gols. 

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Nem mesmo a FIFA, que até enviou um diploma assinado pelo presidente na altura, Sir Stanley Rous , que felicita e consagra os 1000 gols de Pelé (ver todas as publicações sobre o diploma da FIFA👉 AQUI).

segunda-feira, 24 de maio de 2021

Jornal La Stampa (Itália), 21/11/1969

O jornal La Stampa, um dos mais tradicionais jornais da Itália, em 21 de novembro de 1969, publicou a seguinte manchete:

Chegou (mas em cobrança de pênalti) o milésimo gol de Pelé.
Logo abaixo da manchete está escrito:
Pênalti concedido por derrube do mesmo atacante - Uma defesa excepcional de Andrada e a trave impediram Pelé de marcar outros gols.



E na legenda das duas fotos está escrito:
Rio de Janeiro. Pelé, à esquerda, ao cumprimentar a torcida com o número 1000 nas costas da camisa;
à direita, o brasileiro com a bola de ouro que lhe foi entregue.

👉Igual a TODOS os jornais brasileiros ou estrangeiros daquela época que já publiquei aqui no blog, o La Stampa também não menciona "gol oficial e gol não-oficial".


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Enquanto Pelé jogou profissionalmente, desde a estréia em 7 de setembro de 1956 na cidade de Santo André, da região metropolitana da cidade de São Paulo, até a despedida em 1 de outubro de 1977 em New York, nenhum jornal do planeta escreveu, ou debateu, ou publicou, ou ouviu falar de "gol oficial e gol não-oficial". 

Assim, podemos chegar à conclusão que esta nova estatística de "gol-oficial", foi criada nos anos 2000 para atender interesses de alguém... ou de alguns... 

quinta-feira, 20 de maio de 2021

Os 1ºs 100 gols de Pelé jogando pelo Santos FC



Os primeiros 100 gols de Pelé jogando pelo Santos FC. 
De 07/09/1956 (com 15 anos de idade) até 01/10/1958 ( 17 anos de idade). 

👉Nesta contagem, não estão os 6 gols  que Pelé marcou pelo combinado CR Vasco da Gama/Santos FC no Torneio Internacional do Morumbi em junho de 1957 no Brasil, que teve os seguintes clubes como participantes:
Grupo A: Santos/Vasco, Flamengo, Dínamo de Zagreb (IUGOSLÁVIA) e Belenenses (PORTUGAL).
Grupo B: São Paulo, Corinthians, Lazio (ITÁLIA) e Sevilla (ESPANHA).



No 1º jogo, em 07/09/1956, Pelé tinha marcado 1 gol.
Ao 10º jogo,  tinha 5 gols.
Ao 20º jogo,  9 gols.
Ao 30º jogo, 20 gols.
Ao 40º jogo, 29 gols.
Ao 50º jogo, 42 gols.
Ao 60º jogo, 48 gols. 
Ao 70º jogo, 61 gols. 
Ao 80º jogo, 74 gols.
Ao 90º jogo, 86 gols.
Ao 100º jogo, 95 gols. 
Ao 105º jogo, 98 gols.
Ao 106º  jogo,  103 gols. 

Em 1/10/1958, ao 106º jogo jogando pelo Santos FC, Pelé marcou 5 gols contra o Ypiranga pelo Campeonato Paulista, chegando aos 103 GOLS. 

Este 106º jogo pelo Santos FC foi o 121º jogo da carreira de Pelé. 
Sem ser jogando pelo Santos FC, até a esta data de 1/10/1958, Pelé marcou 17 gols nos outros 15 jogos que disputou!



Por outro lado, podemos ver esta estatística da seguinte forma:
Pelé jogando pelo Santos FC marcou o: 
1º gol no 1º jogo.
10º gol ao 24º jogo.
20º gol ao 30º jogo.
30º gol ao 42º jogo.
40º gol ao 47º jogo.
50º gol ao 61º jogo.
60º gol ao 66º jogo.
70º gol ao 76º jogo.
80º gol ao 86º jogo.
90º gol ao 96º jogo.
103º gol ao 106º jogo.

103 gols em 2 anos e 23 dias ao serviço do Santos FC.

Nada mal para um menino, já campeão do mundo pela seleção brasileira, mas que ainda não tinha idade para conduzir automóveis ou entrar num cinema para ver filmes com Brigitte Bardot.😉



quarta-feira, 12 de maio de 2021

Crônica de Armando Nogueira sobre o 1000º ( 2 )

Mais uma grande crônica de Armando Nogueira, o homem que vestia as palavras do texto com smoking e traje de gala, sobre o 1000º gol de Pelé.



Em 21 de novembro de 1969, na sua coluna diária "Na Grande Área" no Jornal do Brasil, o Mestre Armando Nogueira escreveu:
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Não pode ser mais expressiva a lista de autores ilustres do futebol mundial que se manifestaram, ontem, sôbre o recorde assombroso de Pelé, marcando mil gols: Bobby Charlton, Bobby Moore, Stanley Matthews, Pedro Rocha, Uwe Seeler, Beckenbauer, Juan Schiaffino, Just Fontaine. E todos exaltam, não apenas o gênio criador de Pelé ( "um processo artístico em desdobramento" como disse Charlton ), Mas a valentia com que enfrentou todos os golpes em nome de um gol e, acima de tudo, a sua personalidade, que Schiaffino define como "simplesmente notável".

Gosto de ver tanta gente respeitável do futebol render homenagem à figura humana de Pelé, avalizando, afinal de contas, o que em 1965, escrevia eu, nesta coluna: "Pelé é a maior personalidade popular que conheci em tôda a minha vida de repórter".

E notem que essa turma não ouviu nem viu a cena mais grandiosamente humana da história de Pelé: êle, sufocado de microfones, de flashes, de câmaras, no meio do campo a pedir entre soluços que o povo brasileiro o escutasse:

- Pelo amor de Deus - clamava Pelé com a voz mais sofrida e mais corajosa que eu jamais ouvira em alguém de vida pública - pelo amor de Deus, agora, que sei que todos vocês estão me escutando, não deixem de ajudar as crianças pobres. Minha gente ( e chorando, chorando muito ) vamos pensar no Natal das crianças pobres, no Natal dos velhinhos, tem tanto velhinho sofrendo, por aí. Não vamos pensar só em festa, não. Pelo amor de Deus, vamos ajudar as crianças!

Se os Charlton, Seeler, Rocha, Gento, que são também vidas gloriosas do futebol mundial, se êles tivessem visto, como eu vi, aquêle momento de luminosa humildade de Pelé, tenho certeza de que teriam chorado um pouquinho, também.



Palavra, às vêzes fico pensando: será que a população incontável dos estádios mundiais tem idéia do serviço que, há mil gols, Pelé, vem prestando á consagração do futebol? Não apenas pelos gols que êle já fêz, mas pela arte e pela dignidade com que o faz; nem pelo equilíbrio olímpico com que acolhe as derrotas e os triunfos do campo de jôgo, mas sobretudo pela humildade com que desfruta as glórias de seu idolatrado suor.

A vida social dêsse rapaz é uma sucessão de gestos edificantes: sua fama é regida por normas morais que valem, em si, preciosas lições à juventude. Por exemplo: não há dinheiro no mundo que leve Pelé a fazer anúncio de cigarros e de bebidas alcoólicas. Já lhe fizeram propostas milionárias, tanto de marcas de fumo quanto de uísque e vermute - e êle, polidamente, recusou. E nem se pense que Pelé estaria materialmente à vontade para repelir o negócio porque tais propostas começaram a chover, justamente, no momento em que êle vivia, há alguns anos, terríveis dificuldades financeiras, dificuldades das quais, é bom que todos saibam, até hoje êle não se livrou de todo.

Pelé desfilou em carro aberto em cinco países da África, onde o querem como a um deus; já foi recebido por príncipes, reis, presidentes e pelo Papa, encontro, aliás, retratado pelo jornal inglês The Observer com uma legenda de primeira página, assim: "Pelé e um fan".
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Na legenda destacada em amarelo está escrito:
"Em Roma - o maior futebolista do mundo, Pelé, e um fan."

Pelé recebe centenas de cartas semanais do mundo inteiro. Algumas, para inveja daquela loja, só trazem o nome... e mais nada. E chegam direitinho a Santos. Eu mesmo já vi vários envelopes de cartas européias endereçadas a Pelé: um sêlo, o nome Pelé, sem falar sequer em Brasil.

Pelé já foi tentado por centenas de microfones, nacionais e intenacionais, querendo envolvê-lo, rendosamente, em disputas políticas; e êle jamais fraquejou. Nunca disse uma inconveniência a um jornalista, falando, sempre, com o maior equilíbrio, seja fora de campo, seja em plena tensão de uma partida.

E tudo isso acontece na vida dia e noite festejada dêsse rapaz sem que êle demonstre um pingo de máscara* ( *comportamento de vedete arrogante, como muitos hoje em dia que pensam que são os maiores do mundo ): onde quer que chegue, Paris ou Itacoatiara, Pelé é esfixiado pelos caçadores de autógrafos e pela imprensa. Eu confesso a vocês que, em tantos anos de encontros em estádio e concentrações, eu só entrevistei Pelé duas ou três v~ezes, apesar de ser êle uma pessoa solícita e, jornalisticamente, sempre interessante. Mas, é que eu fico com pena dêle, coitado, metido no massacre das admirações sem fim: despede-se um padre, aproxima-se um colégio inteiro, vai-se o colégio, já estão na fila três jornalistas italianos, dois tchecos e um canadense para entrevistá-lo; e êle resiste a tudo isso com uma paciência que só vi em candidato na véspera de eleição, assim mesmo, candidato azarão e em eleição de voto direto e secreto.

Aliás, por falar em candidato, tomara que o Govêrno leve adiante a idéia de criar o Ministério do Esporte: meu candidato a essa Pasta - meu e de todo mundo - chama-se Pelé.


Nota:👉 O jornal londrino The Observer dedicou esta página inteira de 20 de março de 1966, com uma reportagem sobre o futebol brasileiro, antes da Copa do Mundo naquele ano na Inglaterra.
Ainda não tive tempo de traduzir, mas quem souber inglês e quiser ler o texto, é só clicar no link abaixo.
👉Já aviso que em nenhuma parte do texto está escrito "gol oficial" ou gol-não oficial".

LINK THE OBSERVER, 20/03/1966👉AQUI

segunda-feira, 10 de maio de 2021

📷FOTO DO DIA: Pelé, 15 anos de idade, julho de 1956

Esta foto foi tirada no primeiro treino que Pelé fêz com o plantel principal do Santos FC, em julho de 1956.


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Pelé chegou ao Santos FC em 22 de julho de 1956. Esta foto acima, restaurada por mim, é do 1º treino do adolescente Pelé com os jogadores profissionais do Santos FC. 
Na foto abaixo, a foto original, estão o ainda desconhecido Edson Arantes do Nascimento e o já consagrado jogador Zito.
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O jornalista Adriano Neiva da Motta e Silva, o De Vaney, assistiu a este 1º treino e no dia 25 de julho, escreveu sobre o treino no jornal "A Tribuna" da cidade de Santos: 
destacou-se de sobremaneira o meia-direita que jogou no time dos suplentes, com um trabalho sóbrio, porém de boas qualidades técnicas”.

Pelé chegou dia 22 de julho. De Vaney escreveu no dia 25 de julho
Assim sendo, podemos concluir que esta foto foi tirada em 23 ou 24 de julho de 1956.


Quem tirou esta foto jamais podia imaginar que registrou para a História a única imagem do 1º treino do maior jogador de futebol de todos os tempos.

terça-feira, 4 de maio de 2021

FOTO DO DIA: Onde está Wally? Ou melhor dizendo: 🔎Onde está Pelé?😉

Parece 🔎"Onde está Wally".



O artista Alex Bennett (👉 @footymishmash ) 
colocou toda a história do futebol em um único desenho. Incrível!
Onde está Wally? 
Ou melhor dizendo: Onde está Pelé?
Ele aparece 4 vezes nesta obra de arte. Consegue encontrar?
Clique👉  AQUI   pra ver em tamanho grande
Quando o desenho abrir, clique em cima dele.

sexta-feira, 30 de abril de 2021

Jornal Sud-Ouest ( França ), capa de 21 de novembro de 1969.

Em 21 de novembro de 1969, o jornal francês Sud-Ouest destacou o 1000º gol de Pelé.

"O evento que todo um povo esperava" foi manchete do Sud Ouest que intitulou: 
"1000 gols que valem ouro". ( destacado em azul )
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Na legenda abaixo da foto ( destacado em amarelo ), o jornal Sud-Ouest escreveu: 

"De alegria, Pelé correu para as redes para beijar a bola (nossa foto) antes de ir descerrar uma placa comemorativa desse feito. Pelé vai receber, entre outras lembranças, uma bola como nenhuma outra. Pesa 2 quilos. Ela é de… ouro ! "

No interior desta edição do jornal, nas páginas de Esportes, o jornalista André Noguès escreveu:
“Ao marcar este milésimo gol, Pelé não bateu recorde mundial. Especialistas austríacos citam o caso de um famoso atacante do Rapid de Viena, Franz Binder, que marcou, com seu clube, 1.006 gols em 756 partidas. 

Alguns grandes jogadores como Puskas e Di Stefano com certeza se saíram melhor. Mas eles, sem saber. E aí, o lado da encenação desse milésimo gol não pode escapar. Foi obtido na marca de pênalti. De Pelé. 

A placa de '1.000' gols em 19 de novembro de 1969 "foi lacrada no Maracanã ANTES do início do encontro Santos - Vasco da Gama".

Isto não impediu o nosso especialista de concluir: "Isso não diminui de forma alguma os méritos deste fabuloso jogador que é o Pelé"


👉Nota do autor: Como puderam notar neste jornal Sud-Ouest e em todos os outros que já publiquei, quando existe alguma polêmica sobre o 1000º gol, é sempre se o 1000º gol é ou não é um record, e alguns jornais mencionaram alguns jogadores que alegadamente marcaram 1000 ou mais gols, como por exemplo Friedenreich, Franz Binder, Puskas entre outros daquela época.

O grande problema, ou azar, para Friedenreich, Franz Binder, Puskas e outros, foi não ter alguém nos clubes ou países onde jogaram, que anotasse todos os jogos e todos os gols que marcaram e os colocasse numa lista com: data, adversáriolocal do jogo e número de gols que marcaram em cada jogo. 
Assim sendo, fica difícil saber com exatidão quantos gols cada um marcou durante as respectivas carreiras.

O jornal holandês DE VRIJE ZEEUW fez referência sobre isto na reportagem de meia página que dedicou ao gol 1000 (ver👉 AQUI ) onde na parte destacada em rosa está escrito que não sabiam qual era o maior artilheiro ( top scorer ) de todos os tempos na Holanda, e fizeram elogios à gestão esportiva do Santos FC naquela altura com seguinte frase:
"Carreira ( do Pelé ) orientada por um administrador do clube que tomou nota e registrou com zelo, cada gol em cada jogo."

Pelé por sua vez, tem uma lista completa com data, adversário, local do jogo e número de gol que marcou por jogo, porque teve dois jornalistas especialistas em estatísticas que anotaram absolutamente tudo, do primeiro ao último gol: Adriano Neiva da Motta e Silva (em conjunto com os diretores de estatística do Santos FC ) e Thomaz Mazzoni.
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Adriano Neiva da Motta e Silva, conhecido por sua alcunha de De Vaney, seguiu todos os passos de Pelé desde que ele chegou ao Santos FC em 22 de julho de 1956 com 15 anos de idade. 
Após assistir ao 1º treino de Pelé com os jogadores da equipe principal do Santos FC, De Vaney escreveu no jornal a Tribuna de Santos, na edição de 25 de julho de 1956, o seguinte comentário sobre o adolescente recém-chegado ao clube: “destacou-se de sobremaneira o meia-direita ( meiocampista direito ) que jogou no time dos suplentes, com um trabalho sóbrio, porém de boas qualidades técnicas”.

De Vaney foi também o primeiro jornalista a quem o futuro Rei do Futebol deu a sua primeira entrevista.
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👉Em uma coisa todos os jornais daquela época, brasileiros ou estrangeiros, estão de acordo: Pelé realmente marcou 1000 gols. Sem contestações.

Mas também como puderam notar, neste jornal Sud-Ouest e em todos os outros que já publiquei,  nunca em nenhum jornal brasileiro ou estrangeiro daquela época há qualquer citação ou qualquer estatística de "gol oficial" e "gol não-oficial"
É porque esta estatística não existia, portanto ninguém podia falar, escrever ou citar uma coisa que....não existia.

LINK SUD-OUEST, Capa de 21/11/1969 👉AQUI

sábado, 24 de abril de 2021

📰ABC (Espanha): Mais um jornal europeu que ignora, despreza e renega o que o próprio jornal publicou em 21 de novembro de 1969.

📰O mesmo jornal, 50 anos depois, ignora, despreza e renega a sua própria história.

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👉Na edição matutina de 21 de novembro de 1969, o jornal espanhol ABC publicou na página 79 a seguinte manchete: 
"PELÉ CONSEGUIU, DE "PENALTY", O GOL NÚMERO 1000".
 
Quase 50 anos depois, em 14 de outubro de 2019, o mesmo jornal dá destaque aos 699 gols - com todo o mérito, é bom que se diga - de Cristiano Ronaldo, colocando o português como o 6º maior artilheiro da história, mas coloca Pelé em 3º lugar com "apenas"  767 gols.  

O que mudou?
É simples: hoje em dia insistem em usar uma estatística com "gol oficial" e "gol não-oficial" que naquela época não existia
Se esta estatística existisse e fosse "regra geral" na altura, certamente que os jornalistas, redatores e editores deste jornal saberiam da sua existência.
Portanto nenhum jornal, nenhum historiador,  nenhum profissional de futebol em todo o mundo falava, usava, escrevia, publicava ou comentava sobre esta estatística porque... não existia! 
E se isto não existia, só deve ser usada a partir do momento em que foi criada, e não para ser usada como medida padrão para toda a história do futebol, porque deturpa, renega e reescreve a própria história do futebol.

👉Em 16 de novembro de 1969, o ABC publicou na página 71 da edição matutina a seguinte manchete:
PELÉ JÁ MARCOU O GOL 999 ( como destacado em amarelo ).
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O texto escrito na parte destacada em amarelo, já traduzido para a língua portuguesa:
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TRADUÇÃO PARA PORTUGUÊS
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João Pessoa ( Brasil ) 15. "Pelé" colocou em 999 a cifra de gols de sua carreira futebolística profissional. No encontro jogado ontem entre o Santos e o Botafogo ( do Estado da Paraíba ), em que o 11 da "pérola negra" venceu por 3 gols a 0, Pelé marcou um gol, com o qual a sua marca já é de 999 gols. Todo o Brasil está ansiando pelo momento em que Pelé consiga seu gol número 1000, e se fazem apostas sobre o jogo em que conseguirá, e até mesmo o minuto em que irá marcar.

👉Em 21 de novembro de 1969, o ABC dedicou meia página 79 ao gol 1000, 
onde a manchete dizia:
"PELÉ CONSEGUE, DE PENALTY, O GOL NÚMERO MIL"
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Na parte destacada em amarelo, está escrito:
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Rio de Janeiro 20. Edson Arantes do Nascimento, Pelé, se transformou desde esta madrugada no único jogador da história do futebol mundial que marcou 1000 gols em seus treze anos como profissional deste esporte. Pelé marcou este gol frente ao Vasco da Gama no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, diante de uma multidão delirante que invadiu o campo carregando nos ombros o seu ídolo quando o Pérola Negra do futebol brasileiro marcou este gol.

O gol, autêntico acontecimento do futebol mundial, foi marcado aos trinta e um minutos de jogo do 2º tempo. A vítima da falta que originou o penalty foi o próprio Pelé. O árbitro assinalou castigo máximo e o jogador do Santos, Rildo, se preparou para executar o Penalty, enquanto Pelé era atendido, dorido de uma perna em consequência da falta sofrida. Mas os 200 mil ( na verdade, 65 mil pagantes ) eufóricos espectadores que lotaram as arquibancadas estouraram em gritos de "Pelé, Pelé, exigindo que Pelé a marcar o penalty. Ninguém duvidava que Pelé marcaria esse gol número 1000.

Ficou atordoado após o gol, mas depois começou a dançar e pular enquanto os jogadores, tanto do Santos quanto do Vasco, corriam para abraçá-lo e parabenizá-lo sem distinção de lados. Milhares de espectadores invadiram o campo de jogo, espremendo-o e interrompendo o jogo por um longo tempo.

Na parte destacada em azul, está escrito:
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OS OUTROS GRANDES GOLEADORES

Pelé passou a ser história viva do futebol, mesmo antes de marcar seus mil gols contra o Vasco, no monumental estádio carioca do Maracanã. Pelé está muito à frente com essa marca de todos os grandes artilheiros da história do futebol mundial.

Estes jogadores passaram para a história do futebol pelos seus dotes extraordinários de goleadores:

O escocês Jimmy McGrory é o maior goleador britânico com uma marca de 550 gols. Jogou no celtic de Glasgow de 1922 até 1939 como centro avante. Marcou 410 gols ( na realidade, 468 gols em 445 jogos ) para o Celtic em jogos oficiais dos torneios britânicos(*) e o resto foi em jogos internacionais com a seleção escocesa. 
(*Torneios britânicos engloba clubes de todo o Reino Unido - Inglaterra, Escócia, República da Irlanda, Irlanda do Norte e o País de Gales - o que dificulta a compreensão de quais torneios eram estes. Na Escócia naquela época havia a Liga Escocesa, a Taça da Escócia, a Glasgow Cup, a Charity Cup, a Exhibition Cup e a Saint Vicent de Paul Cup, e o site oficial do Celtic não discrimina em quais torneios ou jogos amistosos Jimmy McGrory marcou cada um dos seus 468 gols, apenas publicou o total de gols👉 AQUI.) 

O inglês Arthur Rowley, com uma marca de 466 gols em jogos da Liga e Copa, em uma larga carreira futebolística que durou 18 anos taté a sua retirada em 1965. Rowley jogou no West Bromwich Albion, no Fulham, no Leicester City e no Shrewsbury Town.

O alemão Uwe Seeler, do Hamburgo SV, marcou 700 gols como centro avante do 11 de Hamburgo e da seleção alemã. Seeler está ainda no ativo há onze anos, desde que começou a jogar como profissional em 1958. É capitão da seleção alemã de futebol, com a qual disputou 38 partidas.

Eusebio, o craque do Benfica, marcou 298 gols desde que apareceu como uma estrela do futebol no 11 benfiquista, em 1960, depois de ter jogado com a equipa da sua cidade natal, Lourenço Marques de Moçambique.

Alfredo Di Stefano  marcou 464 gols como grande profissional do futebol. Sua melhor temporada é de 31 gols, conseguida em 1956/1957 como centro dianteiro do Real Madrid.

FELICITAÇÕES DO PRESIDENTE DO BRASIL

Brasília 20 ( de novembro 1969 ). O  presidente do Brasil, general Emílio Garrastazu Médici, felicitou hoje o Rei Pelé pela conquista do gol nº 1000 de sua carreira profissional. A mensagem está contida em um telegrama, no qual o chefe de Estado disse o seguinte:

Na parte destacada em rosa, o texto do telegrama de felicitações do presidente do Brasil na altura:
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"Identificando-me com as alegrias mais autênticas do nosso povo pela concretização da meta de mil gols, envio-lhe meu abraço de parabéns e encontro em sua consagração a vitória do dever bem cumprido, no trabalho de cada um, e a dimensão das potencialidades do homem brasileiro para afirmar seu valor em qualquer atividade. Saudações cordiais. Assinado: Garrastazu Médici."

E na parte destacada em verde, as congratulações do presidente da FIFA, do Comitê Olímpico Espanhol e... do Real Madrid e outros muitos clubes de futebol, espanhóis e estrangeiros.
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"As informações das agências de notícias indicam que também enviaram felicitações a Pelé o presidente da F.I.F.A., Mr. Stanley Rous; o delegado nacional de Educação Física e Esportes ( Comitê Olímpico da Espanha ), senhor ( Juan Antonio ) Samaranch*; o Real Madrid, e outros muitos outros clubes de futebol espanhóis e estrangeiros."

*Juan Antonio Samaranch viria a ser anos mais tarde, o presidente do Comitê Olímpico Internacional.

👉E em 22 de novembro de 1969, o jornal ABC dedicou a página 25 inteira à façanha de Pelé
PELÉ E SEU GOL Nº 1000.
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O texto diz:
Ele tinha 999 gols homologados. E até um selo comemorativo aguardava a fabulosa conquista de 1000 gols quando Santos e Vasco da Gama colidiram no gigantesco Maracanã. Rildo iria marcar ( o penalty ). Mas o público carioca, renunciando à velha e apaixonada rivalidade carioca e paulista, pediu, gritou que Pelé era quem marcaria a punição máxima. "O rei" é infalível em tais assuntos. Ele venceu Andrada e o entusiasmo explodiu ... Pelé beija, empolgado, a bola; em seguida, é carregado triunfalmente pelo gramado do Maracanã. Todo o Brasil vibra com a conquista de sua "pérola negra", com a marca impressionante de seu herói nacional. (Telefotos UPI - Cifra)

👉No mesmo dia 22/11/1969, na página 53, o jornal publicou que o Santos foi convidado para participar no histórico e bastante prestigiado torneio Ramón de Carranza 1970, mencionando os 1000 gols ( destacados em amarelo ) . A manchete diz:
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SANTOS, PALMEIRAS, MADRID E AT. BILBAO PROVAVÉIS PARTICIPANTES NO CARRANZA 1970


Na tradução do texto, diz o seguinte:
SANTOS, PALMEIRAS, MADRID E AT. BILBAO PROVAVÉIS PARTICIPANTES NO CARRANZA 1970

O director da Câmara, Sr. Jerónimo Almagro y Montes de Oca, enviou um telegrama expresso ao presidente do Santos F. Clube, do Rio de Janeiro, parabenizando-o em nome da Câmara Municipal e da comissão do troféu Ramón de Carranza pela magnífica atuação do jogador Pelé, que alcançou o gol número 1000 de sua vida futebolística, e comemorando que em breve os torcedores de Cádiz poderão contar com a presença em Cadíz desta sensacional equipe sul-americana, ao lado de seu compatriota Palmeiras e dos espanhóis Real Madrid e Atlético de Bilbao, como uma combinação muito provável para a próxima confrontação do troféu de Cádiz.

NOTA do AUTOR
Como puderam ver, como em todos os outros jornais que publiquei até a data de hoje, também este jornal em 16, 21 e 22 de novembro de 1969, publicou 999 gols e 1000 gols, e em nenhuma parte de qualquer texto tem escrito "gol oficial" ou "gol-não oficial".

Quando voce envia felicitações a alguém ou a uma instituição por terem conseguido realizar uma façanha, voce automaticamente está reconhecendo aquela façanha como verdadeira, autêntica, sem margem para dúvidas, certo?
Do mesmo jeito que a FIFA, o Real Madrid, e todos os clubes, instituições e profissionais do futebol que enviaram felicitações a Pelé pelos mil gols marcados na carreira, automaticamente reconheceram a façanha como verdadeira, como legítima, como oficial. Certo? 

LINK JORNAL ABC, 16/11/1969, Página 71👉AQUI

LINK JORNAL ABC, 21/11/1969, Página 79👉AQUI

LINK JORNAL ABC, 22/11/1969, página 25👉AQUI


LINK JORNAL ABC, 22/11/1969, Página 53👉AQUI

quinta-feira, 22 de abril de 2021

📰O 1000º gol de Pelé | Jornal L'Unitá ( Itália ), 21/11/1969


Em 21 de novembro de 1969, o jornal italiano L'Unità, orgão do Partido Comunista Italiano, publicou na página 11 a seguinte manchete:

DE PENALTY: PELÉ CHEGA AO 1000º GOL.

E onde está destacado em amarelo está escrito: Mas o record é contestado
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👉Nota: O record contestado por alguns na época, não foi acerca de "gols-oficiais ou não-oficiais", mas sim sobre os alegados 1329 gols que Arthur Friedenreich teria marcado em sua carreira.

Dito isto, vamos à tradução do texto de duas colunas que o jornal do Partido Comunista Italiano escreveu acerca do gol nº 1000 de Pelé, começando pela parte destacada em amarelo:
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Pelé marcou seu milésimo gol. Foi o que aconteceu durante o Santos-Vasco da Gama, aos 33 minutos do segundo tempo. Clodoaldo lançou e Pelé foi acertado na área por um defesa e o árbitro, Manuel Amaro de Lima, não hesitou um momento em assinalar a grande penalidade.

O alto-falante imediatamente "ordenou": "Tiri Pele" enquanto os aplausos do público rugiam. Pelé não se deixou importunar e com um chute suave e medido rumo ao canto esquerdo da baliza, bateu o bom Andrada. Em seguida, o Vasco da Gama oferecia a Pelé uma camisa social com o número 1000 estampado e um gráfico do estádio do Maracanã.

O público se entregou a cenas inenarráveis ​​de entusiasmo. Pelé fez seu primeiro gol aos 16 ( na verdade, 15 anos ), quando ninguém ainda sabia exatamente seu nome e isso não causou rebuliço O Santos havia formado um time misto de titulares e reservas para enfrentar um time da Série B, o Corinthians de Santo André, e estava estimulado por alguns mil cruzeiros por este amistoso que não vai deixar rastros.

Na formação do Santos, Pelé estreiou oficialmente com um gol aos 31 minutos ( 2º tempo ), e o goal, mesmo que os inúmeros biógrafos o contem de forma diferente, não foi de forma alguma excepcional.

O gol, que o juiz de plantão atribuiu a um certo "Raimondo" justamente porque ninguém sabia o nome exato do negro, não abriu as portas da equipe titular para Pelé.

Naquela época a camisa 10 do Santos pertencia ao Vasconcelos, o atacante era Del Vecchio: os dois juntos conseguiram fazer muitos gols e o diretor técnico Lula nem sonhava em tirar um ou outro do time.

Depois da estreia, que aconteceu em 7 de setembro de 1956. Pelé esperou mais de dois meses para fazer a segunda aparição nas fileiras do Santos.

Também desta vez em amistoso marcando o segundo gol do "clássico" contra o Jabaquara, vencido pelos santistas por 4 a 2. O 1956 terminou com esses dois gols e, para o futuro artilheiro, não foi realmente um começo sensacional.

Mas depois de um tempo, Pelé se impôs de forma sensacional. Conquistou a posição de dono do Santos e imediatamente na Seleção Nacional onde estreou no dia 7 de julho de 1957, no Maracanã, contra a Argentina que então dominava o campo sul-americano, com o famoso trio de anjos de cara suja: Maschio, Angelillo e Sivori. O Brasil perdia por 2 a 1 ( na verdade, por 1 x 0 ) no final do primeiro tempo. Pelé entrou em campo no segundo tempo, no lugar de Del Vecchio, e fez o gol do empate. ( O argentino Juarez logo depois marcaria o 2 x1 final para a Argentina.)

Três dias depois, no Pacaembu, em São Paulo, Pelé já era titular da revanche. Ele marcou o primeiro gol, seguido por um de Altafini que fixou o resultado em 2 x 0.

Mas Pelé ainda não tinha aquela camisa 10 que viria a acompanhá-lo como símbolo, em todos os estádios do mundo, e conquistou a vaga de meio-campista esquerdo no dia 4 de maio de 1958, no Maracanã do Rio, contra *Portugal ( na verdade, contra o *Paraguai) .

Na parte destacada em azul, está escrito:
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Tendo atingido uma quota de mil, é natural que Pelé se lembre com particular prazer de alguns gols. O mais belo, aquele que permaneceu indelevelmente gravado em sua mente, é precisamente um dos primeiros, certamente o mais importante de todos. Precisamente na Copa do Mundo sueca, o Brasil, lançado para conquistar o seu primeiro título, estava tropeçando nas quartas-de-final contra o ( País de ) Gales, e a vitória era indispensável.

Em campo, a equipa britânica tinha armado o seu belo "cattenaccio", valeu a pena ter chegado aos quartos-de-final, apostando exclusivamente no contra-ataque para uma possível vitória. O placar empatado incomodou muito os atacantes brasileiros e o tempo foi passando, sem que saísse o tão sonhado gol. Até um bom momento da recuperação. 

Pelé recebeu a bola, ultrapassou dois adversários e, apesar de estar pressionado há muito tempo, conseguiu acertar a marca. Foi o gol da vitória, o decisivo para a continuação da Copa do Mundo.

A certa altura da carreira de Pelé, a meta de mil gols começou a se tornar uma coisa real, não mais uma miragem, e desde o último campeonato paulista, seus companheiros têm tentado muitas vezes ajudar o "Pérola Negra". Nos jogos mais fáceis, as etapas para a famosa esquerda se multiplicaram. 

Assim, aos poucos, Pelé alcançou o golaço mesmo que, no último momento, surgisse polêmica sobre o número exato de gols marcados. Então, alguns críticos lembraram recentemente que outro famoso brasileiro, Arthur Friedenreich, falecido há pouco tempo, marcou 1329 gols ao longo de sua carreira de 26 anos, de 1910 a 1936.




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Como todos conseguiram perceber, o 1000º gol de Pelé foi um acontecimento que teve repercussão e reconhecimento a nível mundial.



Até mesmo um jornal de um partido político na Itália, que pouco ou nada devia se interessar por esportes, publicou a notícia sobre o acontecimento. 

E como escrevi mais lá em cima, a contestação ao record do 1000º gol não se deveu à qualquer coisa parecida como "gol oficial ou gol não-oficial", mas sim sobre os alegados 1329 gols que Arthur Friedenreich teria marcado na sua carreira.
Até porque naquela época, a estatística de "oficiais e não-oficiais" simplesmente não existia. 
É por esta razão que, em qualquer jornal de qualquer parte do mundo, nenhum jornalista poderia escrever sobre uma coisa que não existia. 
Certo?

LINK JORNAL L'UNITÀ, 21/11/1969, COMPLETO👉AQUI
LINK JORNAL L'UNITÀ, 21/11/1969, página 11👉AQUI

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